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Crimson Moon encontra bons momentos, mas não aproveita seu potencial

Combate funciona, mas falta variedade para sustentar o resto da aventura

11 set 2026 - 19h47
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Crimson Moon encontra bons momentos, mas não aproveita seu potencial
Crimson Moon encontra bons momentos, mas não aproveita seu potencial
Foto: Reprodução / ProbablyMonsters

O embate entre forças divinas e infernais é um recurso clássico na indústria para criar universos de proporções épicas. Crimson Moon segue exatamente esse caminho ao colocar o jogador no controle de um Nefilim destinado a proteger a cidade de Gildenarch da aniquilação. No entanto, sustentar um conceito tão grandioso exige muito mais do que apenas jogar hordas de inimigos na tela. 

Misturar o peso do combate dos soulslikes com o ciclo de tentativas de um roguelite até rende bons confrontos. Outro grande acerto fica por conta da trilha sonora, que une metal e coros medievais para dar identidade às lutas contra os chefes. Mesmo com essas qualidades, a experiência logo perde fôlego ao esbarrar em uma narrativa genérica e em um sistema de loot repetitivo que joga contra o próprio ritmo da aventura. 

Trilha sonora épica para uma história que não decola

Em Crimson Moon, acompanhamos uma batalha literal entre anjos e demônios, na pele de um Nefilim, um ser meio humano e meio anjo que serve à Ordem da Lua Vermelha. Somos destinados a defender e livrar a cidade de Gildenarch de todo o mal que tomou conta do local, principalmente das criaturas conhecidas como Legião Infernal, responsáveis por levar a humanidade daquela região à beira da extinção. 

Com essa tarefa imposta ao nosso protagonista, a trama é bastante direta e honesta com o que deve ser feito: derrotar tudo que aparecer em nosso caminho até não sobrar mais ninguém e, assim, permitir que a cidade encontre seu momento de paz. Quando não estamos apenas lutando, o principal local para desenvolver mais a narrativa é o hub conhecido como Salão da Ordem. É nela que vamos passar boa parte das nossas idas e vindas, principalmente porque é na Mesa da Guerra que determinamos nossos próximos afazeres. 

Esse hub é o esperado do que vemos em muitos roguelites e roguelikes, sendo o lugar onde vamos conversar, comprar novos itens e aprimorar nossos equipamentos. Olhando apenas para a parte narrativa, porém, os personagens presentes aqui são bem desinteressantes, muito pelo fato de serem bastante clichês, beirando o estereótipo de soldados que seguem apenas uma missão sem questionar nada. 

Foto: Reprodução / Matheus Santana

É uma pena que eles acabem sendo reduzidos a isso, já que jogos que abraçam de vez a proposta de serem roguelites ou soulslikes, como é o caso de Crimson Moon, que mistura os dois gêneros, têm como ponto forte desenvolver a trama por meio dos diálogos. Não é o caso aqui, fazendo com que a narrativa funcione muito mais como um pano de fundo do que como algo épico, como poderia ser pelo próprio conceito escolhido para a história. 

O que move Crimson Moon é justamente seu combate. Ele é um híbrido do que vemos em jogos souls, principalmente por conta das funcionalidades que possui, e não necessariamente pelo nível de desafio. É um combate bem simples, no qual nosso personagem possui um arsenal limitado de armas que vai coletando com o tempo nas fases, além de ser bastante responsivo na maneira como os golpes acertam e como os inimigos reagem a eles. 

Um ponto bastante positivo que ajuda até mesmo as batalhas presentes no jogo é sua trilha sonora, que adota um estilo mais medieval, com o uso de coro em alguns momentos, além de misturar essa temática com o metal. Isso tornou alguns confrontos contra chefes bastante memoráveis, principalmente pelo embalo da luta acompanhado pela trilha que estava tocando. 

Sobre a parte roguelite, a sensação que tive é que o jogo a tornou bastante acessível no momento em que nosso personagem perece e ainda temos um continue para seguir. Essa quantidade, inclusive, pode aumentar com o tempo, tornando tudo ainda mais fácil e menos frustrante. Por outro lado, a parte de loot e de coletar novas habilidades se mostrou bastante limitada. 

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Mesmo concluindo uma fase e partindo para a próxima, a chance de encontrar o mesmo aprimoramento e até mesmo as mesmas armas novamente é alta, dando aquela sensação de déjà-vu, mesmo com as fases tendo sido trocadas. Isso torna a gameplay um loop de repetição que não deveria acontecer, ainda mais em um roguelite, gênero que permite brincar bastante com a ideia de mudar constantemente a experiência. 

Outro ponto que foi muito pouco aproveitado são as próprias fases. Ter escolhido a ideia de anjos contra demônios poderia ter resultado em algo muito mais épico do que o jogo tenta vender. Até existem cenários coerentes com essa proposta, principalmente nas fases iniciais, que possuem um tom melancólico por conta da invasão. O próprio hub também tem um ar angelical e funciona como um local mais esperançoso, mas esses contrastes acabam aparecendo apenas em alguns lugares que dá para contar nos dedos. 

Tratando-se de um título que usa a Unreal Engine 5 como motor gráfico, não tenho nada a reclamar da maneira como ele rodou no PlayStation 5. Não tive nenhum problema durante as lutas contra chefes ou em locais mais detalhados. Mesmo jogando no modo Desempenho, a diferença para o modo Qualidade é quase imperceptível, o que tornou a opção com mais frames a melhor escolha. É louvável ver a engine conseguindo entregar um desempenho alto sem abrir mão da qualidade gráfica. 

Considerações

Crimson Moon - Nota 7
Crimson Moon - Nota 7
Foto: Divulgação / Game On

Crimson Moon tem uma boa base, principalmente quando coloca seu combate em primeiro plano, mas acaba deixando algumas de suas ideias mais interessantes sem o desenvolvimento necessário. A mistura de soulslike com roguelite poderia render uma aventura bem mais marcante, porém a repetição e a pouca variedade acabam limitando o resultado. Ainda assim, o bom desempenho no PS5 e uma trilha sonora que funciona especialmente bem nos confrontos ajudam a manter a experiência em um nível competente. 

Crimson Moon está disponível para PC, PlayStation 5 e XBOX Series.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela ProbablyMonsters.

Fonte: Game On
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