Script = https://s1.trrsf.com/update-1790713512/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Brasil

Publicidade

Amapá assume papel relevante na rota do tráfico internacional

4 nov 2026 - 11h11
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
O Amapá tornou-se ponto estratégico na rota do tráfico internacional de cocaína rumo à Europa, impulsionado pela expansão de facções e pelo desvio da fiscalização de portos tradicionais como Belém. Cidades como Santana e Macapá ganharam relevância logística para inserção de drogas em navios na foz do Amazonas. Especialistas alertam que o combate eficaz exige maior cooperação internacional, enquanto o avanço do crime impõe violência e perda de controle territorial às comunidades locais.

Produtores de cocaína escoam droga pela Amazônia brasileira desde a década de 1980, porém, nos últimos anos rota foi redirecionada com aumento da fiscalização e expansão do crime organizado na região.A Amazônia brasileira se tornou uma região estratégica nas rotas internacionais do tráfico de drogas, que conectam produtores de cocaína proveniente da Colômbia, do Peru e da Bolívia. Esse cenário teve início na década de 1980, com a produção sendo escoada até Manaus. A região foi ganhando cada vez mais importância dentro desta cadeia.

Floresta é rota de tráfico desde a década de 1980
Floresta é rota de tráfico desde a década de 1980
Foto: DW / Deutsche Welle

Nos últimos anos, o estado do Amapá assumiu um papel relevante nesta rota. Segundo um relatório do Observatório de Economias Ilícitas na Bacia Amazônica, da Iniciativa Global Contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC), publicado em setembro, esse redirecionamento da rota de exportação para a Europa ocorre devido à expansão do crime organizado na região.

"A Amazônia virou essa grande porta de entrada do Comando Vermelho para outros países. A história do avanço do crime organizado na Amazônia nesses últimos 15 anos é muito influenciada por esse aumento da demanda por cocaína no mercado europeu", afirma Gabriel Funari, diretor do Observatório de Economias Ilícitas na Bacia Amazônica.

De acordo com o estudo, o aumento da fiscalização em portos de Belém levou grupos criminosos a buscar alternativas para exportar a droga. Nesse contexto, Macapá e Santana, localizadas na foz do Amazonas, ganharam importância logística.

"O Amapá acabou virando um polo interessante por várias razões. Primeiro porque tem um porto internacional em Santana, na região metropolitana de Macapá. Mas também há um grande movimento de navios na foz do Amazonas. Então virou uma região interessante para acoplar a cocaína nesses grandes navios e contêineres", explica Funari.

Combate necessita de cooperação internacional

O desafio, porém, ultrapassa as fronteiras nacionais. O combate ao tráfico depende de mecanismos de cooperação internacional, como o compartilhamento de informações de inteligência e a realização de operações conjuntas entre países. Apesar de iniciativas regionais apoiadas pela União Europeia (UE), especialistas apontam que a colaboração ainda enfrenta obstáculos.

"Existem programas implementados pela União Europeia para compartilhar informações e realizar operações conjuntas. Mas o que promotores, procuradores e policiais relatam é que ainda há pouca cooperação internacional no dia a dia, na parte operacional", diz Funari.

Na fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa, um acordo de cooperação entre Brasil e França podem servir de modelo para ampliar essa cooperação. A parceria prevê troca de dados e operações coordenadas, especialmente no combate ao garimpo ilegal.

"Estamos vendo operações com as polícias francesa e brasileira atuando simultaneamente nos dois lados do rio Oiapoque. Esse tipo de iniciativa pode servir de modelo também para o enfrentamento do tráfico de cocaína", avalia o diretor.

Enquanto a cocaína abastece mercados internacionais, os efeitos da expansão do crime organizado são sentidos na Amazônia, como a violência e a perda de controle dos territórios pelas comunidades locais.

"Todo esse lucro do mercado de cocaína e todas essas vantagens não ficam na região, mas os impactos ficam. A violência fica, a consolidação do crime organizado a nível local fica. Esses impactos estão sendo moldados justamente por essas dinâmicas de mercado", afirma Funari.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra