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"Acabou matéria do JN", diz Bolsonaro sobre atraso de dados

"O Jornal Nacional gosta de dizer que o Brasil é recordista em mortes", disse o presidente

5 jun 2020
19h54
atualizado às 19h58
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O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, em tom irônico, que o Jornal Nacional, da TV Globo, não poderá mais divulgar o número oficial de vítimas da covid-19 no Brasil depois que o Ministério da Saúde passou a divulgar os dados da epidemia às 22h, atrasando uma publicação que anteriormente ocorria às 19h.

Presidente Jair Bolsonaro em inauguração de hospital de campanha em Águas Lindas de Goiás
05/06/2020
REUTERS/Adriano Machado
Presidente Jair Bolsonaro em inauguração de hospital de campanha em Águas Lindas de Goiás 05/06/2020 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

"Acabou matéria no Jornal Nacional", disse Bolsonaro em entrevista a jornalistas quando perguntado sobre o atraso na divulgação dos dados. "O Jornal Nacional gosta de dizer que o Brasil é recordista em mortes", acrescentou.

Perguntado se a decisão sobre o novo horário teria partido do Palácio do Planalto, Bolsonaro não respondeu diretamente, mas defendeu o novo horário como mais adequado.

"Não interessa de quem partiu, é justo sair 10 da noite para sair o dado completamente consolidado", afirmou.

O Ministério da Saúde adiou para as 22h a divulgação dos dados relativos à epidemia de coronavírus pelo terceiro dia consecutivo nesta sexta, após dois recordes diários seguidos no registro de mortes provocadas pela doença, que levaram o Brasil a se tornar o terceiro do mundo em número de óbitos, com mais de 34 mil vítimas fatais da Covid-19.

No início da epidemia, o Ministério da Saúde divulgava os dados diários da Covid-19 por volta das 17h e concedia entrevista coletiva diariamente com o então ministro da pasta, Luiz Henrique Mandetta, e os principais secretários responsáveis pelo enfrentamento à doença.

Depois que Mandetta foi demitido por desavenças com o presidente Jair Bolsonaro quanto às estratégias para conter o novo coronavírus, principalmente devido à contrariedade do presidente ao isolamento social, o ministério passou a divulgação dos números para as 19h na gestão de Nelson Teich, com entrevistas coletivas quase diariamente.

No entanto, com a saída de Teich em 15 de maio após menos de um mês no cargo --também devido a desavenças com Bolsonaro--, o Ministério da Saúde passou a atrasar rotineiramente a divulgação dos números e também deixou de realizar entrevistas diárias.

Na quarta-feira o ministério alegou problemas técnicos para adiar a divulgação dos dados de 19h para 22h, mas na quinta não houve qualquer explicação para o fato de os números também só terem saído tarde da noite --portanto depois do horário dos principais telejornais.

O ministério informou nesta sexta-feira, em nota, que os dados serão novamente informados às 22h, alegando que a pasta precisa, em alguns casos, fazer checagens junto aos gestores estaduais que alimentam a plataforma da pasta.

O Ministério da Saúde está sob comando interino do general Eduardo Pazuello desde a saída de Teich, e também passou 10 dias sem secretário nacional de Vigilância em Saúde até a nomeação nesta sexta do professor da Universidade Federal da Paraíba Arnaldo Correia de Medeiros, um indicado de partidos do centrão.

Enquanto isso o coronavírus avança pelo Brasil, tendo atingido 75% dos municípios do país, de acordo com o ministério. O Brasil é o segundo país do mundo com mais casos de Covid-19, com quase 615 mil casos, atrás apenas dos Estados Unidos, e caminha para se tornar também o segundo no número de óbitos. Atualmente o país tem menos óbitos que EUA (108.068) e Reino Unido (40.261).

Na véspera, o Brasil teve novo recorde de mortes registradas em 24 horas, com 1.473 óbitos, superando marca atingida no dia anterior, de 1.349 mortes.

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