Jogamos: Destiny 2 Insurgentes surpreende ao ir além do rótulo de crossover
Expansão aposta em novas ideias e funciona melhor do que parecia no papel
Destiny 2 chega a Insurgentes em um momento curioso. Depois de altos e baixos recentes, a expansão aparece com uma proposta que foge do esperado e chama atenção logo de cara. Não só pelo que traz para a história, mas pela forma como escolhe apresentar esse novo capítulo.
A ideia de cruzar caminhos com outra franquia levanta dúvidas naturais. Até que ponto isso conversa com o universo de Destiny? O que é apenas referência e o que realmente muda a experiência? Insurgentes começa justamente nesse terreno incerto, provocando curiosidade antes de revelar suas cartas.
Embate entre a luz e as trevas
Seguindo os eventos de Os Confins do Destino, a nova expansão Insurgentes nos leva até a Fronteira Sem Lei, território dominado pelo Sindicato dos Criminosos. Dessa vez, nosso Guardião parte ao lado do Derivante rumo ao submundo do crime dentro do universo de Destiny. Essa aliança surge principalmente por conta de uma nova ameaça que ainda carrega certo mistério, os Nove.
Com essas novas parcerias, bem diferentes das que já vimos na franquia, o plano para chegar cada vez mais perto dos Nove envolve deter o Império Barant, uma nova legião de Cabais, inimigos já conhecidos pelos jogadores. Eles agora contam com o apoio de uma ameaça obscura chamada Dredgen Bael, que rapidamente se mostra uma figura central dessa expansão.
Com todas essas apresentações de trama, o grande destaque de Insurgentes é o quanto ela bebe diretamente da fonte de Star Wars. O próprio Dredgen Bael lembra uma mistura de Kylo Ren com elementos visuais característicos de Destiny. À primeira vista, pode parecer uma tentativa de atrair atenção usando uma franquia gigantesca, mas as adaptações dentro do contexto do jogo funcionam muito bem e ajudam a apagar um pouco do gosto amargo deixado por Os Confins do Destino.
Logo na primeira missão já fica claro que a Bungie entregou algo especial. Há um trecho que se passa em um descarte de lixo que remete diretamente a Uma Nova Esperança. Os Cabais usam cores semelhantes às dos Stormtroopers, as armas lembram blasters, e o Guardião pode empunhar um sabre de luz que, dentro do universo de Destiny, recebe o nome de Lâmina Práxica. No fim da missão, enfrentamos dois AT-STs, e a introdução de Dredgen Bael parece saída diretamente de Rogue One, com ele surgindo em meio à fumaça e ativando sua lâmina.
Essa leitura de Star Wars dentro de Destiny não se limita apenas às armas, visuais e ao vilão principal. Muitos cenários lembram locais icônicos da franquia, com ambientes que remetem a Jakku, Tatooine e até à Cantina de Mos Eisley, tudo reinterpretado dentro da identidade visual de Destiny.
Diferentemente de outras expansões, desta vez não são novas habilidades do Guardião que ganham destaque, mas sim a nossa nave. Ela passa a oferecer suporte durante os combates na Fronteira Sem Lei, com habilidades como bombardeios aéreos e até cura em momentos críticos. Essa mecânica funciona melhor do que o esperado e combina bem com a proposta da expansão. O uso dessas habilidades exige acessar uma interface específica e, ao contrário das habilidades tradicionais, elas só recarregam ao derrotar inimigos ou destruir caixas espalhadas pelo mapa.
Outra mudança importante é que, desde o início das missões na Fronteira Sem Lei, já temos um limite de reanimações. Isso lembra o sistema usado no final de algumas atividades, mas aqui ele está presente desde o primeiro momento. Além disso, a vida do personagem não se regenera automaticamente, forçando o jogador a se expor mais ao combate e contar com a queda de orbes de vida deixados pelos inimigos.
Apesar de parecer que essas mecânicas aumentariam bastante a dificuldade, isso não acontece na prática. Explorando bem o mapa, é possível encontrar fichas de reanimação que se acumulam, o que acaba suavizando o desafio. Curiosamente, a quantidade de inimigos enfrentados é alta, até mesmo para padrões de raides e outras expansões da franquia.
Por fim, o principal ponto negativo de Insurgentes é sua duração. Para jogadores mais casuais, o conteúdo oferece um bom ritmo, mas quem esperou bastante tempo após Os Confins do Destino pode sentir que a experiência acaba cedo demais. Resta agora aguardar como a Bungie pretende expandir essa fase do jogo e torcer para que futuras colaborações sejam tão bem integradas quanto foi Insurgentes.
Considerações
Insurgentes funciona justamente por não tratar o crossover como algo descartável ou superficial. As referências a Star Wars existem, são claras, mas sempre reinterpretadas dentro do universo de Destiny, seja no visual, nas mecânicas ou na forma como a narrativa se desenrola. Isso faz com que a expansão tenha personalidade própria, sem parecer descontextualizada ou um evento isolado.
Mesmo sendo curta, a experiência deixa uma sensação mais positiva do que a expansão anterior e mostra que a Bungie ainda consegue brincar com sua fórmula sem perder o controle. Se o caminho daqui para frente seguir esse cuidado na integração de ideias externas com a identidade do jogo, Destiny 2 ainda tem fôlego para surpreender por mais um bom tempo.
Destiny 2 está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Switch, Xbox One e Xbox Series.