Bubsy 4D revive o mascote mais exagerado dos anos 90 em uma aventura espacial
Bubsy retorna com exploração mais aberta, humor cheio de referências e uma aventura espacial inspirada nos clássicos da franquia
Durante os anos 90, Bubsy virou um daqueles personagens que muita gente lembra justamente pelo exagero. O felino apareceu em uma época em que mascotes de plataforma surgiam o tempo inteiro tentando repetir o sucesso de Sonic e Mario, mas acabou criando uma fama própria graças ao humor, frases exageradas e jogos que dividiram bastante opiniões ao longo dos anos.
Depois de passar décadas praticamente desaparecido, Bubsy retorna tentando encontrar espaço novamente em um cenário muito diferente daquele em que nasceu. Em vez de simplesmente copiar o estilo dos jogos antigos, Bubsy 4D procura atualizar a franquia, mantendo o jeito exagerado do personagem, mas colocando-o em uma aventura muito maior, cheia de exploração, humor autorreferente e várias brincadeiras com o próprio passado da série.
Bubsy está de volta
Em Bubsy 4D, os Woolies roubam todas as ovelhas da Terra, mas a situação muda quando os próprios animais assumem o controle da tecnologia dos invasores e retornam como BaaBots, criaturas determinadas a encontrar o lendário Velocino de Ouro de Bubsy. A partir disso, o felino embarca em uma jornada espacial ao lado de aliados de longa data, atravessando planetas inspirados em materiais de artesanato em uma aventura bastante nostálgica para fãs antigos da franquia.
Algo até engraçado da história é como o jogo brinca com o fato de Bubsy estar há muito tempo longe de novas aventuras, tirando sarro da própria franquia por ter passado décadas sem um jogo inédito. Agora, Bubsy vive ao lado de personagens que praticamente se tornaram sua família, como Oblivia, seus sobrinhos Terry e Terri, além do amigo Vincent.
Mesmo repetindo a presença dos Woolies e reaproveitando elementos vistos em jogos anteriores da série, a história consegue ser bem amarrada e divertida de acompanhar. Claro que quem conhece mais da franquia vai aproveitar melhor as referências espalhadas pelo jogo, mas ainda assim funciona como uma ótima porta de entrada para quem nunca teve contato com a série.
As fases adotam um estilo mais amplo, bem inspirado em jogos como Mario 3D, permitindo explorar boa parte dos níveis para coletar itens espalhados pelo mapa, como bolas de lã e caixas de areia que funcionam como checkpoints e recuperam nossa vida. Cair na água, por exemplo, faz Bubsy perder parte dela, além de existirem outras formas de tomar dano durante a exploração.
Essa semelhança com os jogos da Nintendo não fica apenas na estrutura das fases. Antes de entrar em cada planeta, Bubsy permanece em uma nave que funciona como hub principal, usando um mapa da galáxia para escolher os destinos, revisitar fases antigas e buscar itens que ficaram para trás para completar a porcentagem total de cada área.
Claro que ter essas inspirações passa longe de ser algo ruim. Inclusive, uma das melhores partes do jogo é justamente como os planetas são construídos de forma mais aberta, sempre com várias fases conectadas dentro de um mesmo mundo, em vez daquele formato tradicional de terminar uma fase e imediatamente seguir para outra. Existe toda uma progressão até alcançar o chefe do planeta e avançar para a próxima aventura.
A jogabilidade entrega exatamente o que se espera de um jogo de plataforma com fases mais abertas. Bubsy pode planar, bater os pés no ar para prolongar os saltos, escalar certas superfícies usando as garras e ainda utilizar uma habilidade nova em que se transforma em uma bola de pelo para ganhar velocidade em descidas longas. Existem também outras pequenas formas de movimentação que combinam bastante com o jeito ágil de um felino.
Sendo bem sincero, a jogabilidade funciona como um feijão com arroz bastante competente. Em nenhum momento senti que os controles estavam engessados ou algo parecido, principalmente considerando que estamos falando do retorno de uma franquia bastante antiga que até teve desenho animado que se tornou lost media. Ao mesmo tempo, senti que faltou um pouco mais de ousadia para fazer esse retorno se destacar ainda mais.
Meu único porém fica mais por conta da câmera, que nem sempre acompanha bem os movimentos rápidos do Bubsy. Em alguns momentos, ela parece perdida e acaba atrapalhando durante saltos entre plataformas. Também senti bastante falta do personagem falando mais durante as ações, algo que era bem característico dos jogos antigos. Nesse novo título, isso aparece bem menos e muitas vezes fica apenas em pequenos resmungos em vez das frases exageradas de antigamente.
Considerações
Bubsy 4D funciona melhor justamente quando abraça o lado mais estranho e exagerado da franquia. A exploração dos planetas, o clima nostálgico e a estrutura mais aberta das fases ajudam bastante a tornar a aventura divertida, principalmente para quem sente falta daquele estilo clássico de jogos de plataforma 3D.
Mesmo sem reinventar muita coisa, o retorno do personagem consegue entregar uma experiência competente e muito mais agradável do que muita gente provavelmente esperaria de um novo Bubsy. Alguns problemas com a câmera e a falta das falas exageradas do personagem acabam pesando um pouco, mas ainda assim o jogo consegue fazer o felino voltar de uma forma bem mais divertida do que seus últimos anos fariam imaginar.
Bubsy 4D chega em 22 de maio para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Switch, Switch 2, Xbox One e Xbox Series.
Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Atari.
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