Brasil convoca embaixador após ataques de Milei a Lula
Retorno de diplomata a Brasília ocorre após discurso do argentino em convenção do PL. Medida do Itamaraty sinaliza mal-estar nas relações bilaterais.O governo brasileiro convocou neste domingo (26/07) o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas após declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do Judiciário brasileiro.
A informação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores. Bitelli deve retornar ao Brasil entre domingo e segunda-feira.
Na diplomacia, a convocação de um embaixador para consultas é interpretada como um sinal de mal-estar nas relações bilaterais. A medida não leva a ruptura de relações, mas costuma ser adotada em momentos de tensão política entre países.
"Lixo careca" e "ladrão"
No sábado, Milei participou da cerimônia que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República, em São Paulo.
Durante seu discurso, o presidente argentino fez críticas à política brasileira, a Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Sem citar nominalmente o magistrado, Milei o chamou de "lixo careca", pela decisão que o impediu de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar em Brasília.
Milei também classificou Lula como um "condenado" e um "ladrão", acusando-o de "espalhar o comunismo" pela América Latina; "Não deixem que lhes roubem o futuro", declarou.
Ele também atacou setores que classificou como "esquerdistas" e afirmou que o socialismo estaria sendo "erradicado" na Argentina, Colômbia, Chile e Equador. Em seguida, disse esperar que o mesmo ocorra no Brasil nas eleições de outubro.
"Outras nações estão despertando, mas essa ideologia continua enraizada no Brasil", afirmou, em nova referência a Lula. O presidente argentino ainda alertou para um suposto "risco Lula" para o país e pediu que o Brasil se libertasse da "submissão à esquerda".
Fachin lamenta declarações
Em resposta, o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, lamentou as declarações do presidente argentino.
"Trata-se de uma referência desrespeitosa a um magistrado da mais alta instância judicial do país, feita em solo brasileiro, em razão de um ato jurisdicional praticado em conformidade com a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil", afirmou.
Fachin classificou as declarações como incompatíveis com a civilidade que deve orientar as relações entre os Estados e reiterou a independência do Judiciário brasileiro.
gq (AFP, Lusa, OTS)
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