Nvidia relembra como a Sega ajudou a salvar a empresa da falência nos anos 90
Jensen Huang relembrou o apoio da Sega e afirmou que a Nvidia talvez não existisse sem o investimento da empresa
Antes de se tornar a empresa mais valiosa do mundo na era da inteligência artificial, a Nvidia esteve a um triz de desaparecer do mapa. E quem impediu que a dona das placas GeForce declarasse falência em 1995 foi, ironicamente, uma gigante dos games que hoje sequer fabrica consoles: a Sega.
O reencontro entre representantes da Sega e da Nvidia aconteceu nesta quarta-feira (16) durante um evento que celebrou os 30 anos de colaboração entre as duas empresas, realizado no GiGO Akihabara Building 3, em Tóquio — prédio que anteriormente abrigava o famoso Sega Akihabara Arcade (via Ascii.jp).
Na ocasião, a Nvidia também anunciou que Virtua Fighter Crossroads e outros títulos da Sega estarão disponíveis no RTX Spark, seu novo superchip voltado para notebooks Windows ultrafinos e PCs desktop compactos.
A cerimônia reuniu nomes históricos das duas companhias, como o fundador e CEO da Nvidia, Jensen Huang; o presidente e CEO da Sega, Haruki Satomi; o COO Shuji Utsumi; o lendário desenvolvedor Yu Suzuki, criador de Virtua Fighter, Virtua Racing, entre outros; e o ex-presidente e ex-CEO da Sega, Shoichiro Irimajiri, responsável por autorizar o investimento de US$ 5 milhões que ajudou a Nvidia a superar sua maior crise financeira na década de 1990.
Foi nesse encontro que Huang voltou a agradecer publicamente o apoio recebido da Sega, relembrando um dos capítulos mais marcantes da história da empresa.
"Se não fosse pelo que a Sega fez pela Nvidia, nós não estaríamos aqui hoje. Imaginar que em 1995 estávamos quase fora dos negócios e hoje somos a maior empresa do mundo, é inacreditável", declarou Huang.
Durante a conversa, Jensen Huang revelou ser um grande admirador do trabalho de Suzuki nos arcades 3D da Sega, destacando que seus jogos ajudaram a moldar sua paixão por tecnologia e gráficos em tempo real.
Segundo Huang, o investimento de US$ 5 milhões feito pela Sega foi decisivo para que a Nvidia permanecesse em operação e pudesse desenvolver os produtos que mudariam sua história.
Uma aposta que deu errado
A origem da crise remonta a 1995, quando a Nvidia apostou no chip gráfico NV1, uma arquitetura que utilizava quadriláteros em vez dos tradicionais triângulos para renderização 3D. A estratégia acabou entrando em conflito com o padrão adotado pela Microsoft no recém-lançado DirectX, dificultando a adoção da tecnologia pelos desenvolvedores.
Na mesma época, a Nvidia trabalhava ao lado da Sega em um projeto para o sucessor do Saturn. Porém, divergências técnicas levaram a empresa japonesa a abandonar a parceria e buscar outra solução para o console que mais tarde se tornaria o Dreamcast.
Sem produto competitivo, sem mercado e com o contrato dos sonhos cancelado, a Nvidia estava quase falida. Foi nesse momento dramático que Shoichiro Irimajiri tomou uma decisão surpreendente: mesmo descartando a tecnologia da Nvidia para o Dreamcast, ele assinou um cheque de US$ 5 milhões de investimento na startup por acreditar no potencial dos seus engenheiros.
Um investimento que poderia valer um trilhão de dólares
Graças a esse fôlego financeiro, a NVIDIA ganhou tempo para criar a icônica GeForce 256 em 1999, que revolucionou a indústria de PCs e abriu caminho para que a empresa fizesse o chip do Xbox original da Microsoft.
Pouco tempo depois de ver a Nvidia se reerguer, a Sega vendeu todas as ações que possuía da parceira por US$ 15 milhões. Na época, um lucro de três vezes parecia um negócio espetacular para uma empresa que começava a enfrentar graves crises financeiras.
O detalhe doloroso? Se a Sega tivesse guardado essas ações até hoje, essa mesma participação valeria mais de US$ 1 trilhão.
Hoje, mais de três décadas depois, o episódio permanece como uma das histórias mais curiosas da indústria dos games: um investimento relativamente modesto feito pela Sega ajudou a preservar uma empresa que se tornaria protagonista não apenas do mercado de jogos, mas também da revolução da inteligência artificial.
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