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Bets, polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida e caso Vorcaro marcam reta final da campanha eleitoral

28 set 2026 - 16h41
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Resumo
A reta final da campanha eleitoral foi dominada pelo anúncio da proibição das apostas online pelo governo Lula, tema de maior repercussão digital. O debate também foi inflamado por uma notícia falsa atribuindo a Flávio Bolsonaro a intenção de retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida, além de revelações ligando autoridades e candidatos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e do avanço de investigações sobre suposto tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Proibição de bets domina debate nas redes e se soma a controvérsias judiciais, desinformação religiosa, novas revelações sobre o escândalo do Master e investigação contra Lulinha.A reta final da campanha presidencial foi marcada por temas que pressionam candidatos e mobilizam uma disputa intensa nas redes sociais. Entre os assuntos de maior repercussão estão a falsa informação de que Flávio Bolsonaro pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil; as revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades públicas; a proibição das apostas online pelo governo Lula e pagamentos atribuídos a um lobista ligado ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente.

Levantamento do Instituto Democracia em Xeque (IDX) aponta que o caso Vorcaro e seus desdobramentos envolvendo a campanha de Flávio Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal (STF) dominaram o debate político online nas últimas semanas. Em seguida aparece a falsa informação sobre a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida. O tema de maior repercussão nas redes, porém, foi a proibição das bets anunciada pelo governo Lula, diz o instituto.

Veja os temas que marcaram a última semana antes do pleito.

Fake News sobre Nossa Senhora Aparecida

A polêmica envolvendo a padroeira do Brasil começou na última semana após publicações associarem falsamente uma fala de Flávio Bolsonaro à retirada do título de Nossa Senhora Aparecida.

Em um vídeo divulgado em agosto, o senador afirmou que, "quando for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo".

A gravação foi retirada de contexto e associada a um suposto apelo ao eleitorado evangélico, cujos fiéis, em parte, rejeitam a veneração de imagens religiosas.

O tema ganhou força após a jornalista da GloboNews Maria Cristina Fernandes afirmar que haveria um movimento dentro da Igreja Católica em reação a uma parcela de evangélicos que estaria apoiando uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Fernandes não associou a iniciativa a Flávio Bolsonaro nem citou o senador.

O projeto de lei mencionado foi apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, do Mato Grosso, à época filiado ao MDB e atualmente candidato a deputado federal pelo PP. A proposta pretendia alterar a legislação do feriado de 12 de outubro, substituindo a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". O texto foi rejeitado e arquivado.

Em 24 de setembro, Flávio Bolsonaro negou qualquer intenção de promover a mudança e classificou o caso como fake news.

A controvérsia ganhou nova dimensão depois que o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça, determinou a remoção de centenas de publicações em plataformas como Meta, X, TikTok e YouTube que afirmavam que o candidato pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

A decisão provocou novas críticas nas redes sociais, após usuários apontarem que publicações que não mencionavam Flávio Bolsonaro também teriam sido removidas.

O ministro Flávio Dino derrubou a decisão de Mendonça e, nesta segunda-feira, submeteu ao plenário do STF a análise do caso.

Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, neste domingo (28/09), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou ao tema ao afirmar que "mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável" e que "já teve gente da religião evangélica chutando" a santa — referência a um episódio protagonizado em 1995 pelo então bispo Sérgio Von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus.

Lula, porém, foi alertado pelos entrevistadores que o boato espalhado nas redes sobre Flávio não tinha fundamento real. "Eu não sei se foi fake news. O dado concreto é que isso está na rede social muito forte", respondeu.

Segundo o Democracia em Xeque, 977,6 mil publicações sobre Nossa Senhora Aparecida foram registradas entre os dias 24 e 26 de setembro, tornando o assunto, naquele momento, o terceiro tema político mais discutido no ambiente digital desde o início do ano.

As mensagens de Daniel Vorcaro

A divulgação contínua de mensagens encontradas no celular do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e suas supostas relações com ministros do STF, candidatos e outras autoridades também movimentou a discussão eleitoral. As publicações sobre a disputa entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, no começo do mês, seguem entre as mais volumosas, segundo o Democracia em Xeque.

Mensagens reveladas indicariam que, dois dias antes de ser preso, o ex-banqueiro discutiu com Moraes a possibilidade de ser alvo de uma operação da Polícia Federal. O caso forçou o plenário do STF a analisar a abertura de uma investigação contra o ministro, gerando embates com o então relator do caso, André Mendonça, que também poderá ter a conduta julgada pelo colegiado. O julgamento está atualmente suspenso por um pedido de vista de Dino.

Em 20 de setembro, Moraes voltou ao noticiário após um vídeo divulgado pelo jornal O Globo mostrar o magistrado e sua esposa, Viviane Barci, desembarcando de um jatinho em agosto de 2025. A aeronave pertenceria a uma empresa que tinha Vorcaro entre os sócios.

Três dias após a repercussão do caso, a revista piauí revelou que Flávio Bolsonaro viajou na mesma aeronave ligada a Vorcaro, em janeiro de 2025, no trajeto entre os Estados Unidos e Brasília.

O ex-banqueiro seguiu no centro da discussão após reportagens indicarem na última semana que Flávio tentou telefonar para Vorcaro dias antes da primeira prisão do empresário. Em uma das mensagens obtidas pela Polícia Federal, teria escrito: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente."

Também neste domingo, Lula rebateu acusações de que teria recebido uma garrafa de uísque de presente de Vorcaro. As alegações surgiram após mensagens indicarem que o advogado Walfrido Warde, então defensor do ex-banqueiro, teria levado a bebida durante um encontro com o presidente no ano passado.

"Você acredita em tudo que um lobista fala?", questionou Lula. "Se ele me deu uísque, já bebi. Eu não fico contando quem me dá uísque. Eu ganho muita coisa, lembranças. Não sei se deu, mas, se deu, já bebi", afirmou em entrevista à Band.

Segundo mensagens reveladas por O Globo, Warde, que circula entre integrantes do PT e atuava na defesa de Vorcaro, relatou ao cliente ter encontrado Lula e entregue o presente em nome dele.

Proibição das bets

A nove dias do primeiro turno, o governo Lula anunciou a proibição total das empresas de apostas online no Brasil, incluindo cassinos virtuais, como o chamado "jogo do tigrinho", e as bets de quota fixa voltadas para apostas esportivas.

A medida provisória atingiu um setor bilionário que se expandiu rapidamente no país desde 2018 e provocou forte reação. Associações do setor recorreram ao ministro do STF Luiz Fux, relator de outros processos relacionados ao mercado de apostas.

A nova regra também repercutiu no mercado esportivo, já que diversas empresas do setor patrocinam clubes de futebol.

De acordo com o Democracia em Xeque, a proibição tornou-se rapidamente o principal evento político do ano em termos de repercussão nas redes sociais. Foram registradas 1.332.600 menções nas primeiras 24 horas, superando os debates sobre Nossa Senhora Aparecida e os embates entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Considerando o período entre 25 e 28 de setembro, o tema gerou mais de 2,5 milhões de publicações. Entre os conteúdos de maior alcance estão críticas a influenciadores que se manifestaram contra o fim das bets, atividade que lhes rendia receitas de patrocínio.

Lulinha investigado

O caso de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também segue em voga nos últimos dias antes do pleito. Ele é investigado por suposta atuação de tráfico de influência em benefício do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", apontado como operador de um esquema de fraudes na Previdência que teria desviado bilhões de reais de pensionistas.

Segundo a linha investigativa, Lulinha teria atuado no mercado de cannabis medicinal e recebido recursos de Antunes. Transferências que somam R$ 1,5 milhão para a consultoria da empresária Roberta Luchsinger, ligada ao empresário, passaram a ser analisadas pelos investigadores. A corporação vê indícios de ocultação patrimonial e possível lavagem de dinheiro.

O tema ressurgiu em 24 de setembro após o portal Metrópoles revelar mensagens recuperadas no celular de Roberta Luchsinger em que a lobista coordena pagamentos a Lulinha, pedindo para seu motorista realizar entregas de dinheiro.

No domingo, Lula disse acreditar na inocência do filho, mas defendeu a continuidade das investigações.

gq/ra (OTS)

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