Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mãe de Miguel diz que ainda não conseguiu viver luto do filho: 'Só quando Sarí estiver presa'

Três anos depois, condenada por morte de filho da então empregada doméstica segue em liberdade

2 out 2023 - 12h21
(atualizado às 13h44)
Compartilhar
Exibir comentários
Mirtes Renata durante participação no Encontro
Mirtes Renata durante participação no Encontro
Foto: Reprodução/TV Globo

Mirtes Renata, mãe de Miguel, que morreu após cair do 9º andar de um prédio em Recife, em junho de 2020, afirmou que ainda não conseguiu viver o luto pela perda do filho de 5 anos, já que ainda espera por justiça. A criança sofreu o acidente após ficar aos cuidados da patroa de Mirtes, Sarí Corte Real, para quem ela trabalhava como empregada doméstica. 

"Até hoje eu não vivi o luto pela morte do meu filho. Eu não consegui parar para viver esse luto. Vou conseguir quando a Justiça for feita, quando Sarí Corte Real tiver presa. Eu sei que não vai trazer meu filho de volta, mas vai me dar a sensação de missão cumprida. Minha missão de mãe foi cumprida. E aí eu vou poder parar e viver o luto pela morte dele", disse Mirtes em entrevista ao programa Encontro, da TV Globo, nesta segunda-feira, 2. 

Apesar do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região ter condenado Sarí e o marido dela, Sérgio Hacker Corte Real, a indenizar a família de Miguel em R$ 2.010.000, a ex-patroa de Mirtes segue solta. No dia em que Miguel morreu, a então empregada doméstica foi incumbida de passear com o cachorro da então patroa, enquanto Sarí fazia as unhas.

A empregadora, então, ficou com Miguel, mas o garoto pedia pela mãe. Sarí, com a manicure em casa e sem paciência, colocou o garoto no elevador do prédio e apertou o botão do nono andar. Sozinho, o menino chegou a uma área de maquinaria e caiu de uma altura de mais de 35 metros. Miguel chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

Vídeos e fotos comprovaram que Sari, ao permitir a presença de Miguel no trabalho da mãe, assumiu a responsabilidade pelos cuidados da criança
Vídeos e fotos comprovaram que Sari, ao permitir a presença de Miguel no trabalho da mãe, assumiu a responsabilidade pelos cuidados da criança
Foto: Reprodução/Redes Sociais

"Quando eu soube da notícia que ela ia fazer faculdade, me soou como impunidade. Foi sensação de impunidade que ela tem a partir do momento que ela faz vestibular, passa e se matricula para fazer um curso de Medicina. Que ela disse em grupo que faz Medicina por amor. Enquanto eu faço Direito por necessidade. Necessidade de entender sobre o caso do meu filho e necessidade de me formar e ajudar outras mães a não passar o que eu passo hoje", disse Mirtes à TV Globo.

Em seguida, ela acrescentou: "Todo dia fico nessa ansiedade. Que saia a decisão de que Sarí vai ser presa. Não só a sentença, não só a condenação, mas que ela realmente seja presa. Porque ela cometeu um crime. A partir do momento que saia essa sentença, ela é realmente culpada pela morte do meu filho". 

Mirtes também expressou a convicção de que a influência exercida pela família Corte-Real tem representado um obstáculo significativo para o progresso do caso ocorrido em Recife. De acordo com ela, "em Pernambuco, a Justiça pela morte do meu filho não vai ser feita. Pelo fato de ser uma família rica e influente. Só vai quando for para outras instâncias: STJ ou STF". 

A mãe de Miguel também destaca que sua batalha pode servir de inspiração para outras pessoas que buscam justiça. Ela compara o caso de Miguel com outros incidentes envolvendo crianças negras, observando que, embora o processo do ocorrido com o filho tenha progredido relativamente rápido, casos de crianças brancas, muitas vezes, são resolvidos de forma mais ágil.

"É mais uma questão de incentivo. Das pessoas continuarem lutando. Mostrando que a partir do momento em que você está lutando, insistindo, você consegue. Comparado a outros casos de crianças negras, o caso do Miguel até que andou rápido. Casos de crianças brancas, a gente sabe como é. Tem caso de criança que se resolveu em um ano. E o caso do Miguel passou de três anos", destacou.

Além disso, Mirtes relembra que, quando Miguel faleceu, ela e sua mãe estavam trabalhando em desacordo com as diretrizes do governo durante a pandemia. Isso ocorreu em junho de 2020, durante o auge da pandemia no Brasil e o período de lockdown imposto.

Ela menciona que, mesmo diante das restrições, elas eram obrigadas a trabalhar e não podiam sair de casa para se protegerem do vírus, enquanto os ex-patrões saíam frequentemente. "Só empregada doméstica traz o vírus? Eu me contaminei com o vírus, eu tive covid, porque o Sérgio vivia saindo", acrescentou.

Fonte: Redação Terra
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade