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Ameaça crível de míssil levou à troca secreta de aeronave para Trump, diz fonte

12 ago 2026 - 15h54
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Uma ameaça de que o Air Force One pudesse ‌ser alvo de um míssil portátil lançado do ombro levou o Serviço Secreto a transferir secretamente o presidente norte-americano, Donald Trump, para um jato governamental sem identificação durante uma visita à Turquia no mês passado, afirmou nesta quarta-feira uma pessoa a par do assunto.

A ameaça surgiu no último dia da visita de Trump a Ancara para a cúpula da Otan, em meio a tensões crescentes com o Irã, disse a fonte. O ⁠Serviço Secreto considerou a ameaça crível e iminente, o que levou a uma operação extraordinária para ocultar os movimentos ‌do presidente dos Estados Unidos.

A fonte se recusou a revelar a origem da informação, mas afirmou que as autoridades tiveram pouco tempo para se preparar e elaboraram os planos no último minuto.

Trump e um pequeno ‌grupo de assessores utilizaram um caminhão de abastecimento de refeições para, ‌discretamente, transferi-los da grande aeronave presidencial azul e branca para um jato C-32A menor e discreto para ⁠o voo de saída da Turquia em 8 de julho, enquanto o Air Force One partiu separadamente transportando altos funcionários do governo, equipe da Casa Branca e a imprensa que acompanhava a viagem, segundo a fonte.

Trump disse aos repórteres na terça-feira que fez a troca sob orientação do Serviço Secreto, responsável pela segurança presidencial. Ele voou de Ancara para uma escala de reabastecimento no Reino Unido sem incidentes.

"Na verdade, acho que o ‌avião em que voei corria maior risco", disse Trump aos repórteres, sem apresentar provas. "Acho que corria maior risco porque ‌esse seria o avião que, na ⁠minha opinião, eles teriam mais ⁠chances de atacar."

Os presidentes dos EUA, incluindo Trump, ocasionalmente viajam em sigilo ao visitar zonas de guerra ou regiões de ⁠alto risco, a fim de manter a segurança. Mas essas viagens ‌normalmente envolviam aviso prévio aos jornalistas ‌que acompanhavam o presidente.

Alguns membros da imprensa foram avisados com antecedência sobre uma viagem do presidente George W. Bush a Bagdá no Dia de Ação de Graças de 2003. Outros membros da imprensa que cobriam o feriado de Ação de Graças de Bush em Crawford, no Texas, foram enganados, no ⁠entanto. Informados de que Bush passaria o feriado com a família, ficaram chocados quando o presidente apareceu repentinamente no Iraque.

A fonte afirmou nesta quarta-feira que o Serviço Secreto não tinha tempo a perder na Turquia.

"Eles estavam se esforçando para impedir o que consideravam uma ameaça crível e iminente", disse a fonte.

O Washington Post divulgou pela primeira vez os detalhes da operação nesta semana, ‌mais de um mês após sua realização.

O New York Times informou que autoridades norte-americanas ficaram alarmadas ao descobrir que os iranianos sabiam onde Trump estava hospedado em Ancara, incluindo o andar exato de seu hotel.

A ⁠bordo do jato Air Force One, agora considerado uma isca, estavam o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio — que, segundo a fonte, foi informado sobre a manobra —; o secretário do Tesouro, Scott Bessent; o diretor de comunicações da Casa Branca, Steven Cheung; e vários outros assessores, além da equipe de imprensa habitual de 13 pessoas, que incluía um correspondente e um fotógrafo da Reuters.

O vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Dan Scavino, a assistente executiva Natalie Harp e o diretor de operações do Salão Oval, Walt Nauta, seguiram com Trump, disse a fonte.

Alguns comentaristas da mídia e parlamentares questionaram se a operação colocou em risco os assessores de Trump e os jornalistas que viajavam com ele a bordo do avião que, supostamente, transportava o presidente.

A fonte disse que foi determinado que era do interesse de Trump manter o ardil em segredo, à medida que as hostilidades se intensificavam com o Irã, que faz fronteira com a Turquia.

Autoridades turcas não se pronunciaram imediatamente sobre a ameaça.

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