Após Kanye West ser anunciado como atração de festival, Pepsi cancela patrocínio
Entenda como a escolha de um único artista fez gigantes do mercado de bebidas retirarem milhões de investimento de um dos eventos mais famosos de Londres, após parceria de uma década.
A decisão da Pepsi de encerrar seu patrocínio ao Wireless Festival pegou o mercado de entretenimento de surpresa e gerou uma reação em cadeia entre marcas envolvidas no evento. A empresa, que mantinha uma parceria de mais de uma década com o festival, anunciou sua retirada poucas horas depois da confirmação de Kanye West, também conhecido como Ye, como principal atração da edição deste ano.
Saída repentina após anúncio
O evento, que acontece em Londres entre os dias 10 e 12 de julho, era oficialmente promovido sob o nome "Pepsi MAX Presents Wireless" desde 2015, evidenciando a força da associação entre a marca e o festival. Em comunicado breve enviado à imprensa britânica, a empresa afirmou apenas que "A Pepsi decidiu retirar seu patrocínio ao Wireless Festival", sem mencionar diretamente o artista.
A saída, no entanto, não ocorreu de forma isolada. Logo depois, a Diageo, multinacional responsável por marcas como Johnnie Walker e Captain Morgan, também anunciou que deixaria de apoiar o evento. O movimento reforça o impacto que a escolha do headliner teve sobre os patrocinadores e levanta questionamentos sobre os critérios de associação entre marcas e artistas.
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Reação política e críticas públicas
A presença de Kanye West no line-up já vinha sendo alvo de críticas antes mesmo das desistências corporativas. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, se manifestou publicamente sobre o assunto, destacando preocupação com o histórico recente do músico. Em declaração ao jornal The Sun, ele afirmou: "É profundamente preocupante que Kanye West tenha sido contratado para se apresentar no Wireless Festival, apesar de suas declarações antissemitas anteriores e de sua homenagem ao nazismo". Ele completou: "O antissemitismo, em qualquer forma, é abominável e deve ser combatido com firmeza onde quer que apareça. Todos têm a responsabilidade de garantir que a Grã-Bretanha seja um lugar onde os judeus se sintam seguros."
Histórico recente de Kanye West amplia controvérsia
A controvérsia envolvendo o artista não é recente. Desde 2022, Kanye tem acumulado declarações amplamente criticadas, incluindo falas em que expressou admiração por figuras e símbolos ligados ao nazismo. No início deste ano, ele publicou um pedido de desculpas em um anúncio no Wall Street Journal, financiado por sua própria marca, a Yeezy.
No texto, afirmou: "Lamento e estou profundamente envergonhado pelas minhas ações nesse estado, e estou comprometido com a responsabilização, o tratamento e mudanças significativas. Isso, porém, não justifica o que fiz. Eu não sou nazista nem antissemita. Eu amo o povo judeu". Em outro trecho, reconheceu ter "perdido o contato com a realidade".
Apesar da retratação, o histórico recente continua repercutindo negativamente. Em 2025, o artista lançou a música "Heil Hitler", que acabou sendo banida das principais plataformas de streaming, intensificando ainda mais as críticas.
Impacto no festival e no mercado
Agora, com a saída de patrocinadores de peso, o Wireless Festival enfrenta um cenário incerto. A repercussão evidencia como decisões artísticas podem impactar diretamente relações comerciais e a imagem de grandes eventos, especialmente em um contexto em que posicionamentos públicos têm consequências cada vez mais imediatas.