A China tenta conectar seus trens à Mongólia desde 2012: restam apenas 20 quilômetros cruciais na fronteira do Deserto de Gobi
Treze anos, 234 quilômetros de deserto e um trecho final de 20 km que a Mongólia e a China não conseguiram fechar por décadas
China e Mongólia vêm tentando há mais de uma década resolver um dos problemas logísticos mais dispendiosos da Ásia: o transporte de carvão e metais das minas mongóis para as siderúrgicas chinesas sem a necessidade de intermináveis comboios de caminhões.
A solução: um corredor ferroviário entre as minas de Tavan Tolgoi e a rede ferroviária chinesa, capaz de transportar até 50 milhões de toneladas de carga, conforme declarado pelo presidente mongol.
O projeto está em discussão desde 2012 e, após atrasos e paralisações, a primeira fase foi concluída. A segunda fase teve início em 2025: uma ligação transfronteiriça de apenas 19,5 quilômetros de extensão no passo de Gashuunsukhait-Gantsmod, com conclusão prevista para 2027.
O fato de a China conseguir remodelar uma estação ferroviária da noite para o dia, mas levar 22 meses para construir menos de 20 quilômetros, prenuncia os desafios técnicos e topográficos que enfrenta.
Contexto
A Mongólia possui algumas das maiores reservas de carvão e cobre do mundo. Tavan Tolgoi merece destaque especial, pois é uma das maiores reservas inexploradas de carvão coqueificável do planeta, estimada em 6,4 bilhões de toneladas. Oyu Tolgoi também é rica em cobre e ouro.
De fato, projeta-se uma produção de 500 mil toneladas de cobre por ano até 2030. Mas a Mongólia não tem saída para o mar. Historicamente, a China tem sido a maior importadora de carvão da Mongólia. Como? Com filas de caminhões cruzando o deserto.
Do ponto de vista ambiental e econômico,...
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