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A vulnerabilidade dos sistemas de navegação em tempos de guerra

19 mar 2026 - 18h01
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Dos mapas em smartphones às armas de precisão, a navegação por satélite é fundamental para a vida moderna e para a guerra. Mas sistemas são alvos fáceis de interrupções e ataques.Quem já usou um sistema de navegação no smartphone ou acompanhou um veículo de entrega se movendo em um aplicativo de rastreamento, já utilizou o GPS.

Os satélites de posicionamento global tornaram-se "bastante vulneráveis" à medida que passamos a depender mais deles
Os satélites de posicionamento global tornaram-se "bastante vulneráveis" à medida que passamos a depender mais deles
Foto: DW / Deutsche Welle

O que muitas pessoas não percebem é que o GPS - o Sistema de Posicionamento Global dos EUA - é apenas uma parte de uma família mais ampla conhecida como Sistemas Globais de Navegação por Satélite (GNSS, na sigla em inglês).

Quatro sistemas globais de satélites orbitam a Terra. Eles orientam aviões, navios, carros e caminhões, além de turistas procurando um lugar para comer. Mas também desempenham um papel central na guerra.

Como os satélites dizem onde você está?

Na essência, a navegação por satélite é uma questão de tempo. Os satélites GNSS carregam relógios atômicos extremamente precisos e transmitem constantemente duas informações-chave: sua posição exata na órbita e o momento exato em que o sinal foi enviado.

Enquanto isso, na Terra, receptores - como o seu smartphone, carro, scooter, ou um avião ou navio - captam esses sinais para determinar sua posição exata.

Eles fazem isso usando sinais de quatro satélites, fornecendo dados sobre latitude, longitude e altitude - além de um sinal adicional para corrigir possíveis erros de tempo.

A tecnologia GNSS é altamente precisa e rápida e está profundamente integrada à vida cotidiana. Mas também traz uma fragilidade oculta. "Os sinais dos Sistemas Globais de Navegação por Satélite são bastante vulneráveis", explica Dana Goward, presidente da Fundação de Navegação e Tempo Resilientes (Resilient Navigation and Timing Foundation), organização científica sediada nos EUA.

"Eles são excepcionalmente fracos - o que faz com que qualquer ruído de rádio próximo à sua frequência, acidental ou malicioso, possa interferir na recepção", sublinha Goward. "Tenho certeza de que existem pessoas em todos os governos que entendem o problema. O desafio é fazer com que a liderança compreenda e aja para reduzir o risco."

Quatro potências de navegação global

Os dois primeiros sistemas globais de navegação foram desenvolvidos nos anos 1970, durante a Guerra Fria entre os Estados Unidos e a então União Soviética.

Os EUA desenvolveram o GPS, que se tornou a primeira rede de navegação por satélite a alcançar cobertura global completa. É o sistema de navegação mais utilizado no mundo.

Mais ou menos na mesma época, a Rússia soviética desenvolveu o GLONASS.

Depois, no início dos anos 2000, quando a União Europeia decidiu que depender exclusivamente do GPS deixava a Europa excessivamente dependente da infraestrutura estratégica dos EUA, começou a construir o sistema Galileo.

O sistema BeiDou da China é o mais novo dos quatro. Assim como na Europa, os estrategistas militares chineses queriam reduzir sua dependência do GPS dos EUA.

Os quatro sistemas são muito semelhantes e têm "uso dual" - projetados tanto para finalidades civis quanto militares.

"GPS, GLONASS e Galileo usam órbitas muito semelhantes, com um número similar de satélites entre cerca de 19 mil e 23 mil quilômetros de altitude", explicou Malcolm Macdonald, professor de engenharia de satélites da Universidade de Strathclyde, em Glasgow, Escócia. "O BeiDou complementa seu sistema com órbitas de maior altitude para oferecer cobertura local na Ásia."

Cada sistema pode enviar sinais para qualquer ponto da Terra a qualquer momento, mesmo que seja algo tão pequeno quanto um relógio de pulso. "A maioria dos dispositivos usa múltiplas constelações [de satélites]. Isso depende do dispositivo - por exemplo, meu próprio smartwatch pode usar GPS e GLONASS, e eu posso configurá‑lo para usar um ou outro, ou ambos."

O Japão e a Índia possuem e operam sistemas semelhantes, mas os deles não cobrem todo o planeta. Eles fornecem apenas dados de navegação regionais.

Como é o uso na guerra

Cada vez mais, as forças armadas dependem da navegação por satélite para logística, mapeamento e planejamento operacional. Os sistemas são usados para guiar armas, incluindo mísseis de cruzeiro e as chamadas bombas inteligentes. Os militares também usam satélites de navegação para controlar drones.

Mas isso fez dos satélites um alvo em si mesmos. Em conflitos, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, ambos os lados utilizaram táticas de guerra eletrônica, como o jamming (ou bloqueio de sinal), que interfere nos sinais de navegação por satélite interrompendo sua transmissão, e o spoofing, que engana sistemas baseados em GPS no solo.

O spoofing é mais difícil do que o jamming, mas oferece a oportunidade de confundir o inimigo. "Seu sistema de navegação pode estar dizendo que você está se movendo a 400 nós e deixando o aeroporto de Helsinque, quando na realidade você está em um carro viajando a 120 km/h nos arredores de Berlim", afirma Thomas Withington, analista de guerra eletrônica do Royal United Services Institute, do Reino Unido.

A técnica pode ser usada para esconder a localização, por exemplo, de uma frota fantasma russa que tenta atravessar determinada região sem ser detectada. "Ela também tem sido usada para injetar pequenos erros na localização de um navio enquanto ele atravessa o Estreito de Ormuz, o que faz com que o navio entre, por engano, em águas territoriais de um país, permitindo que esse país o aborde e o leve para a costa por entrada ilegal", diz Macdonald.

Goward afirma que isso pode ser uma ameaça maior para a Europa e os EUA do que para a Rússia e a China, porque enquanto Rússia e China possuem "sistemas terrestres domésticos para complementar e dar suporte ao GNSS, o Ocidente não tem".

E o "mais frustrante", diz Withington, é que não existe uma tecnologia única que neutralize de forma eficaz os problemas causados pela interrupção do GNSS.

Existem tentativas de desenvolver alternativas tecnológicas ao GNSS. Mas, por enquanto, segundo Withington, uma das opções "mais imediatas" em tempos de guerra é "simplesmente localizar o aparelho de jamming e destruí-lo".

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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