Borsellino morreu por rejeitar negociações entre máfia e Estado
O juiz Paolo Borsellino foi assassinado pela máfia porque era contrário às negociações entre Cosa Nostra e o Estado, afirmou hoje Salvatore, irmão do magistrado morto em um atentado em 19 de julho de 1992.
Salvatore Borsellini fez as declarações a um programa da "Rádio Anch''io", fortalecendo as últimas afirmações do promotor antimáfia italiano, Piero Grasso, sobre a existência de contatos entre o Estado italiano e a máfia em 1992.
"Paolo foi assassinado porque tentou evitar as negociações, que então só eram rumores, mas que agora estão sendo comprovadas", indicou Salvatore Borsellino.
Para o irmão do então promotor antimáfia e emblema da luta contra a criminalidade organizada, "Paolo nunca teria aceitado uma coisa deste tipo e a teria denunciado à opinião pública, por isso que era indispensável eliminá-lo".
A polêmica entre as supostas negociações entre a máfia e o Estado explodiu depois que Massimo Ciancimino, filho do ex-prefeito de Palermo Vito Ciancimino condenado por seus laços com a máfia, fornecesse provas sobre ditas contatos.
Ciancimino assegura que seu pai o deixou antes de morrer em 2002 um fólio com 12 pedidos que o padrinho de Cosa Nostra Salvatore "Totó" Riina teria feito ao Estado para pôr fim aos atentados.
Na lista escrita à mão por Riina, publicada na imprensa italiana, constava o pedido de atenuação das penas contra os mafiosos, a abolição da lei 41-bis - que previa severo regime carcerário aos mafiosos -, e a prisão domiciliar aos condenados da máfia com mais de 70 anos, entre outras.
O ex-ministro socialista de Justiça entre 1991 e 1993 Claudio Martelli confirmou recentemente que Borsellino estava tentando interferir nas negociações entre o Estado e a Cosa Nostra.
Borsellino morreu em um atentado em Palermo. Na ação também foram mortos cinco seguranças em 19 de julho de 1992. Em 23 de maio do mesmo ano Giovanni Falcone, outro juiz antimáfia foi assassinado.