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Agente de modelos ligado a Epstein é encontrado morto

22 jul 2026 - 17h26
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Daniel Siad era acusado de recrutar mulheres para esquema de abusos do multimilionário americano. Ele é o segundo homem publicamente associado a Epstein a ser encontrado morto na França.Um agente de modelos suspeito de recrutar mulheres para um esquema de exploração sexual comandado pelo criminoso sexual americano Jeffrey Epstein foi encontrado morto em sua casa nos arredores de Paris, informaram promotores e sua advogada nesta quarta-feira (22/07).

Daniel Siad, de 69 anos, era investigado na França por suspeita de estupro e tráfico de pessoas. Ele era um dos vários franceses acusados de ajudar Epstein a traficar e abusar de mulheres, inclusive menores de idade.

Siad ainda não havia sido interrogado pelos investigadores, mas negava as acusações.

O Ministério Público francês informou que a causa da morte está sendo investigada, e que o corpo de Siad, encontrado na noite de segunda-feira, ainda passará por autópsia.

Com a morte, o Ministério Público informou que encerrará a investigação sobre Siad, mas manterá uma outra, mais ampla, sobre um suposto esquema de tráfico humano ligado a Epstein, que possuía um apartamento na capital francesa.

O financista nova-iorquino foi encontrado morto na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual.

Siad é o segundo homem publicamente associado a Epstein a morrer na França. O agente de modelos Jean-Luc Brunel, que também foi acusado de recrutar mulheres para o americano, foi encontrado morto na prisão em 2022. Como Siad, ele também alegava inocência.

Nome de Daniel Siad aparece diversas vezes nos arquivos do caso Epstein

O nome de Siad é mencionado mais de 1.800 vezes nos arquivos do caso Epstein tornados públicos pelo governo americano: em ligações telefônicas, mensagens de texto e emails.

Ele comparava seus esforços para recrutar mulheres à pesca. "Neste negócio, às vezes me sinto como um pescador: algumas vezes pesco rápido, outras vezes não há peixe", escreveu Siad em inglês em um e-mail enviado a Epstein em 2014.

Uma das mulheres "fisgadas" por Siad teria sido uma alemã que está desaparecida há 11 anos e cuja história foi revelada recentemente na imprensa alemã.

As evidências reunidas pelo Departamento de Justiça americano contra Epstein sugerem que Siad teria recebido pagamentos de mais de 80 mil dólares do financista.

O agente de modelos afirmava não saber que Epstein era um abusador sexual, e insistia que o americano havia "se aproveitado de sua confiança".

"Minha relação com Epstein era meramente profissional. Eu nunca tive problemas com as modelos que apresentei a ele. Elas não foram agredidas ou estupradas", disse em entrevista a uma emissora francesa.

"Ele era inocente", diz advogada de defesa

A advogada de Siad, Menya Arab-Tigrine, disse que seu cliente havia solicitado a oportunidade de apresentar sua versão dos fatos antes de morrer.

"Ele está morto e era inocente", declarou ela à agência de notícias AFP. "Se ele morreu de ataque cardíaco, a espera insuportável, a pressão e a ansiedade que sofria todos os dias terão contribuído para isso", acrescentou.

"Mais um elo da corrente desapareceu"

Para as vítimas, Siad representava uma possível oportunidade de finalmente "esclarecer o que aconteceu" em relação a Epstein, afirmou Juliette G., ex-modelo francesa que diz ter sido recrutada por Siad em 2004 para ser apresentada a Epstein em Nova York.

"Mais um elo da corrente desapareceu, alguém que poderia ter ajudado a descobrir a verdade e identificar os responsáveis", disse a mulher, que pediu para ter seu sobrenome preservado para proteger sua privacidade, à agência de notícias AFP.

A ex-modelo sueca Ebba Karlsson, hoje na faixa dos 50 anos, apresentou a primeira denúncia contra Siad em fevereiro, acusando-o de tê-la estuprado quando ela tinha 20 anos.

"É muito frustrante", disse Karlsson à AFP. "Ele estava muito perto de ser preso. Trabalhamos duro por isso, tentando obter justiça."

"Nunca estuprei ninguém na minha vida. Sou pai de família, sou ao mesmo tempo também avô", disse Siad a uma emissora francesa ao ser perguntado sobre as acusações quando ainda era vivo.

Karlsson afirma que Siad a apresentou a Gerald Marie, ex-chefe europeu da agência de modelos Elite, a quem também acusa de estupro.

Diversas mulheres acusaram Marie de estupro e tráfico humano e pediram que a França o investigasse por possíveis ligações com Epstein. Ele tem negado repetidamente qualquer irregularidade.

O que é o caso Epstein?

Epstein, que chegou a ser condenado pela Justiça americana por crimes sexuais, operou por anos um esquema de exploração de jovens e menores de idade. Fez isso enquanto manteve contatos com personalidades internacionais da política e da realeza e empresários, como o trilionário Elon Musk, o próprio presidente americano Donald Trump e o magnata Bill Gates.

Preso em 2019, o multimilionário americano foi encontrado morto um mês depois em uma cela em Nova York. O caso, classificado como suicídio, alimentou especulações e teorias da conspiração. Algumas delas seriam que Epstein teria, a serviço da inteligência israelense ou russa, reunido material comprometedor sobre pessoas influentes a fim de chantageá-las.

ra (AFP, Reuters, ots)

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