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Advogado de Adélio rebate Aras: "Julgamento acabou"

Para Zanone Manuel de Oliveira Júnior, não há mais possibilidade de recurso no caso, que já transitou em julgado; ao 'Estado', novo PGR diz que pretende buscar a 'verdade real' sobre o atentado

2 out 2019
15h56
atualizado às 16h12
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O advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, responsável pela defesa de Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada contra o presidente Jair Bolsonaro, disse nesta quarta-feira, 2, que a tentativa de ressuscitar o caso de seu cliente é algo tardio pois o julgamento de Adélio já transitou em julgado, ou seja, esgotou todas as possibilidades de recurso.

Adélio Bispo de Oliveira é escoltado para prisão federal em Campo Grande
08/09/2019 REUTERS/Ricardo Moraes
Adélio Bispo de Oliveira é escoltado para prisão federal em Campo Grande 08/09/2019 REUTERS/Ricardo Moraes
Foto: Reuters

Na semana passada Bolsonaro designou o advogado Frederik Wassef, que também defende o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) no caso das movimentações financeiras atípicas de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, para ser assistente de acusação no caso.

Em entrevista ao Estado o procurador-geral da República, Augusto Aras, disse que pretende buscar a "verdade real" sobre a facada e que "não parece crível" a conclusão da Polícia Federal der que Adélio agiu durante um surto.

"Pena que ele (Wassef) chegou tarde. Já transitou em julgado. O julgamento do Adélio acabou. Aquilo ali nunca mais. Talvez na próxima encarnação", disse Zanone.

Segundo o advogado, existe interesse político do presidente em manter o caso Adélio em evidência. "A participação do novo advogado é absolutamente legítima. A gente já percebeu que é politicamente conveniente que este assunto não morra", afirmou.

Para Wassef, Adélio é um "assassino profissional" que foi contratado para matar o então candidato a presidente. Nem ele nem Aras apresentaram indícios que justifiquem discordar das conclusões da Polícia Federal.

Em entrevista ao Estado, Wassef politizou o caso ao cobrar o mesmo destaque dado ao assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), morta a tiros em 2018 no Rio de Janeiro.

Em 2018, a PF concluiu que o autor da facada agiu sozinho. Segundo a Justiça Federal em Juiz de fora (MG), Adélio é inimputável por sofrer de distúrbios mentais. Bolsonaro e o Ministério Público Federal optaram por não recorrer da decisão. Dentro de três anos o autor da facada será submetido a nova perícia. Segundo o advogado, se for constatado que ele está são, Adélio pode ser libertado.

Julgamento no TRF-1

Nesta quarta-feira, 2, Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1) deve julgar a liminar concedida em favor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que proíbe a perícia no celular de Zanone aprendido pela PF no ano passado.

A OAB argumenta que a apreensão fere a prerrogativa profissional que garante sigilo entre advogado e cliente. O caso levou Bolsonaro a fazer ataques contra o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, alvo de insinuações do presidente sobre a morte de seu pai, Fernando Santa Cruz, desaparecido durante a ditadura militar depois de ser preso por agentes do DOI-CODI no Rio de Janeiro, em 1972.

Para Zanone, o julgamento da liminar é importante para evitar que se abra um precedente em relação às prerrogativas dos advogados mas não por causa do conteúdo de seu celular. "O problema dessa quebra não é ter aceso aos dados, é a violação contra as prerrogativas da advocacia que pode ser um precedente perigoso", afirmou.

Zanone acredita que seu celular já foi periciado - até porque a liminar em favor da OAB saiu semanas depois da apreensão do aparelho - e que ele próprio e sua família são alvo de investigações doa órgãos de segurança do governo. "Eles estão tentando ver se tem um mandante e é legítimo. Mas você acha que a PF, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), a inteligência do Exército não estão todo mundo me monitorando desde o primeiro dia, monitorando meus parentes, meu sigilo fiscal, meu sigilo sexual, tudo, até o útero da minha mãe?", disse o advogado.

Zanone disse que foi contratado por uma pessoa que ele não quer identificar para fazer a defesa de Adélio. Pessoas próximas desconfiam que o advogado, na verdade, decidiu entrar no caso por conta própria para aproveitar a visibilidade que o julgamento poderia lhe dar.

Segundo ele, o suposto contratante não entrou mais em contato. "Não tive mais acesso à pessoa que me contratou", afirmou.

Estadão
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