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Nvidia relembra como a Sega ajudou a salvar a empresa da falência nos anos 90

Jensen Huang relembrou o apoio da Sega e afirmou que a Nvidia talvez não existisse sem o investimento da empresa

16 jul 2026 - 16h49
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Da esquerda para a direita: Yu Suzuki, Shoichiro Irimajiri e Jensen Huang com o jogo Virtua Fighter Crossroads
Da esquerda para a direita: Yu Suzuki, Shoichiro Irimajiri e Jensen Huang com o jogo Virtua Fighter Crossroads
Foto: Reprodução/Ascii.jp

Antes de se tornar a empresa mais valiosa do mundo na era da inteligência artificial, a Nvidia esteve a um triz de desaparecer do mapa. E quem impediu que a dona das placas GeForce declarasse falência em 1995 foi, ironicamente, uma gigante dos games que hoje sequer fabrica consoles: a Sega.

O reencontro entre representantes da Sega e da Nvidia aconteceu nesta quarta-feira (16) durante um evento que celebrou os 30 anos de colaboração entre as duas empresas, realizado no GiGO Akihabara Building 3, em Tóquio — prédio que anteriormente abrigava o famoso Sega Akihabara Arcade (via Ascii.jp).

Na ocasião, a Nvidia também anunciou que Virtua Fighter Crossroads e outros títulos da Sega estarão disponíveis no RTX Spark, seu novo superchip voltado para notebooks Windows ultrafinos e PCs desktop compactos.

A cerimônia reuniu nomes históricos das duas companhias, como o fundador e CEO da Nvidia, Jensen Huang; o presidente e CEO da Sega, Haruki Satomi; o COO Shuji Utsumi; o lendário desenvolvedor Yu Suzuki, criador de Virtua Fighter, Virtua Racing, entre outros; e o ex-presidente e ex-CEO da Sega, Shoichiro Irimajiri, responsável por autorizar o investimento de US$ 5 milhões que ajudou a Nvidia a superar sua maior crise financeira na década de 1990.

Foi nesse encontro que Huang voltou a agradecer publicamente o apoio recebido da Sega, relembrando um dos capítulos mais marcantes da história da empresa.

"Se não fosse pelo que a Sega fez pela Nvidia, nós não estaríamos aqui hoje. Imaginar que em 1995 estávamos quase fora dos negócios e hoje somos a maior empresa do mundo, é inacreditável", declarou Huang.

Durante a conversa, Jensen Huang revelou ser um grande admirador do trabalho de Suzuki nos arcades 3D da Sega, destacando que seus jogos ajudaram a moldar sua paixão por tecnologia e gráficos em tempo real.

Segundo Huang, o investimento de US$ 5 milhões feito pela Sega foi decisivo para que a Nvidia permanecesse em operação e pudesse desenvolver os produtos que mudariam sua história.

Uma aposta que deu errado

Jensen Huang (à direita), CEO da Nvidia, ao lado de executivos da Sega
Jensen Huang (à direita), CEO da Nvidia, ao lado de executivos da Sega
Foto: Reprodução/Ascii.jp

A origem da crise remonta a 1995, quando a Nvidia apostou no chip gráfico NV1, uma arquitetura que utilizava quadriláteros em vez dos tradicionais triângulos para renderização 3D. A estratégia acabou entrando em conflito com o padrão adotado pela Microsoft no recém-lançado DirectX, dificultando a adoção da tecnologia pelos desenvolvedores.

Na mesma época, a Nvidia trabalhava ao lado da Sega em um projeto para o sucessor do Saturn. Porém, divergências técnicas levaram a empresa japonesa a abandonar a parceria e buscar outra solução para o console que mais tarde se tornaria o Dreamcast.

Sem produto competitivo, sem mercado e com o contrato dos sonhos cancelado, a Nvidia estava quase falida. Foi nesse momento dramático que Shoichiro Irimajiri tomou uma decisão surpreendente: mesmo descartando a tecnologia da Nvidia para o Dreamcast, ele assinou um cheque de US$ 5 milhões de investimento na startup por acreditar no potencial dos seus engenheiros.

Um investimento que poderia valer um trilhão de dólares

Graças a esse fôlego financeiro, a NVIDIA ganhou tempo para criar a icônica GeForce 256 em 1999, que revolucionou a indústria de PCs e abriu caminho para que a empresa fizesse o chip do Xbox original da Microsoft.

Pouco tempo depois de ver a Nvidia se reerguer, a Sega vendeu todas as ações que possuía da parceira por US$ 15 milhões. Na época, um lucro de três vezes parecia um negócio espetacular para uma empresa que começava a enfrentar graves crises financeiras.

O detalhe doloroso? Se a Sega tivesse guardado essas ações até hoje, essa mesma participação valeria mais de US$ 1 trilhão.

Hoje, mais de três décadas depois, o episódio permanece como uma das histórias mais curiosas da indústria dos games: um investimento relativamente modesto feito pela Sega ajudou a preservar uma empresa que se tornaria protagonista não apenas do mercado de jogos, mas também da revolução da inteligência artificial.

Fonte: Game On
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