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20 anos depois, Xenosaga Episode III ainda é um dos finais mais ambiciosos dos JRPGs

Lançado em 2006 para PS2, game encerrou uma trilogia marcada por filosofia, religião, ficção científica e personagens marcantes

9 jul 2026 - 21h12
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20 anos depois, Xenosaga Episode III ainda é um dos finais mais ambiciosos dos JRPGs
20 anos depois, Xenosaga Episode III ainda é um dos finais mais ambiciosos dos JRPGs
Foto: Reprodução

Se você acha que a franquia Xenoblade Chronicles é complexa, é porque talvez não tenha testemunhado o que Tetsuya Takahashi e a Monolith Soft tentaram fazer duas décadas atrás. Lançado em 2006 para o PlayStation 2, Xenosaga Episode III: Also Sprach Zarathustra chegava com a ingrata missão de encerrar uma das sagas mais densas, filosóficas e conturbadas da história dos videogames.

Vinte anos depois, o veredito permanece inalterado: o encerramento da jornada de Shion Uzuki e da androide KOS-MOS não foi apenas um milagre do desenvolvimento, mas continua sendo um dos finais mais ambiciosos e corajosos já vistos no mundo dos JRPGs. O resultado foi um título que talvez não tenha alcançado o sucesso comercial esperado, mas conquistou um lugar permanente entre os grandes clássicos cult do PlayStation 2.

O capítulo que precisava resolver quase tudo

Para entender a grandiosidade do Episode III, precisamos lembrar do contexto. Originalmente, Xenosaga foi planejada como uma epopeia de seis capítulos. A ideia era criar uma verdadeira ópera espacial, explorando temas como livre-arbítrio, consciência, evolução da humanidade e o eterno conflito entre ciência e espiritualidade.

No entanto, cortes de orçamento pela Bandai Namco, mudanças na equipe de direção e vendas abaixo do esperado no segundo jogo forçaram a Monolith Soft a puxar o freio de mão. A ordem era clara: o terceiro jogo precisava terminar a história. 

Como espremer inúmeras pontas soltas deixadas pelos jogos anteriores, recheadas de intrigas políticas, ficção científica e existencialismo em apenas um único disco de PS2? A resposta da Monolith foi entregar um rolo compressor narrativo.

Surpreendentemente, o resultado funcionou melhor do que muitos imaginavam. Embora seja perceptível que diversos acontecimentos foram acelerados, o roteiro consegue dar peso emocional às decisões finais de Shion Uzuki, KOS-MOS, Jr., Ziggy, chaos e tantos outros personagens que acompanharam os jogadores durante dezenas de horas.

Um JRPG que nunca teve medo de fazer o jogador pensar

Desde o primeiro episódio, Xenosaga nunca tentou ser um RPG convencional. Enquanto outros títulos da época concentravam seus esforços em guerras medievais ou jornadas heroicas tradicionais, a série mergulhava em conceitos inspirados em filósofos como Friedrich Nietzsche, Carl Jung, Sigmund Freud, Gnosticismo e diversas tradições religiosas.

Mas ao invés de utilizar essas referências apenas como decoração, o jogo realmente constrói seus conflitos em torno delas. Questões como identidade, memória, consciência, propósito e transcendência aparecem constantemente durante a campanha, exigindo atenção do jogador.

Não é raro que alguns diálogos durem vários minutos antes mesmo de uma batalha começar. Hoje isso pode parecer excessivo para parte do público, mas justamente essa confiança em contar uma história complexa transformou Xenosaga em uma experiência tão singular.

O legado que gerou Xenoblade

Embora a trilogia Xenosaga tenha terminado em 2006, muitas de suas ideias continuaram vivas, provando que a Monolith Soft operava em outro nível criativo. Anos mais tarde, a Nintendo comprou o estúdio, dando a Takahashi a estabilidade necessária para criar a saga Xenoblade Chronicles - um novo episódio, Xenoblade Genesis, foi anunciado recentemente com lançamento para 2027 no Switch 2.

As duas franquias não pertencem ao mesmo universo de maneira direta, mas compartilham inúmeras características: mundos gigantescos, discussões filosóficas, personagens extremamente desenvolvidos e uma narrativa que mistura ficção científica com elementos metafísicos.

Hoje, olhar para trás e jogar Xenosaga Episode III causa uma mistura de melancolia e profunda admiração. Em uma indústria atual onde muitas narrativas jogam pelo seguro para evitar riscos, aquele encerramento de 2006 brilha como um monumento à audácia criativa.

Pode não ter alcançado os seis jogos prometidos, mas o que entregou na linha de chegada foi pura arte em forma de JRPG.

Fonte: Game On
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