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Hillary pretende apoiar abolição do Colégio Eleitoral

Sábado, 11 de novembro de 2000, 00h40min
A primeira-dama e senadora eleita por Nova York, Hillary Rodham Clinton, iniciou a nova fase de sua carreira política abraçando uma causa controvertida. Em visita a Albany, a capital do estado, ela anunciou que, tão logo tome posse, em janeiro próximo, pretende co-patrocinar projeto de lei de um deputado norvaiorquino, Michael McNulty, que propõe a abolição do Colégio Eleitoral.

O sistema indireto de escolha do líder da nação foi concebido pelos seus fundadores, há mais de dois séculos, para evitar que o presidente fosse eleito diretamente pela "plebe" e preservar a reprentatividade dos estados e o equilíbrio entre os poderes na república nascente. A proposta de emenda constitucional de McNulty estabeleceria o sistema de eleição direta para presidente dos Estados Unidos.

"Somos um país muito diferente do que éramos 200 anos atrás" justificou Hillary. Ela afirmou que a vontade do povo deve ser respeitada com base no princípio básico da democracia, segundo o qual cada cidadão tem um voto e este tem peso idêntico ao voto de qualquer outro cidadão.

Não é assim no colégio eleitoral. Formado por 538 "grandes eleitores" escolhidos a partir de listas apresentadas pelos candidatos em cada um dos 50 estados e pelo Distrito de Colúmbia ele se reúne um mês depois da votação popular para oficializar a decisão. Em 50 das 54 eleições presidenciais realizadas nos EUA, o resultado da eleição popular direta foi refletido pelo Colégio Eleitoral, ou seja, o mesmo candidato venceu ambos os pleitos.

Com exceção de Nebraska e Maine, o ganhador da votação direta em cada estado recebe todos os votos eleitorais. Estes correspondendem à soma do número de deputados (proporcional à população) e de senadores (dois) de cada estado.

Pelos resultados ainda provisórios do apertadíssimo pleito desta semana, o vice-presidente Albert Gore ganhou a votação popular mas provavelmente perderá a eleição para seu rival republicano na Casa Branca, o governador do Texas, George W. Bush, dependendo ainda da recontagem dos votos na Flórida. Gore é um defensor do Colégio Eleitoral. No final da campanha, quando parecia que ele perderia a briga pelos votos para Bush, sua estratégia de campanha foi toda montada em função de alcançar a maioria necessária de 270 votos no colégio eleitoral. Na quarta-feira, ele disse que o sistema previsto pela Constituição deve ser respeitado.

Como a inciativa de Hillary mostra, a não coincidência da votação popular com os votos do Colégio Eleitoral este ano redespertou uma velha discussão sobre a necessidade de reformar o sistema. Mas é uma discussão sem futuro.

Qualquer nova proposta para abolir o Colégio Eleitoral parece fadada a ter o mesmo destino das mais de 700 tentativas semelhantes feitas no passado. A razão é que, para se reformar a Constituição norte-americana, é necessária maioria de dois terços no Congresso e a ratificação de dois terços dos estados.

Isso nunca ocorrerá porque os estados menos populosos, que tem um peso relativo maior no Colégio Eleitoral e querem preservá-lo são mais numerosos do que os estados grandes, como a Califórnia e Nova York, que seriam importantes sob qualquer sistema, e têm os votos suficientes para travar qualquer proposta nesse sentido.

Se a vitória de Bush for confirmada na Flórida, garantindo-lhe a maioria no Colégio Eleitoral, e Gore terminar na frente da apuração da votação popular, depois da apuração dos mais de 2 milhões de votos por correspondência ainda não contabilizados, o vice-presidente terá pelo menos um consolo, que pode ser também um estímulo para não desistir de seu sonho de chegar à Casa Branca. Os três presidentes eleitos sem a maioria dos votos da "plebe" - John Quincy Adams, em 1824, Rutherford B. Hayes, em 1876, e Benjamin Harrison, em 1888, governaram por apenas um mandato. E dois deles, Adams e Harrison, não sobreviveram à revanche de seus rivais de quatro anos antes, ao tentar a reeleição.

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Agência Estado

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