Evan Hill revela segredos de Blade & Soul Heroes; entrevista
Produtor fala sobre o novo sistema de combate, as lições de Hoyeon e o papel dos fãs brasileiros na comunidade global.
Após o sucesso de Hoyeon na Ásia, a NC America traz ao público global o novo Blade & Soul Heroes, um MMORPG que mistura ação em tempo real, batalhas por turno e um sistema de progressão compartilhado entre PC e dispositivos móveis.
Com uma proposta ambiciosa de reinventar o universo de Blade & Soul sob um estilo visual de anime moderno, o jogo promete agradar tanto veteranos da franquia quanto novos jogadores em busca de uma experiência mais acessível, estratégica e cinematográfica.
Para entender melhor como o projeto foi adaptado para o mercado ocidental — incluindo o Brasil —, conversamos com Evan Hill, produtor de Blade & Soul Heroes, que falou sobre os desafios de equilibrar jogabilidade e inovação, o processo de aprendizado com Hoyeon e o papel fundamental da comunidade brasileira no sucesso do jogo.
Game On: O sistema de combate duplo é um conceito pouco explorado no gênero. Como ele foi equilibrado para oferecer profundidade estratégica sem afastar os jogadores mais casuais?
Evan Hill: O sistema de combate duplo em Blade & Soul Heroes foi projetado para equilibrar conveniência — ou seja, facilidade de uso, velocidade e eficiência — com liberdade de escolha para o jogador.
Quem prefere uma experiência mais casual pode deixar seus Heróis completarem automaticamente as missões diárias em tempo real, enquanto aqueles que gostam de desafios estratégicos podem mergulhar nos combates em turnos, que recompensam o planejamento cuidadoso.
O sistema funciona perfeitamente nos dois sentidos, permitindo que o jogador se envolva no seu próprio ritmo, sem sentir pressão. Nosso objetivo foi garantir que o recurso adicionasse profundidade para os jogadores experientes, sem deixar de ser acessível para todos.
Game On: Quais lições vocês aprenderam com o lançamento original de Hoyeon, que influenciaram diretamente o lançamento de Blade & Soul Heroes?
Evan Hill: Hoyeon foi lançado apenas na Coreia, enquanto Blade & Soul Heroes chegou a mais de 190 países, então o público e as expectativas são bem diferentes. O que funciona bem para os jogadores coreanos nem sempre se traduz diretamente para outras regiões, como o Brasil, por exemplo. Por isso, foi um desafio divertido e recompensador trabalhar em conjunto com os desenvolvedores para adaptar o jogo para uma audiência global.
Nossa equipe na NC America passou muito tempo jogando Hoyeon e identificando pontos que queríamos ajustar. Os desenvolvedores foram muito receptivos ao nosso feedback, o que resultou em uma experiência inicial mais fluida, com melhor ritmo de conteúdo e menos tutoriais.
Agora, os jogadores recebem um Herói Exaltado gratuito logo no início, que já é poderoso, pois vem com a habilidade Suprema desbloqueada no nível de Imbue 0. Também expandimos o compartilhamento de equipamentos para até 20 Heróis, tornamos as Divine Sigils em melhorias garantidas, adicionamos vários níveis de dificuldade nos Desafios de Chefes e fizemos diversos pequenos ajustes para aprimorar a experiência geral.
Todas essas mudanças vieram das lições aprendidas com Hoyeon e do objetivo comum de tornar Blade & Soul Heroes mais agradável para jogadores do mundo todo.
Game On: O jogo tem mais de 40 personagens jogáveis. Como a equipe mantém o equilíbrio para evitar que o game caia em um meta previsível?
Evan Hill: Uma das maiores forças de Heroes é a variedade de sistemas e modos disponíveis. Um Herói que é muito forte em combates por turno pode não ser tão eficiente em uma luta contra chefes em tempo real — e vice-versa.
Essa diversidade naturalmente impede que um único meta domine o jogo. Nosso objetivo é incentivar os jogadores a experimentar diferentes formações de equipe e descobrir estratégias que melhor se adaptem ao seu estilo de jogo. Queremos que todo Herói tenha momentos em que possa brilhar.
Game On: Muitos MMORPGs enfrentam dificuldades para manter o engajamento após o lançamento. Quais são as estratégias de Heroes para manter uma comunidade ativa nos próximos meses?
Evan Hill: Um dos maiores diferenciais de lançar Blade & Soul Heroes globalmente após o lançamento na Coreia é que já temos um roteiro de conteúdo extenso preparado para os próximos meses. Isso nos dá flexibilidade para ajustar o ritmo das atualizações conforme o progresso dos jogadores.
Além de novas adições de jogabilidade, também estamos focados em fortalecer a comunidade com eventos divertidos no Discord, nas redes sociais, e com transmissões ao vivo conduzidas pelo nosso gerente de comunidade, Milo.
Estamos ouvindo atentamente o feedback dos jogadores e planejamos continuar evoluindo Heroes junto com a comunidade.
Game On: Em relação à monetização, como manter o modelo free-to-play equilibrado com a promessa de acessibilidade e justiça entre os jogadores?
Evan Hill: A monetização é sempre um desafio em jogos free-to-play, e nossa abordagem em Blade & Soul Heroes foi garantir que todo o conteúdo principal fosse totalmente acessível sem gastar dinheiro.
Algumas batalhas são desafiadoras, mas foram projetadas para que habilidade e estratégia — e não gastos — sejam os principais fatores de sucesso.
Eu mesmo joguei o game várias vezes como jogador free-to-play antes do lançamento, para garantir isso. A monetização foi pensada para focar em conveniência e progressão mais rápida, não como uma exigência para aproveitar o jogo.
Os jogadores que quiserem estar no topo dos rankings ou colecionar todos os Heróis podem encontrar mais dificuldade sem investir, mas todos podem curtir o jogo completo e sentir-se recompensados, gratuitamente.
Game On: A arte e o estilo visual do jogo se aproximam bastante do anime moderno. Quais foram as principais referências para esse visual?
Evan Hill: Embora eu não possa falar diretamente pelas inspirações da equipe de arte, o objetivo deles foi reimaginar o mundo de Blade & Soul — aproveitando regiões e personagens já conhecidos — e dar a tudo isso um estilo novo e fresco, separado dos outros jogos do universo, mas ainda respeitando a estética original que os fãs conhecem e amam.
Game On: O que você gostaria que os jogadores entendessem sobre Heroes, além do clichê de “apenas mais um MMORPG”?
Evan Hill: O que faz Blade & Soul Heroes se destacar, para mim, é a capacidade de alternar perfeitamente entre combate em tempo real e por turnos, além da progressão cruzada entre PC e dispositivos móveis.
Eu adoro poder enfileirar uma luta mais simples no modo por turnos enquanto enfrento um chefe difícil em tempo real — ou deixar meus Heróis completando as missões diárias enquanto me concentro em batalhas estratégicas.
Também gostei muito da flexibilidade de jogar tanto no celular quanto no PC. Como jogador de PC de longa data, é ótimo poder relaxar e jogar no celular quando estou longe do computador, e depois voltar para batalhas mais intensas quando estou na mesa.
Heroes torna esse equilíbrio fácil — e é algo que, pessoalmente, eu realmente valorizo no jogo.
Game On: Qual é a importância dos jogadores brasileiros para a comunidade? Gostaria de deixar uma mensagem para eles?
Evan Hill: Somos imensamente gratos aos nossos fãs brasileiros na NC America! A paixão deles sempre foi evidente em títulos como Lineage, Aion e Blade & Soul, e é maravilhoso ver esse mesmo entusiasmo chegar agora a Blade & Soul Heroes.
Os jogadores brasileiros são uma parte vital da nossa comunidade global, e o feedback e a criatividade deles ajudam a moldar o jogo de maneiras realmente significativas.
Esperamos que continuem se divertindo explorando o mundo de Blade & Soul Heroes, descobrindo novas estratégias e se conectando com jogadores de todo o mundo.
A todos os nossos fãs no Brasil: obrigado pela energia, pelo apoio e por ajudarem a tornar Heroes uma comunidade vibrante e empolgante!
Conclusão
Com mais de 40 heróis jogáveis, combates dinâmicos e uma filosofia que prioriza acessibilidade e equilíbrio, Blade & Soul Heroes se apresenta como uma evolução natural da franquia — respeitando suas origens e, ao mesmo tempo, abrindo espaço para novas gerações de jogadores.
A entrevista com Evan Hill deixa claro que a NC America aposta em uma abordagem colaborativa, ouvindo o público e ajustando o jogo conforme o feedback global.
E, entre os fãs mais apaixonados, os brasileiros continuam se destacando — com entusiasmo, criatividade e uma presença marcante dentro da comunidade.
Como Hill resume com gratidão: “O Brasil é vital para o nosso sucesso. Vocês trazem uma energia única para o jogo — e isso é algo que nos inspira a continuar melhorando.”