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Após pressão de Trump, Alemanha vai comprar mísseis Tomahawk dos EUA

9 jul 2026 - 19h16
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Negócio foi fechado após semanas após Trump anunciar que reduziria a presença militar americana no país. Americano tem pressionado europeus a pagar pela própria defesa.A Alemanha comprará mísseis de cruzeiro Tomahawk dos Estados Unidos e os posicionará em solo alemão, passando a investir em sua própria capacidade de ataque de longo alcance.

Mísseis de cruzeiro americanos serão estacionados na Alemanha, segundo Merz
Mísseis de cruzeiro americanos serão estacionados na Alemanha, segundo Merz
Foto: DW / Deutsche Welle

O chanceler federal alemão Friedrich Merz confirmou nesta quinta-feira (09/07) ter fechado o negócio durante a cúpula da Otan em Ancara, na Turquia.

"Estamos fechando uma lacuna estratégica crítica em nossa defesa, ao mesmo tempo em que trabalhamos para desenvolver nossos próprios sistemas europeus e posicioná-los na Europa", afirmou Merz ao Parlamento.

Segundo fontes do governo alemão, os EUA assinaram uma carta de intenções em que se comprometem a aprovar em agosto a aquisição de mísseis Tomahawk pela Alemanha junto com os lançadores terrestres Typhon — a quantidade de armamentos, porém, é mantida em segredo.

O Tomahawk é um míssil de cruzeiro estratégico e tático, subsônico, de longo alcance e alta precisão e que pode ser lançado de diversas rampas de lançamento. Ele é produzido em diferentes versões, podendo transportar ogivas nucleares.

Pressão de Trump sobre aliados europeus da Otan

A compra planejada parece estar alinhada com a pressão do presidente americano Donald Trump para que aliados europeus paguem por sua própria segurança — comprando armas americanas, por exemplo.

O fornecimento dos Tomahawk era considerado incerto depois que Trump anunciou em maio que reduziria a presença militar dos EUA na Alemanha.

Isso foi visto como o cancelamento de um plano anterior da Casa Branca de posicionar na Alemanha um batalhão dos EUA equipado com mísseis Tomahawk de longo alcance.

A medida era concebida como uma solução intermediária, funcionando como um forte fator de dissuasão contra a Rússia enquanto os europeus desenvolviam sua própria versão dessas armas.

A correspondente da DW em Berlim especializada em defesa, Nina Werkhäuser, classificou como "surpreendente" o momento do anúncio de Merz, um dia após a cúpula da Otan.

"Os países europeus ainda não dispõem de armas comparáveis próprias e, por isso, dependem das capacidades dos EUA para sua defesa", acrescentou. "Desenvolver um sistema europeu próprio é uma prioridade elevada em Berlim e outras capitais europeias, mas provavelmente levará bastante tempo."

A Alemanha fabrica seus próprios mísseis de cruzeiro, os Taurus, mas seu alcance de cerca de 500 quilômetros é de três a cinco vezes menor que o do Tomahawk, que pode atingir pontos a até 2,5 mil quilômetros de distância, o que faz dele o míssil de cruzeiro não nuclear de maior alcance do Ocidente.

Ainda não se sabe, porém, quando a Alemanha receberá os Tomahawks, já que reportagens veiculadas nas primeiras semanas da guerra entre EUA e Irã sugeriram que os militares americanos teriam consumido cerca de 30% de seus estoques do armamento, correndo risco de desabastecimento em caso de novos conflitos nos próximos anos.

ra (Reuters, DW, ots)

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