Após determinação da Justiça, argentina acusada de injúria racial volta ao seu país: ‘Me arrependo de ter reagido mal’
Agostina Páez chegou em Buenos Aires, capital argentina, nesta quarta-feira e disse que se arrepende
A turista argentina Agostina Páez, ré por injúria racial, foi autorizada pela Justiça do Rio de Janeiro a voltar para seu país de origem mediante ao pagamento de caução equivalente a 60 salários mínimos, pouco mais de R$ 97 mil. Ela chegou ao país nesta quarta-feira, 1º.
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“Foi um calvário, um verdadeiro calvário. Mas esse pesadelo acabou. Me arrependo de ter reagido mal. Apesar do contexto e de tudo, me arrependo da forma como reagi. Mas agora estou aqui, me sinto mais segura", afirmou à imprensa ao desembarcar em Buenos Aires.
A decisão de liberdade condicional é do desembargador Luciano Silva Barreto, relator do caso na 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que será submetida ao colegiado. Além do caução, Agostina também deverá manter seus endereços e contatos atualizados.
A aceitação do pedido de revogação das medidas cautelares foi condicionada ao pagamento de um caução correspondente a 50% das indenizações requeridas pelos três funcionários do bar — fixadas em 120 salários-mínimos para cada, totalizando R$ 194.520. A quantia é a garantia de pagamento de eventual reparação às vítimas.
Apesar da condição, o Ministério Público reforçou que o crime de racismo é inafiançável e que a reparação mínima final será definida em sentença. O Terra procurou a defesa da turista argentina, mas não teve retorno até o momento.
Relembre o caso
O crime ocorreu em 14 de janeiro, quando funcionários de um estabelecimento relataram terem sido alvo de insultos raciais durante uma discussão sobre o pagamento da conta. Segundo as investigações, a turista apontou o dedo para um funcionário, utilizou o termo “negro” de forma pejorativa e imitou gestos e sons de macaco.
As ações foram registradas em vídeo pelas vítimas e confirmadas pela Polícia Civil após análise das câmeras de segurança do local. Agostina prestou depoimento três dias após o ocorrido, ocasião em que teve o passaporte apreendido.
"Ao longo da apuração, agentes realizaram diligências, ouviram testemunhas e reuniram elementos probatórios que permitiram esclarecer completamente a dinâmica dos fatos", informou a polícia em nota.
Antes da ordem de prisão, Agostina publicou um vídeo nas redes sociais afirmando estar "morta de medo" e emocionalmente abalada. "Neste momento, recebi a notificação de que há uma ordem de prisão preventiva para mim por risco de fuga, sendo que tenho uma tornozeleira eletrônica e estou à disposição da Justiça desde o primeiro dia. [...] Estou desesperada e morta de medo", declarou.
Em entrevista no consulado no último dia 25, a argentina afirmou ter pedido desculpas aos funcionários durante o processo.

