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Alexandre Ramagem é preso pelo ICE nos EUA: quando ele será deportado?

Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ex-deputado está foragido desde o ano passado, quando foi condenado por golpe de Estado e teve sua prisão preventiva decretada pelo STF.

13 abr 2026 - 14h13
(atualizado às 16h03)
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Ramagem é foragido da justiça brasileira desde setembro do ano passado
Ramagem é foragido da justiça brasileira desde setembro do ano passado
Foto: MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images / BBC News Brasil

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) foi preso pelo serviço de imigração (ICE) dos Estados Unidos, onde estava foragido da Justiça brasileira.

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Uma breve nota no site da PF afirma que a prisão, ocorrida em Orlando, na Flórida, "decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA".

A BBC News Brasil apurou que a expectativa da PF agora é que Ramagem seja deportado ao Brasil após passar por uma audiência junto a um juiz de assuntos migratórios.

Sua defesa, porém, poderá argumentar nesta audiência que Ramagem seria alvo de perseguição política, argumento usado por outros condenados pelos atos de 8 de janeiro em processos semelhantes em países como a Argentina.

Uma fonte da PF avalia que sua defesa poderá, se ainda não o fez, requerer asilo político nos EUA.

Caso seu argumento seja acolhido, o processo de deportação de Ramagem poderá ser suspenso. Do contrário, a expectativa é de que Ramagem seja enviado ao Brasil nos próximos meses ou semanas.

Procurada pela BBC News Brasil, a defesa de Ramagem ainda não respondeu.

O ex-deputado e ex-delegado da PF era considerado foragido desde setembro, quando a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou a 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito, na mesma ação penal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em novembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decretou a prisão preventiva de Ramagem.

Seu mandato foi cassado em dezembro, junto com o de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também está vivendo nos Estados Unidos.

Em 15 de dezembro, Moraes pediu aos EUA a extradição do deputado cassado, que também teve seu passaporte diplomático cancelado pela Câmara dos Deputados.

Segundo disse à BBC News Brasil em dezembro o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, o deputado saiu do Brasil de forma clandestina, pela fronteira com a Guiana, e usou passaporte diplomático para entrar nos EUA.

Ele teria viajado de avião para Boa Vista, em Roraima, de onde partiu de carro, em uma viagem clandestina em direção à fronteira.

Segundo a denúncia da Procuradoria Geral da República que levou ao julgamento e condenação de Ramagem, o ex-deputado teria usado a estrutura da Abin em favor dos planos golpistas — comandando uma "Abin paralela" que monitoraria adversários e críticos do governo Bolsonaro, além de produzir informações falsas e ataques virtuais.

Além disso, Ramagem teria fornecido a Jair Bolsonaro material para apoiar o ataque às urnas eletrônicas e a intervenção das Forças Armadas.

Página oficial do ICE confirma a prisão de Ramagem nesta segunda
Página oficial do ICE confirma a prisão de Ramagem nesta segunda
Foto: BBC News Brasil

Os custos de Ramagem

Na PF, Ramagem foi responsável pelas divisões de Administração de Recursos Humanos (2013 e 2014) e de Estudos, Legislações e Pareceres (2016 e 2017).

Também fez parte da equipe de investigação da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro em 2017.

Em 2018, tornou-se próximo do clã político de Bolsonaro na campanha presidencial, quando foi destacado pela PF para coordenar a segurança do então candidato, depois que ele foi alvo de uma facada em setembro daquele ano.

Com a posse de Bolsonaro, Ramagem foi chamado para o governo, tendo primeiro atuado como assessor especial da Secretaria de Governo, quando a pasta era comandada pelo general Carlos Alberto Santos Cruz.

Em julho de 2019, ele tomou posse como diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), onde ficou até 2022.

A Abin é vinculada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, comandada na época pelo general Augusto Heleno, também preso por golpe de Estado.

Em 2020, quando o hoje senador Sergio Moro (União-PR) deixou o Ministério da Justiça acusando Bolsonaro de tentar interferir na PF, o ex-presidente quis colocar Ramagem como diretor do órgão, mas o STF barrou a nomeação devido à proximidade pessoal de ambos.

Reportagem da BBC News Brasil publicada em dezembro mostrou que Ramagem, naquela época, já tinha custado ao menos R$ 532 mil aos cofres públicos desde que havia deixado o Brasil.

O valor é a soma dos salários brutos, verba de gabinete para funcionários e cota parlamentar dos meses de setembro, outubro e novembro.

A estrutura do gabinete, ao menos até novembro, teve custo superior a R$ 100 mil por mês, segundo consta no site da instituição.

Entre janeiro e novembro do ano passado, Ramagem havia gasto R$ 1,4 milhão em verba de gabinete, o equivalente a 98,6% do total disponível ao parlamentar no ano, segundo dados da Câmara. Desses, R$ 399,3 mil são de setembro em diante.

Ramagem foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2022, com 59 170 votos. Em 2024, ele concorreu à Prefeitura do Rio de Janeiro, mas não teve sucesso nas urnas.

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