Brasil e UE integram iniciativa em prol do multilateralismo
Brasil, União Europeia, Canadá e Quênia lançaram a iniciativa Parceiros pelo Multilateralismo (P4M), anunciada via manifesto antes da Assembleia Geral da ONU. O grupo busca combater a crescente polarização global, o recorde em gastos militares e a proliferação de conflitos armados. A coalizão propõe reformas estruturais na ONU e em órgãos internacionais para torná-los mais representativos e eficazes, superando paralisias decisórias e fortalecendo a cooperação prática entre os países.
Iniciativa Parceiros pelo Multilateralismo (P4M), que reúne ainda Canadá e Quênia, alerta contra fragmentação política e polarização global, ao mesmo tempo em que busca formar coalizões para apoiar reformas na ONU.Brasil, União Europeia (UE), Canadá e Quênia anunciaram neste domingo (21/09) a criação de uma iniciativa conjunta em defesa do multilateralismo.
A iniciativa intitulada Parceiros pelo Multilateralismo (P4M), divulgada pouco antes da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, foi anunciada através de um manifesto publicado no jornal britânico Financial Times, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo primeiro-ministro canadense Mark Carney, pelo presidente queniano William Ruto, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa.
O manifesto alerta para a fragmentação política e a polarização global, destacando, por exemplo, o recorde de gastos militares em todo o mundo, que atingiram a marca de 2,9 trilhões de dólares (R$ 17 trilhões). O documento ressalta ainda que, somente em 2025, foram registrados 65 conflitos armados entre Estados, sendo este o maior número desde 1946, com o fim da Segunda Guerra Mundial.
"Necessidade de cooperação multilateral segue viva"
Os integrantes da P4M visam "oferecer uma estrutura flexível e aberta a países de diferentes regiões e tradições políticas que estejam dispostos a atuar para além de suas diferenças, formar coalizões em favor de reformas e transformar princípios compartilhados em ações concretas".
"O direito internacional está sob pressão. A linguagem das esferas de influência e da política de poder está de volta. As relações econômicas são cada vez mais utilizadas como instrumentos de pressão e coerção, enquanto a desigualdade aumenta, tanto dentro dos países quanto entre eles", diz a declaração.
"Alguns podem concluir, portanto, que o sistema multilateral fracassou. Em parte, essa crítica é compreensível [...]. Mas a necessidade de cooperação multilateral segue plenamente viva. O mundo do pós-guerra há muito ficou para trás, mas a lógica fundamental que justificou a cooperação multilateral é mais evidente do que nunca."
"A P4M apoiará a reforma das Nações Unidas e de outras instituições multilaterais, para torná-las mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis", diz a iniciativa.
António Costa disse que a iniciativa "visa ser uma plataforma aberta para parceiros de todas as partes do mundo que estejam prontos para defender princípios comuns e trabalhar em prol de soluções práticas".
"Trata-se de uma rede para diálogo, formação de coalizões e cooperação prática. A iniciativa apoiará o trabalho das Nações Unidas e de outros formatos multilaterais, ajudará a construir pontes entre regiões e contribuirá para o avanço da reforma e da modernização das instituições multilaterais, ajudando a transformar compromissos compartilhados em ações concretas", afirmou em nota o presidente do Conselho Europeu.
Reformas na ONU paralisadas
A P4M surge em uma conjuntura marcada pelas tarifas comerciais do presidente dos EUA, Donald Trump, e por um profundo ceticismo em relação a organismos e alianças internacionais, incluindo a ONU, a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Otan.
As reformas estruturais na ONU estão paralisadas há anos devido ao poder de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, que deixam o órgão incapaz de agir diante de conflitos globais.
Ao mesmo tempo, fóruns internacionais como o G20 se tornaram cada vez mais fragmentados após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
O presidente Lula chegou a Nova York neste domingo. Na terça-feira, ele fará o tradicional discurso de abertura da Assembleia Geral na ONU, no evento que reúne lideranças globais na sede da entidade, em Nova York.
rc (ots)
---------
Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.