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Banco alemão escolhe líder de "fora da família" após 200 anos

31 mar 2010 - 18h26
(atualizado em 31/3/2010 às 11h36)
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Julia Werdigier

De Londres

Mais de 200 anos atrás, o banqueiro alemão Mayer Amschel Rothschild enviou seus cinco filhos a diferentes cidades europeias, para garantir a sobrevivência dos negócios bancários da família. Este mês, seu tataraneto, o barão David de Rothschild, fez uma escolha inesperada para garantir o futuro da empresa, que abarca divisões de consultoria financeira e de gestão patrimonial: pela primeira vez, transferiu algumas das responsabilidades pelo comando do banco Rothschild a uma pessoa de fora da família.

Já há anos corriam boatos no setor sobre a pessoa que Rothschild, 67 anos, escolheria para sucedê-lo no comando de uma das mais conhecidas dinastias bancárias mundiais eram fortes já há anos.

A família Rothschild conta com diversos integrantes nas gerações mais jovens, mas dentre eles apenas Alexandre, 29 anos, o filho de David de Rothschild, trabalha na empresa. No entanto, a família e ele mesmo consideram que seja jovem demais para substituir o pai.

David de Rothschild diz que sentiu que havia chegado o momento de repensar a estrutura de comando do banco, especialmente porque desejava se concentrar mais nos clientes e menos no comando dos 950 executivos financeiros do grupo.

Como resultado, Rothschild apontou um deles, Nigel Higgins, veterano com 27 anos no grupo, em Londres, e co-presidente da divisão de investimento, para o posto de presidente-executivo. O barão manteve algum controle sobre o império da família ao manter o posto de presidente do conselho. É a primeira vez na história da empresa que essas funções foram separadas.

"Se você não for completamente autocentrado, e espero não sê-lo, deve pensar sobre como reforçar a estabilidade interna e externa da empresa", disse Rothschild em entrevista recente. "E é inevitável a conclusão de que chegou a hora de mudar. Uma solução natural e saudável".

Para muita gente no setor bancário, a indicação de Higgins não veio como surpresa. Nascido em Londres, Higgins, 49 anos, começou a trabalhar para o Rothschild em 1982, ao se formar em História pela Universidade de Oxford. Desde então ele trabalha na filial londrina do grupo.

Caberá a ele comandar a legião de executivos do grupo, conhecidos por sua capacidade de construir relacionamentos em ocasiões que podem incluir convites aos potenciais clientes para estadia nas propriedades vinícolas da família, como o Chateau Lafite, na região de Bordeaux.

"O que eles precisam é alguém que conduza o navio com firmeza", disse Jason Kennedy, diretor da Kennedy Associates, uma empresa de recrutamento de executivos sediada em Londres. "David não está se aposentando. Ele dará bastante autonomia a Nigel, mas se perceber que o executivo está colocando o banco em risco, intercederá".

Como na década de 1760, a família continua a ocupar posição central na cultura da empresa. Os Rothschild fizeram fortuna financiando a batalha do duque de Wellington contra Napoleão em 1815. Desde então, a empresa vem oferecendo conselhos a reis, imperadores e governos. No ano passado, o banco Rothschild assessorou o governo dos Estados Unidos na reformulação da indústria automobilística do país.

Como presidente do conselho, Rothschild - sempre vestido impecavelmente e levando no bolso do paletó um lenço dobrado com esmero - deve continuar a fomentar o relacionamento com os clientes. Higgins é responsável por coordenar o trabalho dos executivos nos 50 escritórios do banco, em 36 países, e por atrair novos talentos.

Muita gente que conhece os dois executivos financeiros diz que essa divisão de responsabilidades se enquadra naturalmente às distinções que existem entre suas personalidades.

John Rose, presidente-executivo da Rolls-Royce, fabricante de turbinas aeronáuticas, é amigo pessoal e cliente de Higgins, e diz que recorre constantemente aos serviços do banco Rothschild porque aprecia o "raciocínio claro" de Higgins. Ele acrescenta que o executivo "é completamente imperturbável e tem a capacidade de desconsiderar tudo que é supérfluo e levar em conta apenas as questões verdadeiramente importantes".

Para Higgins, assumir como o primeiro presidente-executivo de fora da família Rothschild representa, como ele disse em entrevista, "mais uma evolução que uma revolução".

Tradução: Paulo Migliacci ME

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The New York Times
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