Após pressão de Trump, Alemanha vai comprar mísseis Tomahawk dos EUA
Negócio foi fechado após semanas após Trump anunciar que reduziria a presença militar americana no país. Americano tem pressionado europeus a pagar pela própria defesa.A Alemanha comprará mísseis de cruzeiro Tomahawk dos Estados Unidos e os posicionará em solo alemão, passando a investir em sua própria capacidade de ataque de longo alcance.
O chanceler federal alemão Friedrich Merz confirmou nesta quinta-feira (09/07) ter fechado o negócio durante a cúpula da Otan em Ancara, na Turquia.
"Estamos fechando uma lacuna estratégica crítica em nossa defesa, ao mesmo tempo em que trabalhamos para desenvolver nossos próprios sistemas europeus e posicioná-los na Europa", afirmou Merz ao Parlamento.
Segundo fontes do governo alemão, os EUA assinaram uma carta de intenções em que se comprometem a aprovar em agosto a aquisição de mísseis Tomahawk pela Alemanha junto com os lançadores terrestres Typhon — a quantidade de armamentos, porém, é mantida em segredo.
O Tomahawk é um míssil de cruzeiro estratégico e tático, subsônico, de longo alcance e alta precisão e que pode ser lançado de diversas rampas de lançamento. Ele é produzido em diferentes versões, podendo transportar ogivas nucleares.
Pressão de Trump sobre aliados europeus da Otan
A compra planejada parece estar alinhada com a pressão do presidente americano Donald Trump para que aliados europeus paguem por sua própria segurança — comprando armas americanas, por exemplo.
O fornecimento dos Tomahawk era considerado incerto depois que Trump anunciou em maio que reduziria a presença militar dos EUA na Alemanha.
Isso foi visto como o cancelamento de um plano anterior da Casa Branca de posicionar na Alemanha um batalhão dos EUA equipado com mísseis Tomahawk de longo alcance.
A medida era concebida como uma solução intermediária, funcionando como um forte fator de dissuasão contra a Rússia enquanto os europeus desenvolviam sua própria versão dessas armas.
A correspondente da DW em Berlim especializada em defesa, Nina Werkhäuser, classificou como "surpreendente" o momento do anúncio de Merz, um dia após a cúpula da Otan.
"Os países europeus ainda não dispõem de armas comparáveis próprias e, por isso, dependem das capacidades dos EUA para sua defesa", acrescentou. "Desenvolver um sistema europeu próprio é uma prioridade elevada em Berlim e outras capitais europeias, mas provavelmente levará bastante tempo."
A Alemanha fabrica seus próprios mísseis de cruzeiro, os Taurus, mas seu alcance de cerca de 500 quilômetros é de três a cinco vezes menor que o do Tomahawk, que pode atingir pontos a até 2,5 mil quilômetros de distância, o que faz dele o míssil de cruzeiro não nuclear de maior alcance do Ocidente.
Ainda não se sabe, porém, quando a Alemanha receberá os Tomahawks, já que reportagens veiculadas nas primeiras semanas da guerra entre EUA e Irã sugeriram que os militares americanos teriam consumido cerca de 30% de seus estoques do armamento, correndo risco de desabastecimento em caso de novos conflitos nos próximos anos.
ra (Reuters, DW, ots)
---------
Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.