PNAD 2024 sobre lares brasileiros exclui pessoas com deficiência e acessibilidade
Pesquisa apresentada nesta sexta-feira, 22, mostra características de domicílios e seus habitantes no País. Questionado pelo blog Vencer Limites, o IBGE argumenta que a "PNAD Contínua tem módulo dedicado ao tema da deficiência, divulgado em 2023, sem previsão para a próxima edição".
A 'PNAD Contínua: Características gerais dos domicílios e dos moradores (2024)', apresentada nesta sexta-feira, 22, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não tem nenhum dado sobre pessoas com deficiência ou acessibilidade.
O estudo reúne informações a respeito da nossa população, com recortes sobre sexo, idade, cor, raça e unidades domésticas, tipo e condição do domicílio, material das paredes, piso, telhado, saneamento básico, energia elétrica e bens, no Brasil, grandes regiões, unidades da federação, áreas metropolitanas e municípios.
O blog Vencer Limites questionou o IBGE. "A PNAD Contínua tem vários módulos temáticos, divulgados separadamente, com diferentes desagregações. Um desses módulos é dedicado ao tema da deficiência, tendo sido divulgado em 2023. Não temos informações sobre a próxima edição", respondeu o órgão.
Invisível - Pessoas com deficiência estão em todas as camadas sociais, cidades, etnias, gêneros, identidades sexuais, idades e outros grupos. Por isso, gente com deficiência deveria fazer parte de todos os estudos a respeito dos lares brasileiros.
Essa ausência e a construção desse cenário apenas em estudo temático fortalecem a invisibilidade.
Tivemos recentemente a atualização pelo próprio IBGE do tamanho oficial da nossa população com deficiência. Segundo resultado do Censo 2022 divulgado em maio de 2025, são 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, considerando dificuldades permanentes de visão, audição, mobilidade, coordenação motora fina e funções mentais, além de 2,4 milhões de autistas com diagnóstico confirmado.
"A inclusão do quesito específico sobre autismo no questionário do Censo Demográfico 2022 foi determinada pela Lei nº 13.861, de 18.07.2019, que alterou a Lei nº 7.853, de 24.10.1989, para 'incluir as especificidades inerentes ao transtorno do espectro autista (TEA), nos censos demográficos'. O IBGE cumpriu as determinações legais. Isso não implica em exclusões ou hierarquizações. Lembramos que um grande número de autistas também pode estar enumerado entre as pessoas que o Censo 2022 contabilizou com 'dificuldade permanente para se comunicar, realizar cuidados pessoais, trabalhar ou estudar por causa de alguma limitação nas funções mentais' e, consequentemente, entre as 14,4 milhões de pessoas com deficiência do País", declarou o Instituto na época.