Ataque de rebeldes houthis à Arábia Saudita leva EUA a temerem escalada rápida no Oriente Médio
Os Estados Unidos dizem temer uma "escalada rápida" das hostilidades no Oriente Médio após os ataques dos rebeldes houthis do Iêmen contra a Arábia Saudita. No sábado (19), a capital Riade foi alvo dos combatentes pró-Irã pela primeira vez em meses.
Ataques de rebeldes houthis a alvos estratégicos na Arábia Saudita, incluindo Riade e instalações da Aramco, aumentaram o temor dos EUA de uma rápida escalada militar no Oriente Médio. O conflito já perturba o tráfego marítimo no Mar Vermelho e elevou o petróleo acima de US$ 100. Apesar da pressão de aliados e do risco global, Donald Trump garantiu que os insurgentes concordaram em não atacar os Estados Unidos, enquanto a diplomacia regional tenta conter uma guerra aberta.
O presidente Donald Trump, que passaria todo o fim de semana na residência presidencial de Camp David, em Maryland (leste), voltou a Washington na noite de sábado. A Casa Branca não deu nenhuma explicação.
O retorno antecipado ocorre no momento em que uma linha vermelha foi ultrapassada nas hostilidades entre a Arábia Saudita e os houthis, que controlam uma grande parte do vizinho Iêmen e lutam contra forças do governo, apoiadas por uma coalizão liderada por Riade. Fortes explosões ocorreram duas vezes na capital saudita no sábado, onde um tanque de combustível com o logotipo da gigante petrolífera saudita Aramco foi visto em chamas perto do aeroporto.
"Este conflito militar tem potencial para se agravar rapidamente", disse o Departamento de Estado dos EUA no X, em um aos cidadãos dos EUA na região.
Trump diz à Fox que rebeldes não atacarão os EUA
Neste domingo (20), à Fox News, Trump garantiu que os houthis concordaram em não atacar os Estados Unidos. "O presidente disse que os Estados Unidos estão em contato constante com os houthis", completou o jornalista Trey Yingst, no ar.
Embora a trégua de 2022 tenha fracassado em julho, a ofensiva relâmpago dos houthis nas últimas semanas no Iêmen deixou centenas de mortos e, segundo a ONU, mais de 110 mil deslocados.
Os rebeldes controlam agora toda a costa que faz fronteira com o Mar Vermelho, fortalecendo o seu domínio sobre o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Ásia à Europa através do Canal de Suez. Os combates e as hostilidades que se seguiram com o reino vizinho já perturbaram o tráfego marítimo e as exportações da Arábia Saudita, um dos principais fornecedores de petróleo do planeta.
O barril de petróleo foi negociado acima dos US$ 100, fazendo com que os preços saltassem nos postos para os consumidores de todo o mundo, incluindo nos Estados Unidos.
Escalada militar e risco para infraestrutura saudita
Na noite de sábado, a coalizão liderada pela Arábia Saudita confirmou no X que um míssil tinha sido disparado na noite anterior pelos houthis em direção a Riade, sendo destruído pela defesa antiaérea saudita. Os combatentes também tentaram atingir "civis" em várias cidades do oeste do reino, incluindo o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, de onde Riade exporta petróleo.
Os houthis, por sua vez, reivindicaram dois ataques com mísseis e drones, um visando "locais sensíveis" na capital saudita e o outro "instalações da Aramco em Yanbu".
A movimentação "marca uma escalada perigosa, com os houthis realizando ataques nas imediações de importantes infraestruturas civis, numa das áreas mais densamente povoadas do reino", comentou Andreas Krieg, do King's College London, à AFP. "Um importante limiar psicológico foi ultrapassado."
"Ouvi o alerta, depois as minhas janelas tremeram", testemunhou um morador de 27 anos da zona norte da capital, que não quis revelar o seu nome.
Até agora, o movimento pró-Irã tinha como alvo principalmente instalações petrolíferas e bases militares no sul ou na costa voltada para o Mar Vermelho. A capital não tinha sido ameaçada desde o retorno das hostilidades, em julho.
Riade, por outro lado, foi atingida no auge da guerra regional desencadeada no final de fevereiro pelos ataques americano-israelenses ao Irã, que responderam lançando ataques contra os países do Golfo, aliados dos Estados Unidos.
Suposto ataque a Meca
No início da semana, os houthis também foram acusados por Riade de terem como alvo Meca, a cidade sagrada do Islã. O movimento pró-iraniano negou.
Em resposta, a Arábia Saudita bombardeou diária e extensivamente as áreas controladas pelos combatentes no Iêmen, sem conseguir, de momento, enfraquecê-los.
Sob pressão, o reino, que procura conter a ameaça sem ser arrastado para uma guerra aberta, aumenta os contatos diplomáticos. Condenando os ataques houthis, o chefe da diplomacia turca, Hakan Fidan, relatou discussões com a Arábia Saudita e também com o Paquistão. Os três países são parceiros num pacto de defesa mútua, concluído em agosto.
"Nesse sentido, poderão surgir necessidades militares, especialmente no domínio técnico. Não haveria problema em satisfazer esta procura", disse ele no canal NTV.
Chefe da CIA no Egito
O veículo americano Axios afirmou na semana passada que os Estados Unidos teriam se recusado a atacar os houthis, como a Arábia Saudita havia solicitado. Mas com a intensificação dos ataques dos rebeldes e as suas repercussões na economia global, está cada vez mais difícil para Donald Trump se manter alheio.
Nesse contexto, o diretor da agência de inteligência americana CIA, John Ratcliffe, reuniu-se no domingo com o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, durante uma visita rara ao Cairo. Este último ressaltou "a importância capital de resolver as crises regionais por vias políticas e diplomáticas".
Com AFP
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