Jogamos: Segunda temporada de Call of Duty: Black Ops 7 reforça onde o jogo é mais forte
Conteúdo sazonal aposta em mapas sólidos e mantém a experiência competitiva em alta
Segundas temporadas costumam ser um ponto decisivo em jogos de serviço. É quando a empolgação inicial já passou, a comunidade sabe exatamente o que funciona e o que precisa mudar, e o conteúdo novo precisa justificar a permanência do jogador. Em Call of Duty, isso quase sempre se traduz em mapas fortes, armas que realmente alteram o ritmo das partidas e modos que não parecem só um complemento jogado ali para cumprir tabela.
No caso de Black Ops 7, a segunda temporada chega com uma proposta clara de reforçar o que já estava dando certo no multiplayer, ao mesmo tempo em que tenta manter o restante da experiência viva, seja com pequenas variações no Zumbis ou com mais adições no Fim da Jornada.
Temporada recheada
Como de costume, as principais novidades deste começo de temporada são os mapas que chegaram ao multiplayer, sendo eles Sake, Torment, Nexus e Slums. Entre todas as temporadas desde a adoção do sistema de passe de batalha com conteúdo trimestral, este é facilmente um dos melhores conjuntos de mapas já lançados para a franquia.
Sake, apesar de ser categorizado como um mapa pequeno, passa mais a sensação de algo próximo do tamanho médio, graças às várias bifurcações espalhadas pelo cenário. Sua área central fica dentro de uma fábrica de produção da bebida japonesa que dá nome ao mapa, e é sempre bom ver a franquia explorando temáticas japonesas, que costumam entregar bons resultados. Sake é facilmente um mapa que poderia retornar em jogos futuros da Treyarch.
Torment e Nexus são os dois mapas que realmente fazem sentido dentro da proposta de tamanho pequeno. Nexus, inclusive, segue aquela lógica de mapas pensados para confrontos 2x2, mas que também funcionam em partidas 6x6, porém sem séries de pontuação. Ambos apostam forte na temática de pesadelo apresentada na campanha.
Em Nexus, vemos referências claras ao Black Ops 1, como as televisões espalhadas pelo cenário e o retorno da prisão de Vorkuta. Já Torment se passa em uma espécie de ilha flutuante, cheia de pontos de teletransporte que conectam diferentes áreas do mapa, além de ter um layout que lembra bastante mapas clássicos de CS.
Slums, por sua vez, dispensa muitos comentários. O clássico de Black Ops 2 continua excelente de se jogar. Mesmo com os gráficos atualizados, o mapa mantém o charme da sua estreia em 2012 e funciona muito bem dentro da jogabilidade mais frenética que Call of Duty adotou nos últimos anos, passando a sensação de que praticamente não envelheceu.
As armas que chegaram nesta temporada também trazem diferenças interessantes, mesmo com uma delas sendo o retorno de um modelo já conhecido. A primeira é a SMG Rev-46, baseada na Skorpion de Black Ops 2.
Na prática, ela funciona de forma bastante semelhante ao original, mas conta com uma mecânica extra: a possibilidade de recolher a coronha, o que melhora o desempenho em confrontos de curta distância e aumenta ainda mais a capacidade ofensiva em encontros próximos. Já com a coronha estendida, a arma se comporta quase como um fuzil de assalto, sacrificando eficiência de perto para ganhar mais controle em combates de média distância.
A outra arma disponível no passe de batalha é o fuzil de assalto EGRT-17, que também aposta em uma mecânica diferenciada em relação ao restante do arsenal. Com o visual mais futurista visto até agora, combinando bem com o período em que o jogo se passa, sua principal característica é o ricochete das balas em superfícies. Em mapas como Hijacked e no modo Zona de Conflito, dá para explorar bastante essa mecânica e tirar bom proveito da arma.
No geral, mapas e armas foram adições muito bem-vindas, com foco claro no que o multiplayer precisa oferecer: diversão. O único porém fica por conta da Rev-46, que acaba sendo praticamente uma Skorpion em quase tudo, com exceção da mira de ferro. É claro que isso pode ser resolvido com o uso de acessórios, mas poderia ter havido um cuidado maior em torná-la ainda mais fiel além do visual e do manuseio.
O modo Zumbis e o Fim da Jornada também receberam novidades. Infelizmente, Zumbis ainda não ganhou um mapa inédito para dar continuidade direta à história após os eventos de Astra Malorum. A principal adição foi um mapa ambientado em Marte para o modo sobrevivência, além do modo Sala Inicial, no qual não é possível abrir portas e o jogador fica restrito à área inicial de cada mapa. A proposta funciona bem justamente por ser um espaço reduzido, com partidas rápidas e foco na evolução das armas.
Já no Fim da Jornada, temos uma continuação da narrativa apresentada ao longo da temporada, com a adição de um novo evento que envolve todo o lobby. Algumas zonas passam a ter dificuldade elevada, indo além do nível mais alto já presente no mapa de Avalon. Ao concluir esses desafios, o jogador é recompensado com novas habilidades, que realmente valem o esforço para serem obtidas. O problema é que o desafio se torna bastante puxado quando essas áreas entram no estado de Pesadelo, especialmente ao enfrentar uma versão ainda mais irritante do Uber Klaus.
Considerações
No geral, a segunda temporada de Black Ops 7 acerta em cheio no que diz respeito ao multiplayer. O conjunto de mapas é facilmente um dos melhores já entregues dentro do modelo sazonal da franquia, com propostas bem definidas, boa leitura de espaço e um equilíbrio que favorece tanto confrontos mais caóticos quanto partidas mais táticas. As armas novas seguem essa mesma linha, trazendo mecânicas diferentes que realmente mudam a forma de jogar, mesmo quando partem de ideias já conhecidas da série.
Por outro lado, o restante do conteúdo ainda parece caminhar em um ritmo mais contido. Zumbis ganha variações interessantes, mas segue devendo um avanço mais claro na narrativa principal, enquanto o Fim da Jornada aposta em desafios mais pesados que vão agradar quem busca dificuldade, mas podem afastar parte dos jogadores menos pacientes.
Call of Duty: Black Ops 7 está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series, podendo ser jogado também via PC Game Pass e Game Pass Ultimate.