Citroën 2CV renasce como elétrico e resgata visual clássico; confira
Conceito antecipa compacto de produção com pegada acessível e recupera elementos do desenho original
A Citroën resgatou o clássico 2CV como um conceito elétrico no Salão de Paris, antecipando um carro popular que deve chegar ao mercado em 2028 por menos de 15 mil euros. Baseado na plataforma E-Car da Stellantis e fabricado na Itália, o modelo une visual retrô e soluções funcionais, como bancos e rádio removíveis, teto de tecido e foco em leveza estrutural. Com 3,76 metros de comprimento, a novidade visa democratizar a mobilidade elétrica europeia e competir diretamente com rivais chineses.
O Citroën 2CV voltou ao Salão de Paris com a missão semelhante de tornar o automóvel mais acessível -- assim como o seu antecessor. Apresentada como conceito na edição de 2026, a releitura troca o motor a combustão pela propulsão elétrica e antecipa um compacto cuja meta é custar menos de 15 mil euros na Europa. O projeto faz parte da nova família de veículos de entrada da Stellantis, prevista para começar a chegar ao mercado em 2028.
O novo 2CV utilizará a plataforma E-Car, desenvolvida para pequenos elétricos de baixo custo. A confirmação foi feita pelo presidente da Citroën, Xavier Chardon, durante a apresentação do plano estratégico FaSTLAne 2030. Na ocasião, o executivo também estabeleceu o preço pretendido e a fabricação europeia como características do futuro modelo.
A Stellantis pretende iniciar a produção dos veículos desse programa em 2028, na unidade de Pomigliano d'Arco, na Itália. A arquitetura atenderá a diferentes marcas do grupo, com tecnologias desenvolvidas em colaboração com parceiros a fim de reduzir custos e acelerar os lançamentos.
O destaque fica para as rodas de aço de 18 polegadas. Pintadas de cinza-claro, elas reinterpretam as peças simples do modelo original e recebem pequenos apliques amarelos com a inscrição 2CV. Os pneus Michelin reforçam a proposta com logo de pegada retrô e chevrons nas laterais. É, bom destacar, um dos detalhes mais bem resolvidos do conceito, ao atualizar uma solução visual popular sem recorrer ao desenho elaborado das rodas de liga leve.
Interior do Citroën 2CV
Por dentro, o conceito explora um pouco mais as possibilidades. O painel convencional dá lugar a uma estrutura cilíndrica que reúne o volante de um só raio, os comandos e o seletor de marchas. As informações de condução aparecem no campo de visão do motorista, enquanto uma tela tátil de 8 polegadas tem formato quadrado e grafismos inspirados em histórias em quadrinhos (o fã de Alan Moore aqui agradece).
Os largos bancos têm a tecnologia Advanced Comfort e revestimento xadrez em tons de amarelo. O assento dianteiro pode ser retirado para uso fora do carro. A cabine também combina detalhes em bege com superfícies de textura inspirada em cestaria, mantendo a referência ao passado.
No lugar do console central, inclusive, há um cesto removível, e alças flexíveis fazem as vezes de maçanetas internas. Outra solução é o "Radioën", aparelho de rádio destacável que funciona como caixa de som portátil. O já mencionado teto de tecido amplia a abertura da cabine, em mais uma conexão com o 2CV original.
O conceito mede 3,76 metros de comprimento, pouco menos que o 2CV original, e antecipa um modelo que ficará entre Ami e C3 na gama europeia. A Citroën mira peso próximo de uma tonelada, o que permitirá utilizar uma bateria menor e mais barata, com autonomia voltada aos deslocamentos cotidianos.
A propulsão será totalmente elétrica, mas a fabricante ainda não divulga potência, torque, capacidade da bateria, autonomia ou potência de recarga. Também não detalha largura, altura, entre-eixos e, tampouco, volume do porta-malas.
A busca por leveza e simplicidade retoma os princípios do TPV, sigla em francês para "carro muito pequeno", que deu origem ao primeiro 2CV.
2CV: Salão de Paris e história
A relação com Paris vem de longe. Foi no tradicional salão da capital francesa, em 1948, que o 2CV original apareceu para o público. Seu desenvolvimento havia começado em 1936, mas a Segunda Guerra Mundial impediu a estreia prevista para 1939. A proposta era oferecer transporte econômico e confortável, com espaço para quatro pessoas e bagagem.
Quando entrou em produção, em 1949, o modelo tinha motor de dois cilindros opostos, refrigerado a ar, com 375 cm³ e 9 cv. Leveza, bancos removíveis e versatilidade ajudaram a transformá-lo em um dos símbolos do carro popular francês.
Sua trajetória se estendeu até 1990, quando a última unidade saiu da fábrica de Mangualde, em Portugal. Foram mais de 5,1 milhões de exemplares produzidos, incluindo os furgões.
Rodrigo Mora, colunista do Jornal do Carro, irá se aprofunda na história e na importância do 2CV em seu próximo texto. Agora, o conceito apresentado em Paris abre mais um capítulo dessa trajetória, com o desafio de transformar a promessa em um modelo elétrico de produção com preço, de fato, acessível para encarar principalmente os predadores chineses.
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