Shuhei Yoshida fala sobre jogos por US$ 80 e defende equipes pequenas e IA
Executivo elogia Clair Obscur: Expedition 33 como modelo de desenvolvimento que pode ajudar a indústria de games
O ex-executivo do PlayStation, Shuhei Yoshida, comentou a respeito do aumento nos preços dos jogos, com os mais caros passando a custar US$ 80, no caso de títulos lançados pela Nintendo, como Mario Kart World, e pela Microsoft.
Conversando com o PlayStation Inside, da França, Yoshida disse que o reajuste era algo inevitável, tendo falado também o que as desenvolvedoras podem fazer para contornar isso.
"Acho que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde, talvez não por parte da Nintendo, mas eventualmente aconteceria", disse ele (via Eurogamer). "Vivemos em tempos desconformes, onde a inflação é real e significativa, mas as pessoas esperam que jogos cada vez mais ambiciosos e, portanto, caros de desenvolver, custem o mesmo. É uma equação impossível."
Yoshida disse também que "o cerne da questão está nos custos de produção", pois os jogos hoje em dia são "tecnologicamente mais exigentes do que nunca". Ele sugere que remasters e remakes são uma forma da indústria se diversificar, já que esses projetos são "uma espécie de solução 'fácil' para gerar que lucros que, no fim das contas, ajudam a financiar novos jogos".
Clair Obscur: Expedition 33 mostra que jogos AA são o futuro
Ainda comentando sobre os preços dos jogos e o custo para fazê-los, ele apontou Clair Obscur: Expedition 33, da Sandfall Interactive, como um exemplo de jogo AA de sucesso, tendo ultrapassado 2 milhões de cópias em 12 dias.
Segundo Yoshida, Clair Obscur é "visualmente fenomenal", não devendo em nada nesse aspecto para jogos AAA, "apesar da equipe ter apenas cerca de trinta pessoas".
"Este é um dos caminhos a seguir, eu acho, porque é possível fazer jogos excelentes com equipes e orçamentos mais enxutos sem comprometer a qualidade."
Inteligência Artificial para otimizar o processo de desenvolvimento dos jogos
Ele tambem disse que as desenvolvedoras podem reduzir os custos usando a Inteligência Artificial (IA), com ela servindo "criativamente para melhorar os jogos", ressaltando a importância dessa ferramenta, desde que não sejam utilizadas para substituir as pessoas.
"A IA se tornará uma ferramenta muito importante no futuro se os desenvolvedores aprenderem a usar seus bons recursos", disse ele. "Já estamos vendo isso hoje e, de qualquer forma, deve ser visto como uma simples continuação do que sempre foi feito em videogames, porque a IA tem sido usada em videogames desde que eles existem."
"Designers e desenvolvedores, portanto, precisam dominar essas novas ferramentas generativas. É apenas uma questão de tempo, desde que mantenhamos os artistas humanos no coração do projeto. A IA generativa e suas outras emanações podem e devem ser usadas para acelerar processos e tarefas tediosas que não impactam o aspecto artístico dos jogos, especialmente para pequenos estúdios que não têm mão de obra suficiente. Isso também pode ajudar a reduzir os custos de produção de jogos, tornando a economia dos videogames mais viável – desde que não cause demissões, é claro."