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Após Moraes determinar investigação sobre Bolsonaro, presidente diz que hora do ministro vai chegar

5 ago 2021 12h17
| atualizado às 13h38
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Um dia depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes incluir Jair Bolsonaro como um dos investigados no inquérito das fake news, o presidente subiu o tom nos ataques e disse que "a hora dele vai chegar".

Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto
29/06/2021 REUTERS/Adriano Machado
Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto 29/06/2021 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

Na quarta-feira Moraes acolheu uma notícia-crime encaminhada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e determinou a inclusão de Bolsonaro no inquérito, que investiga o financiamento e a disseminação de notícias falsas por grupos ligados ao presidente.

"O senhor Alexandre de Moraes acusa todo mundo de tudo. Bota como réu no seu inquérito, inquérito sem qualquer base jurídica, para fazer operações intimidatórias, busca e apreensão ameaças de prisão ou até mesmo prisões. Isso que ele vem fazendo", disse o presidente em uma entrevista a uma rádio evangélica do Rio de Janeiro.

"E a hora dele vai chegar porque está jogando fora das quatro linhas da Constituição há muito tempo. Não pretendo sair das quatro linhas para questionar essas autoridades, mas acredito que o momento está chegando."

Apesar do tom de ameaça, o presidente não explicou a que se referia quando fez a afirmação.

A interlocutores, Moraes considerou a fala de Bolsonaro não uma ameaça, mas uma "bravata".

Bolsonaro acrescentou que "não dá para continuarmos com ministro arbitrário, ditatorial, não respeita a democracia, não leu a Constituição, ou se leu aplica de acordo com o seu entendimento", acusando Moraes de usar o cargo para tentar atingir outras pessoas.

"Ele (Moraes) fez um absurdo agora, me colocou como réu daquele inquérito fake news dele. O inquérito tem nome de fake news, mas fake news é o próprio Alexandre de Moraes. Ele é a mentira em pessoa dentro do Supremo Tribunal Federal", afirmou.

"Repito, o que mais quero é harmonia, é a paz, porque a população tem muita coisa que precisa do governo federal para poder viver com dignidade. E lamentavelmente esse homem, juntamente com outro Barroso, tem nos tirado tempo enorme para que possamos bem trabalhar para o futuro do Brasil."

Apesar de não poder ser processado sem autorização do Congresso enquanto estiver no cargo, ele pode ser investigado em ações no Supremo.

Depois da sequencia de ataques a Moraes e também ao presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso --que era, até agora, o principal alvo de seus ataques por ser contrário ao voto impresso-- o presidente voltou a falar de participar pessoalmente de manifestações, e convocou seus apoiadores para um evento na avenida Paulista, em São Paulo, que seria um "último apelo" pela aprovação do voto impresso.

"Vou repetir aqui: se o povo paulistano achar que eu devo comparecer à Paulista daqui dois, três domingos, irei com maior prazer. E seria mais um recado para aqueles que ousam estar à margem da nossa Constituição", disse.

Bolsonaro reclamou que os inquéritos são um "plano" para torná-lo inelegível e voltou a repetir teorias de que Barroso faz parte de um complô para eleger o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.

"Agora começaram as ameaças. Lula foi tirado da cadeia, tornado elegível. Um homem acusado e condenado em três instâncias no maior esquema de corrupção da história do mundo, é elegível. E eu que estou querendo eleições limpas e transparentes o que vejo é que já existe um plano para me tornar inelegível ano que vem. Se isso vier a acontecer, se eu não nada fizer, o presidente é o Lula", afirmou.

O STF anulou as condenações de Lula pela 13ª Vara Federal de Curitiba no âmbito da operação Lava Jato por entender que ela não tinha competência para julgar os processos. Num segundo momento, o Supremo considerou também que o então juiz da Lava Jato em Curitiba, Sergio Moro, foi parcial nos julgamentos do petista.

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