Brasil dispensa embaixador da Argentina e rebaixa relações
Decisão ocorre após insultos de Milei contra Lula. Embaixador brasileiro não voltará à Argentina e Itamaraty não pretende mais tratar com chefe da missão diplomática do país vizinho em Brasília.O Brasil comunicou nesta terça-feira (05/08) a dispensa do embaixador daArgentina em Brasília, Daniel Raimondi, e decidiu não enviar o embaixador brasileiro a Buenos Aires enquanto continuarem os insultos do presidente do país vizinho, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As relações diplomáticas entre os dois maiores países da América do Sul serão mantidas a partir de agora em nível de encarregados de negócios, enquanto não cessarem os ataques de Milei, segundo uma fonte do governo brasileiro que solicitou anonimato.
O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado para consultas na semana passada como forma de protesto após Milei, durante o ato de lançamento da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), chamar Lula de "presidiário" e "ladrão" e acusá-lo de "desperdiçar" o dinheiro público do Brasil.
No ato, Milei apoiou abertamente a candidatura de Flávio, afirmando que ele é o único político capaz de "parar o lixo socialista" nas urnas.
Desde então, Milei reiterou os insultos em duas entrevistas que concedeu à imprensa argentina e em redes sociais.
Quando esteve em São Paulo, Milei também chamou de "lixo careca" o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o proibiu de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar.
Posteriormente, o governo Milei tentou minimizar o episódio. Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, tentou diminuir a tensão diplomática e afirmou que a crise deve ser enquadrada como parte das diferenças políticas e ideológicas entre ambos os governos.
"Não há nenhuma chance de que do nosso lado se rompa a relação. Nós não a levamos ao plano institucional", disse.
Reação argentina
O governo da Argentina disse lamentar a decisão do governo do Brasil de dispensar seu embaixador em Brasília e rebaixar a relação diplomática bilateral.
"A República Argentina toma nota da decisão adotada unilateralmente pelo Governo da República Federativa do Brasil e lamenta sua decisão de continuar se isolando do restante da região por questões puramente ideológicas", disse o ministério das Relações Exteriores argentino em comunicado.
Além disso, a pasta afirmou considerar que nos últimos anos "ocorreram numerosos episódios de expressões e apoios políticos cruzados entre dirigentes de ambos os países", que a Argentina decidiu não levar ao plano diplomático.
"Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Esse critério é o que a Argentina mantém hoje", diz a nota.
O comunicado afirma que o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, foi notificado nesta terça-feira pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil sobre a decisão de reduzir o nível da representação diplomática bilateral ao nível de encarregados de negócios e de solicitar seu retorno à Argentina.
"A Argentina reafirma que as relações entre os Estados devem responder aos interesses permanentes de seus povos e não ficar sujeitas às necessidades políticas e/ou pessoais dos governantes do momento", acrescentou o ministério argentino.
Jps (EFE)
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