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Dia do Trabalho: como a indústria automotiva forjou a mão de obra brasileira

Desde a década de 1950, o setor automotivo foi pioneiro em tecnologias e no treinamento de profissionais

3 mai 2026 - 11h06
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O Dia do Trabalho, celebrado em primeiro de maio, é uma data marcada pela luta dos trabalhadores por melhores condições. Mas é também um momento importante para entender como a indústria contribui para o desenvolvimento do país. E, em especial, como o setor automotivo ajudou a forjar a mão de obra brasileira.

O principal marco no estabelecimento da indústria automotiva no Brasil veio em junho de 1956, quando o então presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976) assinou um decreto criando o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA). O documento estabeleceu normas e criou incentivos para que as indústrias se instalassem no país.

Existiam outras iniciativas anteriores. A americana Ford foi pioneira na produção de veículos no Brasil. Chegou em 1919 e instalou sua planta para montar o modelo T e o caminhão TT. A Chevrolet chegou alguns anos depois, em 1925. Ambas montavam os veículos a partir de peças importadas. Na década de 1950, pouco antes da criação do GEIA, a alemã Volkswagen também veio para o país. Começou a produção com a Kombi, em 1957.

Parte desse aprendizado teórico foi estabelecido graças a uma parceria de longa data entre o setor e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Criado em 1942, o Senai tem como objetivo desenvolver a base da formação profissional dos trabalhadores da indústria.

Até hoje, tem papel fundamental na qualificação desses profissionais. Em fevereiro deste ano, por exemplo, o Senai anunciou que vai destinar R$ 1,3 bilhão do programa Mover para setor automotivo até 2029. Os recursos serão usados para qualificação, consultorias, pesquisa e desenvolvimento, centros de competência e parcerias internacionais. É uma prova dessa parceria que vigora até hoje.

O desenvolvimento do setor também está relacionado ao foco no modelo rodoviário de transporte adotado pelo governo de Juscelino Kubitschek. A indústria automotiva tornou-se um motor do desenvolvimento e da expansão territorial. Os carros e caminhões ajudaram a conectar diferentes pontos do Brasil.

Com as bases estabelecidas nos anos 1950, a indústria continuou a se desenvolver. Nas décadas seguintes, diversas outras marcas vieram para cá. Algumas continuam até hoje, como a Fiat, Citroën, Peugeot e Toyota, por exemplo. Outras não continuaram - caso da brasileira Gurgel.

A crise do petróleo fez com que o setor desenvolvesse a pioneira tecnologia dos motores movidos a etanol. O primeiro modelo a usar álcool como combustível foi o Fiat 147, lançado em 1979.

O avanço das tecnologias fabris novamente colocaram o setor em evidência nos anos seguintes. A indústria automotiva adotou práticas e tecnologias em larga escala e influenciou outros setores. "Ela direcionou o comportamento da produção industrial no Brasil dando subsídios ao trabalho com qualidade em produtos, processos, estabelecimento de cadeia de fornecedores, volume de produção e, por vezes, até conseguir preparar a indústria para a exportação", diz Kalume Neto.

Agora, o mercado vive um novo momento de transformação com a chegada das novas fabricantes chinesas. "Essas empresas trouxeram velocidade, eletrificação, integração vertical na cadeia produtiva, utilização de software com baixos custos, diminuição dos preços de bateria, eletrônica embarcada, conectividade, ADAS e custo agressivo", afirma o consultor.

Nesse cenário de mudanças, novamente a indústria automotiva assume papel de destaque. Os novos métodos de produção servem de referência para a nova era da eletrificação dos veículos.

Mas também impõem um desafio. "O risco é o Brasil perder densidade industrial. Deve haver um cuidado especial com respeito a localização e montagem apenas superficial de produtos", alerta Kalume Neto. O país precisa assumir o protagonismo e tornar-se um formador e fornecedor de tecnologias - algo que já fez antes.

Estadão
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