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Alvo de disputa no Rio, nomeação do novo chefe do MP interessa a Bolsonaro e Witzel

Há receio de que o próximo chefe do MP, cujo mandato vence em dezembro, não dê tanta atenção ao caso das 'rachadinhas'

28 ago 2020 - 16h52
(atualizado às 19h08)
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RIO - A citação do governador Wilson Witzel ao fato de não poder mais nomear o futuro Procurador-Geral de Justiça do Rio, em dezembro, não foi feita à toa. Central para a família do presidente Jair Bolsonaro, a indicação do nome que vai chefiar o Ministério Público (MP) fluminense no próximo biênio já vinha sendo alvo de disputa nos bastidores. Com o interino Cláudio Castro no governo, há um receio de que o próximo chefe do MP não dê tanta atenção ao caso das "rachadinhas" — que atinge, entre outros políticos, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Witzel planejava indicar um nome como o de Ricardo Ribeiro Martins, atual subprocurador-geral de Justiça de Assuntos Criminais e Direitos Humanos. Martins e o MP negam veementemente que ele seja candidato à sucessão de Gussem. Segundo a Promotoria, o subprocurador não tem interesse em ocupar o cargo.

O procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, cujo mandato termina em dezembro
O procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, cujo mandato termina em dezembro
Foto: Fernando Frazao/Agência Brasil / Estadão

É ele quem assina a primeira denúncia do caso das rachadinhas, contra o deputado estadual Márcio Pacheco (PSC), ex-líder do governo Witzel na Alerj. Seria uma forma de mostrar que as investigações sobre outros parlamentares - ou seja, Flávio - continuariam a acontecer da mesma forma. Afastaria, assim, a possibilidade de Bolsonaro interferir em seu calcanhar de Aquiles.

Num primeiro momento, pode soar contraditório que o nome cogitado por Witzel seja o de um procurador que denunciou um de seus poucos aliados na Assembleia. No entanto, é justamente a essa ideia de que "estão pegando todo mundo" que ele se agarraria. Depois de denunciar um correligionário do governador, os rumores passaram a ser de que estaria para ser apresentada uma denúncia contra algum parlamentar de esquerda, antes de Flávio Bolsonaro.

O atual procurador-geral, Eduardo Gussem, é visto como um chefe que dá independência e não interfere nas investigações que não lhe cabem, como é o caso da tocada pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (GAECC) contra o filho do presidente da República.

Sob Cláudio Castro, que é próximo a Flávio e já reservou para ele um espaço para nomeações em secretarias do novo governo, há o temor de que o clã presidencial consiga emplacar um nome do MP que seja mais contrário às apurações em curso. Num contexto em que a defesa de Flávio tenta tirar o caso das mãos do GAECC e levar para os investigadores da segunda instância, isso se torna ainda mais importante, já que exigiria uma participação mais direta do procurador-geral.

"Um afastamento de 180 dias? Por quê? Em dezembro eu tenho que escolher o novo procurador-geral de Justiça. Isso é um ultraje à democracia. Por que 180 dias, se em dezembro eu tenho que escolher o novo procurador-geral de Justiça?", questionou Witzel nesta manhã, partindo para a estratégia de ligar o seu afastamento à tentativa da família Bolsonaro de se blindar.

Estadão
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