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Bolsonaro: "Eu só quero entregar esse Brasil melhor"

Presidente se dirigiu à imprensa e apoiadores durante saída por Brasília. Vaias e panelaço também marcaram saída

23 mai 2020
19h43
atualizado às 19h51
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O presidente Jair Bolsonaro disse há pouco que a maior recompensa que tem no cargo é ser reconhecido pela população. "Quero entregar esse Brasil melhor para quem me suceder no futuro", afirmou ao deixar o prédio onde mora o filho Jair Renan Bolsonaro, conhecido como "04".

Bolsonaro fala com jornalistas ao chegar ao Palácio da Alvorada 
31/3/2020 REUTERS/Adriano Machado
Bolsonaro fala com jornalistas ao chegar ao Palácio da Alvorada 31/3/2020 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

Ao sair do local, o presidente foi cercado por apoiadores que o receberam aos gritos de "mito". Um deles afirmou que o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, que foi tornado público ontem após decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), seria o "vídeo da reeleição" do presidente.

Antes de visitar o filho Jair Renan, Bolsonaro esteve com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. Sobre o encontro com Ramos, o presidente disse que foi um "bate papo". "Conheço Ramos desde 1973, velho amigo meu. Foi um bate papo, praticamente falar da vida e dos problemas".

Questionado se estava retornando para o Palácio da Alvorada, o presidente disse que não tem rotina, que gosta de sentir o clima, sentir o povo. Em seguida, o comboio presidencial deixou o local e mais adiante o presidente parou para comer cachorro quente na rua.

Vaias e panelaço

O presidente Jair Bolsonaro deixou o apartamento do ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, ao som de vaias e panelaço. O presidente chegou a cumprimentar alguns apoiadores, mas ouviu entre os tradicionais gritos de "mito" também outros de "fora Bolsonaro", além de xingamentos.

Nesta tarde, Bolsonaro e Ramos foram a uma confeitaria na quadra onde o ministro mora, na Asa Sul. Depois, os dois ficaram reunidos por cerca de 1h30 na residência de Ramos. Na saída, após falar com alguns apoiadores ainda no saguão do prédio, Bolsonaro se aproximou de um grupo maior de pessoas, mas, ao ouvir xingamentos, retornou rapidamente ao carro e saiu.

De lá, o presidente foi para o Sudoeste, bairro de Brasília próximo ao Plano Piloto, onde mora Jair Renan Bolsonaro, seu filho.

Antes de deixar o local, o presidente foi questionado sobre o que ele tinha achado das declarações do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, dadas ontem com relação ao pedido de apreensão do seu celular. "Somos um mesmo time, eu, Heleno, Fernando (ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva), somos um mesmo time", limitou-se a dizer.

O general Heleno divulgou nota ontem na qual afirma considerar "inconcebível" o pedido de apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro e que, caso aceito, poderá ter "consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional".

A solicitação foi apresentada por parlamentares e partidos da oposição em notícia-crime levada ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nessa sexta, 22, o ministro Celso de Mello, relator do caso, pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre assunto.

"O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência alerta as autoridades constituídas que tal atitude é uma evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes e poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional", diz Heleno, em nota divulgada ontem.

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Estadão
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