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Como livros sobre amor entre mulheres saíram de 'fanfics e manuscritos recusados' a bestsellers?

'Produção de romances sáficos sempre existiu (em caderninhos que nunca viram a luz do dia), mas o mercado tem se mostrado mais aberto agora', diz especialista; entenda

29 ago 2023 - 11h57
(atualizado às 13h45)
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Nos últimos cinco anos, as redes sociais abriram espaço para um gênero da literatura que, anteriormente, só teria possibilidade de publicação em fanfics: os romances sáficos. Histórias de amor entre mulheres lésbicas ou bissexuais estão entre as principais buscas de leitores do Booktok.

Divulgação/ Paralela/ Companhia das Letras
Divulgação/ Paralela/ Companhia das Letras
Foto: Divulgação/ Paralela/ Companhia das Letras / Estadão

Entre os usuários que consomem conteúdos sobre livros no Tiktok, são mais de 26 milhões de visualizações na tag romance sáfico, 11 milhões em livro sáfico, 966 mil em romance sáfico nacional e por aí vai.

O termo "sáfica" deriva da poeta grega Safo, que há mais de 2.500 anos cantou o amor entre mulheres. Os sete maridos de Evelyn Hugo, da escritora americana Taylor Jenkins Reid, foi o terceiro livro de ficção mais vendido no Brasil em 2021.

"O audiovisual brasileiro é extremamente conservador e pretende agradar muitas pessoas ao mesmo tempo, o que acaba silenciando as camadas mais vulneráveis da nossa sociedade. Dessa forma, a representação LGBTQIAP+ fica restrita ao cinema de arte e ao circuito nichado, algo que, para mim, também está longe do ideal. Eu quero contar histórias leves, divertidas, pop, que cheguem às massas. E foi através da literatura que encontrei essa forma de me expressar", explica.

Já Clara Alves comenta que Conectadas surgiu não só da necessidade de se enxergar em uma história, mas também de um processo de autoconhecimento. "Eu queria me entender. Me sentia pronta para lidar com alguns medos, tocar na ferida e, enfim, tentar me aceitar. Sinto que é por isso que tocou tanta gente: é uma história íntima e honesta".

Na trama de Conectadas, as personagens Raíssa e Ayla se conheceram jogando Feéricos. Ayla sente que, com Raíssa, finalmente pode ser ela mesma. Raíssa, por sua vez, encontra em Ayla uma conexão que nunca teve com ninguém. Só tem um "pequeno" problema: Raíssa joga com um avatar masculino, então Ayla não sabe que está conversando com outra menina. No entanto, com o anúncio da primeira feira do jogo em São Paulo, esse encontro pode acontecer. Será que esse romance on-line conseguirá sobreviver à vida real?.

Jornalistas lésbicas que estão dominando as telas Jornalistas lésbicas que estão dominando as telas

Conquistas e Desafios

Para Bia e Clara, além da representatividade, as produções sobre romances sáficos oferecem a possibilidade de retratar o amor sob a ótica da esperança e conquista, não apenas através da dor e preconceito, o que, por muito tempo, foi o único retrato possível para personagens LGBT+.

"Escrever essas histórias é mostrar que ser uma garota que ama garotas pode ser difícil, sim, mas não é errado. Que nós também merecemos um conto de fadas. Que podemos encontrar uma 'princesa' no caminho e sermos felizes para sempre. Escrever histórias com protagonismo sáfico é mais do que uma resistência: é plantar a esperança de uma vida feliz. E não é a esperança, afinal, que nos move todos os dias?", diz Clara.

Conectadas
Conectadas
Foto: Divulgação/ Companhia das Letras / Estadão

No entanto, ainda que o mercado editorial esteja mais receptivo a essas histórias, não significa que o ingresso de novas autoras seja, necessariamente, fácil. Miriam diz que: "Em um mercado saturado de grandes nomes, a opção da autopublicação se torna a única e, por vezes, é um processo muito solitário, já que depois de finalizado e lançado, todo o esforço para tornar a obra conhecida está por conta própria do autor. O acesso às grandes editoras é muito mais difícil quando você é um escritor ainda desconhecido".

Outro desafio passa por uma esfera ainda mais difícil: o machismo. Isso porque, Fernanda, da Companhia das Letras, reitera que o protagonismo masculino ainda é "socialmente mais aceitável". "A nossa sociedade tende a incentivar o confronto e a rivalidade entre mulheres - ainda hoje, algumas das cenas mais populares em novelas envolvem brigas e tapas trocados por mulheres. Por isso eu acho que querer consumir, acompanhar, ver, ler e torcer por um romance entre mulheres é duplamente ousado, duplamente transgressor, e portanto há mais resistência", conclui.

Estadão
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