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Antigos europeus já cavalgavam há 5 mil anos, revela estudo

4 mar 2023 - 09h52
(atualizado às 19h45)
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Ao analisar ossos humanos da cultura Yamna, pesquisadores encontram pela primeira vez evidências que indicam a origem da equitação.Os antigos europeus já andavam a cavalo há 5 mil anos, revelou um estudo publicado nesta sexta-feira (03/03). O grupo de pesquisadores internacionais envolvidos na descoberta afirmou ter encontrado evidências convincentes que comprovaram essa hipótese.

Equitação foi um passo decisivo para desenvolvimento humano
Equitação foi um passo decisivo para desenvolvimento humano
Foto: DW / Deutsche Welle

Para isso, a equipe da Universidade de Helsinque e de outras instituições europeias analisou mais de 200 esqueletos humanos que estavam em coleções de museus na Bulgária, na Polônia, na Romênia, na Hungria e na República Tcheca.

Publicado na revista especializada Science Advances, o estudo afirma que encontrou sinais nos esqueletos do que os pesquisadores chamaram de "síndrome de equitação". Ela é reconhecida em seis marcadores que indicam que a pessoa andava de cavalo regularmente, incluindo marcas de desgaste na cavidade dos quadris, fêmur, pélvis, além da degeneração vertebral induzida pelo estresse.

"Ao sentar no cavalo, é necessário se equilibrar a cada passo da montaria e se agarrar firmemente com as pernas", afirmou Martin Trautmann, pesquisador da Universidade de Helsinque. Ele acrescentou que os primeiros cavaleiros provavelmente cavalgavam sem sela e se agarravam na crina do animal.

"Nossas descobertas fornecem um forte argumento que indica que andar a cavalo já era uma atividade comum para alguns indivíduos da cultura Yamna por volta de 3.000 a.C.", destaca o estudo.

Passo decisivo para desenvolvimento humano

O arqueólogo Volker Heyd, da Universidade de Helsinque, ressaltou que a descoberta "se encaixa muito bem no quadro geral" da cultura Yamna, da Idade do Bronze, conhecida por seus túmulos, ou Kurganes, e originária da estepe pôntica, onde hoje fica a Ucrânia e o oeste da Rússia.

Os pesquisadores já suspeitavam há tempos que a cultura Yamna usava cavalos, o que explicaria a sua rápida expansão geográfica ao longo de apenas poucas gerações.

"É difícil imaginar como essa expansão teria ocorrido sem meios de transporte aperfeiçoados. O uso de cavalos para transporte foi um passo decisivo para o desenvolvimento cultural humano", afirma o estudo.

Segundo Heyd, a disseminação das línguas indo-europeias está ligada ao movimento desta cultura, que também reformulou a composição genética da Europa.

Os pesquisadores também afirmam ser improvável que a cultura Yamna fosse um povo guerreiro. "Eles eram cowboys", acrescenta Trautman.

O estudo também indica que um pequeno número de indivíduos deste grupo teria sido cavaleiro. Esses indivíduos provavelmente ajudavam a proteger o gado e as ovelhas.

Embora os cientistas já tivessem encontrado evidências de que os cavalos teriam sido domesticados entre 3.500 a.C. e 3.00 a.C., o novo estudo é o primeiro que indica a origem da equitação. Até então, só se tinha evidências visuais desta prática pouco antes de 2.000 a.C. em desenhos da terceira dinastia de Ur. Imagens e menções de passeios a cavalo em textos cuneiformes também são encontradas no período da Antiga Babilônia, por volta de 1.880 a.C. e 1.595 a.C..

cn (DW)

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