Brasil investe R$ 2,1 bilhões e lança seu primeiro satélite geoestacionário
O governo do Brasil lançou, no último dia 4, por volta das 18h50, o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). O satélite será usado para as comunicações, principalmente para oferta de banda larga em áreas remotas, e será controlado somente pelo Brasil.
O lançamento ocorreu na Guiana Francesa, na base de Kourou e foi enviado através do foguete Ariane 5, que também lançou ao espaço o KOREASAT-7, da operadora sul-coreana Ktsat.
Desenvolvido pela empresa francesa Thales Alenia Space, que assinou um contrato com a companhia Visiona (Joint Venture formada pela Embraer e pela estatal Telebras), o SGDC envolve os ministérios da Defesa (MD) e da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC). Com esse novo projeto, o Brasil deixará de alugar satélites de empresas privadas. O lançamento estava inicialmente previsto para o dia 21 de março, mas foi adiado por causa da greve geral na Guiana Francesa.
O satélite, adquirido pela Telebras, terá uma banda KA, que será utilizada para comunicações estratégicas do governo e implementação do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), e uma banda X, que corresponde a 30% do equipamento de uso exclusivo das Forças Armadas. O Ministério da Defesa investiu cerca de R$ 500 milhões para utilização da banda X pelos próximos 18 anos, tempo de vida estimado do produto.
O uso do satélite será civil e militar. De um lado, a banda KA, possibilitará acesso à conexão em banda larga a todos os locais do país, sem exceção. De outro, a partir da banda X, será possível tramitar informações que envolvem a área de defesa e governamental. Responsável pelo desenvolvimento da área espacial do Brasil, a Força Aérea Brasileira (FAB) cuidará da operação e monitoramento do satélite.
Com o lançamento do Satélite Geoestacionário o Brasil passa a fazer parte do seleto grupo de países que contam com seu próprio Satélite Geoestacionário de comunicações, sem a necessidade de alugar equipamentos de empresas privadas, gerando uma economia significativa aos cofres públicos e maior segurança em suas comunicações.
O satélite também representa um avanço na qualidade da internet brasileira, que atualmente não está entre as melhores. De acordo com um estudo feito pela OpenSignal, o Brasil ocupa a 53ª posição no mundo em velocidade geral da internet móvel. O relatório da OpenSignal leva em conta dados coletados por um aplicativo que usuários instalam voluntariamente em seus celulares.
O ranking divulgado considerou a velocidade média geral, sem levar em conta se o usuário está conectado a uma rede 3G ou 4G. Foram analisados dados de 1.095.667 usuários para chegar à conclusão. A posição do Brasil reflete a baixa penetração do 4G no país. A média da conexão móvel do brasileiro é de 8,82 Mbps, enquanto a líder, Coreia do Sul, possui uma velocidade média de internet móvel de 37,54 Mbps, devido a uma rede 4G muito mais robusta.
Sites como o Minha Conexão são utilizados para fazer testes de velocidade da internet em tempo real. No Brasil, a Anatel, órgão regulador do setor, exige que as operadoras entreguem pelo menos 80% da taxa de transmissão média, e 40% da taxa de transmissão instantânea vendidas aos usuários. No site Minha Conexão o usuário pode verificar a velocidade da internet e salvar o resultado do teste de velocidade em um histórico. Posteriormente, é possível fazer comparativos da qualidade da internet e verificar se a mesma está de acordo com o plano contratado.