Carro elétrico que Toyota vende por R$ 420 mil no Brasil tem preço de Mobi no Japão
Para alavancar a venda de eletrificados, governos regionais e nacionais oferecem diversos subsídios, que variam de acordo com a montadora
Motoristas japoneses podem ter mais de 50% do valor de seus carros novos subsidiado pelo governo se escolherem a marca certa.
Segundo o Nikkei Asia, uma nova política da província de Tóquio elevou o subsídio regional para veículos eletrificados.
Os modelos elétricos recebem um bônus de 1,3 milhão de ienes (aproximadamente R$ 42.300), enquanto os híbridos têm direito a 1,15 milhão de ienes (R$ 37.420). O benefício é válido para pessoas físicas e jurídicas.
Além do valor-base, há uma série de incentivos adicionais. Eles levam em consideração fatores como o desempenho de vendas de veículos de emissão zero da montadora, o tamanho de sua linha de modelos e os esforços em prol da transformação verde.
Montadora também pode aumentar o subsídio
Toyota, Honda e Nissan recebem mais 400.000 ienes (R$ 13.000) de subsídio por veículo, o máximo disponível nessa modalidade. BMW, Mitsubishi, Tesla e Mercedes-Benz recebem 300.000 ienes, enquanto a BYD tem 100.000 ienes (R$ 3.250) de bônus. A Daihatsu, por outro lado, não entra nessa categoria.
Há ainda outros incentivos relacionados ao desempenho das montadoras. Se uma empresa vendeu ao menos 60 veículos novos de emissão zero na província de Tóquio em 2025, ela pode receber um subsídio adicional de 100.000 ienes. Caso as vendas de modelos de emissão zero tenham dobrado em relação ao ano anterior, são acrescentados outros 100.000 ienes.
O Governo Metropolitano de Tóquio oferece ainda 200.000 ienes para a categoria de "transformação verde". Nesse caso, o governo local avalia fatores como a capacidade de "criar um ambiente que permita o uso seguro e confiável de veículos a longo prazo".
Outros incentivos podem ser somados
A lista de benefícios não termina nos incentivos destinados às montadoras. Quem compra um modelo elétrico com função V2L (Vehicle To Load) ganha mais 100.000 ienes. Outros 100.000 ienes são concedidos para a instalação de um dispositivo de carregamento e descarregamento de energia.
Também há benefícios relacionados à fonte de eletricidade utilizada pelo proprietário. Se a residência ou empresa tiver um contrato de fornecimento de energia proveniente de fonte 100% renovável, são acrescentados mais 150.000 ienes aos subsídios. Caso o imóvel tenha equipamentos de geração de energia solar, o benefício sobe para 300.000 ienes.
Todos esses incentivos podem ser acumulados com os subsídios nacionais, que chegam a 1,3 milhão de ienes. O programa do governo japonês também considera a origem das baterias: modelos equipados com baterias produzidas localmente recebem valores maiores. Os modelos da BYD, por exemplo, recebem apenas 150.000 ienes de benefício do governo japonês.
Um exemplo do impacto dos incentivos é o Toyota bZ4X, que foi lançado no Brasil em junho por R$ 420.000. No Japão, o SUV é tabelado em 4,8 milhões de ienes (R$ 156.220). O modelo está elegível para receber o subsídio de 1,3 milhão de ienes do governo nacional.
Caso também receba o incentivo integral da província de Tóquio, o total de benefícios pode chegar a 2,6 milhões de ienes (R$ 84.620). Com isso, o preço do bZ4X cairia para aproximadamente 2,2 milhões de ienes (R$ 71.602), menos da metade do valor original.
Japão quer acelerar eletrificação
O objetivo do governo japonês é movimentar o mercado de veículos eletrificados e de emissão zero. Apesar dos incentivos, a participação dos elétricos ainda é pequena no país.
Em 2025, os EVs corresponderam a apenas 1,6% do mercado automotivo japonês. Os subsídios, portanto, são uma das ferramentas utilizadas pelo governo para tentar acelerar a adoção da tecnologia e ampliar a participação dos veículos de emissão zero.
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