Por ter buscado, com a melhor intenção, tornar mais legíveis as cédulas de votação para os milhares de anciãos residentes no rico condado de Palm Beach, Flórida, uma funcionária está hoje no olho de um furacão político-eleitoral sem precedentes na história dos Estados Unidos.
A diretora de Serviços Eleitorais do condado - onde o Partido Democrata do vice-presidente Al Gore tem maioria -, Theresa LePore, tomou a iniciativa de redesenhar a cédula para as eleições da última terça-feira, com o objetivo de facilitar a votação de milhares de aposentados. Ao perceber que tornando maiores os caracteres com os nomes dos candidatos eles não caberiam numa única coluna, LePore decidiu separá-los em duas colunas e deixar no meio o espaço que os eleitores deveriam perfurar para indicar a preferência.O condado contabilizou 432.695 votos que não tiveram nenhum tipo de problema, dos quais 269.696 (62%) para Gore, e 152.954 (36%) para o republicano George W. Bush. Mas, aparentemente cerca de 20.000 eleitores se confundiram e mais de 2 mil votaram no ultraconservador Patrick Buchanan ao invés de Gore, enquanto outras 19.000 cédulas foram anuladas por apresentar perfurações para dois candidatos.
Quis o destino que a eleição se decidisse no pequeno condado da Flórida, já que o número de cédulas questionadas é bem maior do que a pequena diferença (cerca de 300 votos) que até agora está dando a Bush a vitória no estado e a presidência do país.
Milhares de eleitores frustrados protestam há dois dias em West Palm Beach denunciando que não queriam votar em Buchanan. Os democratas declaram que a cédula é ilegal porque a lei do Estado estabelece que o espaço para marcar a preferência esteja à direita do nome do candidato e não no centro (à direita de Bush e Gore, mas à esquerda de Buchanan). Os republicanos responderam que o desenho da cédula foi submetido aos partidos com antecedência, aprovado por todos os partidos e suficientemente divulgado sem que ninguém apresentasse nenhuma queixa antes da eleição.