A indústria automotiva chinesa é mais rápida, mais barata e melhor?
As montadoras ocidentais costumavam gerar lucros substanciais na China; esses lucros estão desaparecendo à medida que os fabricantes chineses dominam seu próprio mercado e se expandem agressivamente em todos os outros lugares
Quando a Covid chegou ao fim e as restrições foram suspensas, os executivos automotivos ocidentais tiveram o maior choque de suas carreiras. A China não havia apenas acompanhado o ritmo — ela havia dado um salto quântico. Agora, as vendas estão desacelerando, os custos com tarifas estão pesando e a guerra está elevando os preços da gasolina. Qualquer um desses fatores adversos já seria suficiente para causar preocupação. Mas o que realmente está tirando o sono dos executivos é a China.
E aqui está a parte mais difícil de aceitar: às vezes você está competindo com um carro que não é apenas mais barato — ele também é melhor. Em termos de software, conectividade, recursos de direção automatizada e autonomia, os veículos chineses costumam ser mais avançados do que seus equivalentes ocidentais. A suposição de que as montadoras chinesas competem apenas em preço não é mais válida.
Como nossa pesquisa confirma, o mercado está percebendo isso: os compradores de carros da Geração Z e da Geração Y estão significativamente mais abertos a adquirir um veículo elétrico chinês do que seus colegas mais velhos e mais propensos a trocar de marca especificamente para obter uma tecnologia de assistência ao motorista melhor. A lealdade com a qual as marcas ocidentais sempre contaram não está garantida para a próxima geração.
Se as tendências atuais continuarem, será o fim da linha para as montadoras ocidentais. A janela de oportunidade para agir é medida em anos, não em décadas. O que está em jogo não poderia ser maior. Nos EUA, o setor automotivo representa 5% do produto interno bruto e US$ 150 bilhões em exportações. Dez milhões de empregos estão ligados a carros, peças e concessionárias — a espinha dorsal econômica de regiões inteiras que não têm alternativas óbvias. Se essa análise o frustra, ótimo. Ela me frustra também. O obstáculo não é a falta de compreensão. Sabemos o que precisa ser feito. A questão é se temos vontade de fazê-lo.
É hora de examinar com atenção como as indústrias do Ocidente e da China se distanciaram. Felizmente, há lições claras que podem ser aplicadas. Aqui está um plano para revigorar as montadoras na América do Norte, Europa, Japão e Coreia do Sul antes que seja tarde demais.
Recuperar escala — e padronizar para chegar lá
A geopolítica empurrou o setor para uma configuração mais "local para o local". A proliferação de sistemas de propulsão significa uma cadeia de suprimentos muito mais fragmentada. O bolo (ou seja, as vendas de veículos novos) não cresceu muito — e está sendo dividido em muito mais fatias.
As montadoras precisam recuperar escala unindo forças na produção, compartilhando plataformas, sistemas de propulsão e desenvolvimento — especialmente em itens de alto custo, como tecnologia de baterias, infraestrutura de recarga de veículos elétricos, direção autônoma e software veicular. A simplificação do portfólio é outra maneira de recuperar o controle sobre os custos.
Implemente a IA onde ela faz a diferença
A IA ainda é amplamente utilizada em projetos-piloto nas montadoras ocidentais. Os benefícios em termos de lucros e perdas ainda não foram concretizados no desenvolvimento de software, na fabricação ou nas funções de suporte. Os gastos com incentivos, uma das maiores e mais opacas linhas de custo, podem ser otimizados por meio da IA. A lacuna entre o potencial da IA e seu impacto atual é uma das maiores oportunidades inexploradas do setor.
Os volumes nos EUA e na Europa estão estagnados
A participação de mercado na China está em queda. De onde mais podem vir as receitas? Primeiro, gerando receita ao longo do ciclo de vida do veículo por meio da retenção de clientes nas concessionárias e de assinaturas. Segundo, gerando receita em mercados próximos e adjacentes, como robótica, defesa, sistemas de armazenamento de energia — e até mesmo por meio do boom dos data centers.
Competir como um ecossistema
Faça um exercício de reflexão. Imagine um veículo ocidental fabricado não por uma única empresa, mas por uma aliança coordenada que aproveita as melhores capacidades do Ocidente: software autônomo do Vale do Silício; semicondutores de ponta; química inovadora de baterias de startups apoiadas por capital de risco; um trem de força elétrico de primeira linha e fabricação altamente eficiente de Detroit; e o lendário design da Costa Oeste. Esse veículo não apenas competiria com os melhores da China. Ele os superaria.
A urgência dessa visão vai além da atual guerra de preços
Outro dado revelado pela pesquisa Consumer Pulse deve alarmar todas as montadoras tradicionais: dentro de dez anos, espera-se que os atributos que definem uma marca premium mudem decisivamente, afastando-se da qualidade, da tradição e do conforto, e voltando-se para a tecnologia de assistência ao motorista, a inovação no trem de força e a sustentabilidade. Exatamente o terreno em que os fabricantes chineses estão avançando mais rapidamente. As marcas que não agirem agora não perderão apenas participação de mercado. Elas colocarão em risco o próprio significado da marca.
A China não esperou por um consenso. Não pediu permissão. Ela construiu — mais rápido, mais barato e melhor do que qualquer um no Ocidente previa. A questão para Detroit, e para todas as montadoras ocidentais, é se elas ainda são capazes disso. A resposta depende de reconhecerem que não estão mais competindo apenas contra empresas individuais, mas contra um ecossistema automotivo que opera em velocidade e escala sem precedentes. A indústria que definiu o século passado não vencerá o próximo operando da mesma maneira.
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Esta matéria foi publicada originalmente no Fortune.com
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