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Walewska diz adeus após 30 anos de vôlei: "Carreira de ouro"

Ex-atleta cobra CBV e pede renovação na Seleção, além de mais atenção às mulheres

20 mai 2022 05h00
| atualizado às 08h02
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Walewska também teve experiências no voleibol da Itália, Espanha e Rússia
Walewska também teve experiências no voleibol da Itália, Espanha e Rússia
Foto: Divulgação

Walewska OIiveira tinha apenas 12 anos quando realizou seu primeiro teste, no Minas Tênis Clube. A então garota não imaginava, nem nos seus melhores sonhos que 30 anos depois se aposentaria com diversos títulos no currículo e com o nome gravado na história do vôlei brasileiro.

O adeus veio com o vice-campeonato da Superliga 2021/2022 pelo Praia Clube, derrotado justamente pelo clube no qual iniciou a carreira. “A minha carreira foi de muitas vitórias e muito sucesso, então não ter levantado o troféu que eu gostaria para o Praia no último ano, não apaga nada do que aconteceu. A minha carreira foi de ouro, então não posso reclamar de não ter acontecido algo que eu almejava”, conta a atleta, que soma 20 medalhas e três participações em Olimpíadas, incluindo a conquista de ouro em Pequim 2008.

Acostumada a rotina de treinos e competições, a central vai ter que aprender uma nova função: organizar o tempo livre. “A minha ficha ainda não caiu porque hoje eu tenho tempo e tempo é uma coisa que eu nunca tive, então organizar esse tempo eu acho que a coisa que mais está me dando prazer na vida hoje”, destaca.

Depois que conseguir respirar, a ex-atleta quer estudar e ficar mais presente com a família, algo que começou a valorizar mais durante a pandemia de covid-19, em 2020. A parada repentina e a incerteza do futuro do esporte a fizeram parar para pensar em si mesma, e começar a desenhar a aposentadoria.

“Quando você começa a prestar atenção fora do vôlei e essas coisas começam a realmente te fazer falta, a te interessar mais, eu acho que é o momento”, explica.

Nestes quase dois anos entre cogitar a parada e enfim se despedir das quadras, Walewska conseguiu reviver momentos, revisitar lugares e se despedir de todos nos últimos jogos. Tudo num processo natural e gratificante.

Para eternizar os 30 anos de carreira, a produção da ex-jogadora está preparando um documentário, que deve contar com depoimentos de personalidades do vôlei brasileiro e pessoas importantes que passaram na vida de Walewska. "Estão trazendo um turbilhão de emoções”, garante.

Dentro de algumas semanas, teasers do documentário serão divulgados nas redes sociais A estreia acontecerá em seu canal do YouTube, mas ainda sem data revelada.

O futuro do vôlei no Brasil

Walewska OIiveira tinha apenas 12 anos quando realizou seu primeiro teste
Walewska OIiveira tinha apenas 12 anos quando realizou seu primeiro teste
Foto: CBV/Divulgação

Com passagens vitoriosas pelos principais clubes do País e experiências no voleibol da Itália, Espanha e Rússia, Walewska reconhece que teve o privilégio de encerrar a carreira em um time com bastante estrutura como o Praia, mas lamenta a falta de patrocínios em outros, fato que levou muitas boas jogadores para o exterior. 

Ela também enfatiza que a renovação é um dos principais pontos que a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) precisa investir. "A gente depende muito dos resultados da Seleção, então a gente precisa investir em renovação. O masculino tem se renovado mais que o feminino. A gente ainda está dependendo de jogadoras que já não estão tão disponíveis para a Seleção e não vê outras pessoas assumindo essa posição. Então acho que a Confederação precisa realmente olhar mais para as seleções de base."

Outro ponto que Walewska destaca que sente falta na CBV é a participação das atletas nas decisões da instituição. "Eu gostaria muito de ver as atletas mais ativas, eu acho que os homens são mais ativos dentro da CBV e o vôlei feminino não é tão presente. Têm muitas coisas que a CBV pode melhorar em organização e que deveriam, talvez, perguntar ao vôlei feminino se isso é bom também para as jogadoras. Muitas decisões são tomadas pelos organizadores que a gente não é acessada, não temos esse voto”, lamenta.

Apesar dos pontos importantes que precisam de melhoras, a herança deixada por Walewska deve seguir para as próximas gerações, com muitas novidades para o novo ciclo do vôlei feminino. "Eu tô muito animada pelo que tem pela frente", confessa a agora ex-atleta.

Papo de Mina
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