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Pesquisa aponta que 100% dos desenvolvedores japoneses de games online usam IA generativa

Levantamento da Japan Online Game Association (JOGA) indica que Gemini, Claude e GitHub Copilot lideram a adoção

21 jul 2026 - 10h37
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Uma pesquisa da Japan Online Game Association (JOGA), divulgada em prévia pela Famitsu, revelou que 100% dos desenvolvedores japoneses de games online ouvidos no relatório de 2026 usam alguma forma de inteligência artificial generativa em seus processos de desenvolvimento. O resultado indica uma aceleração expressiva em relação a levantamentos anteriores: na edição anual da Tokyo Game Show de 2025, a taxa de adoção entre desenvolvedores — de jogos online e tradicionais — era de 50%. Em apenas um ano, o uso da tecnologia entre empresas do segmento online chegou ao teto.

App de IA Claude aparece na App Store
App de IA Claude aparece na App Store
Foto: Michael M. Santiago/Getty Images / Rolling Stone Brasil

Entre as ferramentas mais utilizadas, o Gemini, do Google, lidera com 94% de adoção. Em seguida aparecem o Claude, da Anthropic, com 84%, e o GitHub Copilot, da Microsoft, com 76%. Um ponto relevante é que os três são ferramentas de uso geral, não sistemas especializados na criação de recursos visuais ou sonoros para games. Isso se reflete nos casos de uso mais citados: análise de preferências de usuários e previsão de comportamento de jogadores lideram as aplicações, sugerindo que a IA tem sido empregada principalmente em análise de dados, e não na criação de conteúdo.

Do lado dos jogadores, o levantamento também mapeou as principais preocupações em torno do uso de IA nos games. A mais frequente foi a violação de direitos autorais, um tema que ainda não tem resposta regulatória consolidada no Japão, nem globalmente. Logo depois, surge o receio de que os jogos se tornem mais homogêneos, com a IA nivelando escolhas criativas e reduzindo a diversidade de experiências disponíveis. Empresas como Capcom e Sony já afirmaram publicamente que os elementos criativos do desenvolvimento continuarão sob responsabilidade humana (via Eurogamer), mas o debate está longe de terminar.

O cenário japonês contrasta com o de desenvolvedores ocidentais, onde a resistência à IA generativa é mais visível, tanto por parte de estúdios quanto do público. A Adhoc Studios, desenvolvedora de Dispatch, declarou explicitamente que não utiliza a tecnologia. Até a Larian, estúdio aclamado por Baldur's Gate 3, enfrentou críticas da comunidade ao adotar uma postura mais aberta à IA. A diferença regional também reflete o apetite do consumidor: jogadores ocidentais têm pressionado com mais intensidade contra o uso da tecnologia do que seus equivalentes asiáticos.

O relatório da JOGA chega em um momento em que a viabilidade econômica da IA generativa está sob escrutínio crescente. Nos mercados ocidentais, apenas 38% dos investidores dizem se sentir confortáveis com IA, segundo pesquisa da Cerulli Associates publicada em fevereiro deste ano. Empresas como a Uber já recuaram no uso da tecnologia após extrapolarem orçamentos destinados à inteligência artificial. Ao mesmo tempo, as empresas por trás das ferramentas mais usadas pelos desenvolvedores japoneses (Anthropic e Google) seguem sob pressão para demonstrar lucratividade real.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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