Vasco blinda Diego Souza após gol perdido contra Corinthians
25 mai2012 - 10h12
(atualizado às 11h11)
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"Não foi o Diego Souza que perdeu, foi o Vasco". A frase dita pelo diretor de futebol, Daniel Freitas, após o treino desta quinta-feira, em São Paulo, ilustra bem a blindagem que o clube tem feito com Diego Souza após a eliminação na Copa Libertadores. Cristovão e alguns jogadores também saíram em defesa. Há uma preocupação para que, de herói em momentos importantes pelo Vasco, ele não se torne vilão.
"Não seria justo colocar uma eliminação em cima de um jogador só. Ele teve uma grande oportunidade na partida? Sem dúvida alguma, todos viram que teve. Mas o Diego é um jogador muito importante e que já nos ajudou em muitos momentos importantes. No futebol, ninguém ganha e ninguém perde sozinho", lembrou Daniel.
Ainda no gramado, Diego Souza até conversou por alguns minutos com a imprensa sobre a chance desperdiçada, dando méritos ao goleiro rival. Depois, na zona mista, não quis dar entrevista, passou em silêncio, visivelmente abatido.
Nesta quinta, assim como grande parte dos titulares, o apoiador não treinou no CT do Palmeiras. Fez um trabalho no hotel. Segundo pessoas próximas, ele passou o dia de cara fechada e com poucas palavras, diferentemente de como costuma agir no dia a dia um dos líderes do grupo, sempre conversando.
Desde que chegou ao Vasco, Diego vem alternando jogos acima da média e outros muito abaixo. Dificilmente há meio termo. Capaz de passar 90 minutos despercebido ou de fazer um lance genial, um golaço, em questão de segundos. A torcida, que tanto o exaltou em outros momentos, não poupou críticas após a eliminação.
Na web, críticas e piadinhas
A eliminação vascaína na Copa Libertadores e o gol perdido por Diego Souza foram alvo de muitas críticas e até de piadinhas durante toda essa quinta. No Twitter, por exemplo, o nome do camisa 10 cruzmaltino ficou por toda a manhã e parte da tarde entre os primeiros nos trending topics do Brasil (assuntos mais comentados do país na rede social). Mas houve também quem saísse em defesa do time eliminado e do próprio jogador vascaíno.
Durante o dia, um carro estacionado em uma rua da Zona Sul do Rio de Janeiro também chamou atenção, repleto de mensagens coladas com piadinhas sobre a eliminação vascaína. Algumas delas citando Diego Souza. Quem passava pelo local, curioso, logo tirava fotos e compartilhava nas diversas redes sociais.
Família sofre no Pacaembu
O pai de Diego Souza, Marcos, e seu irmão mais novo, Diogo, compareceram a muitos jogos do Vasco nesta Copa Libertadores, até mesmo fora do Brasil. Na quarta-feira, estiveram em São Paulo e sofreram bastante na arquibancada com as críticas.
Assim que o apoiador desperdiçou boa chance de gol, no segundo tempo, grande parte da torcida vascaína começou a vaiar e xingar bastante o jogador, sem saber da presença de seus familiares por perto, na arquibancada do Pacaembu. Chateados coma situação, Marcos e Diogo assistiram a tudo em silêncio, de cara fechada.
Além de Diego Souza, Cristóvão Borges também foi bastante criticado pela torcida vascaína. Alguns pediram sua saída do comando do time. Não é a primeira vez que isso acontece na atual temporada.
Cássio fez grande defesa em chute de Diego Souza e salvou o Corinthians
A eliminação do Fluminense diante do Boca Juniors nas quartas de final da Copa Libertadores da América de 2012 foi apenas o capítulo mais recente dos fracassos de clubes brasileiros diante do mais popular clube da Argentina. Antes disso, o Boca já havia eliminado times do País em 17 vezes entre as principais competições sul-americanas. Relembre o retrospecto:
Foto: Getty Images
O Palmeiras, campeão da Libertadores de 1999, parecia caminhar triunfante para o bicampeonato em 2000. Porém, o Boca Juniors apareceu para atrapalhar e fez dois jogos dramáticos na decisão, com um 2 a 2 na Argentina e um 0 a 0 em São Paulo - nos pênaltis, vitória auriazul por 4 a 2. Os corintianos festejaram, mas passaram por situação parecida em 1991, nas oitavas de final: 3 a 1 para o Boca lá, e empate por 1 a 1 aqui.
Foto: AFP
Campeão brasileiro em 2000, o Vasco da Gama não mostrou muita força nas quartas de final da Libertadores de 2001, quando perdeu para o Boca Juniors por 1 a 0 em casa e 3 a 0 fora - Guillermo Barros Schelotto fez três dos quatro gols. Curiosamente, dez anos antes, o Flamengo caía na mesma fase: apesar de vencer no Brasil por 2 a 1, perdeu fora de casa por 3 a 1.
Foto: AFP
Nas semifinais da Libertadores de 2001, o Palmeiras parecia ter aprendido o caminho para dar o troco da derrota na final do ano anterior. Se passasse, já estaria no Mundial Interclubes, pois o outro finalista era o Cruz Azul, sem filiação à Conmebol. Porém, qual não foi a surpresa? Empate por 2 a 2 na Argentina, por 2 a 2 em São Paulo e nova queda nos pênaltis: 3 a 2.
Foto: Getty Images
A passagem do Paysandu pela Libertadores de 2003 deixou saudades entre os torcedores de diversos times, graças à boa campanha na primeira fase - com direito a uma vitória fora de casa sobre o Cerro Porteño por 6 a 2. O time parecia fazer mágica nas oitavas de final, quando venceu o Boca Juniors em La Bombonera por 1 a 0, gol de Iarley; no entanto, apanhou por 4 a 2 no Estádio do Mangueirão e viu os argentinos irem adiante.
Foto: AFP
Em 2003, Santos e Boca Juniors se reencontravam na final de uma Libertadores, 40 anos de disputarem o título com vitória de Pelé e companhia; desta vez, porém, a geração de Diego e Robinho levou a pior e teve que amargar duas derrotas, com 2 a 0 para o Boca na Argentina (Marcelo Delgado fez duas vezes) e 3 a 1 no Estádio do Morumbi (Tévez, Delgado e Schiavi marcaram, e Alex descontou)
Foto: Gazeta Press
Sensação do Brasil na primeira metade da última década, o São Caetano também não foi poupado da "maldição" do Boca Juniors. Nas quartas de final da Copa Libertadores de 2004, o time paulista ficou no 0 a 0 em casa e empatou fora por 1 a 1. Nas cobranças de pênaltis, deu Boca Juniors, por 4 a 3. O time argentino foi até as finais, mas acabou surpreendido pelo Once Caldas, que foi campeão.
Foto: AFP
O Internacional ainda era um time em construção quando, em 2004, cruzou o caminho do Boca Juniors nas semifinais da Copa Sul-Americana. Derrotado por 4 a 2 no Estádio de La Bombonera na partida de ida (foto), o Inter pouco conseguiu fazer no Estádio do Beira-Rio na volta, quando conseguiu apenas o empate por 0 a 0. Na decisão, os argentinos conquistaram o título sobre o Bolívar: derrota por 1 a 0 fora de casa, vitória por 2 a 0 na Argentina.
Foto: AFP
A eliminação do ano anterior parecia ter valido algo para o Internacional quando, em 2005, o time cruzou o caminho do Boca Juniors mais uma vez na Copa Sul-Americana - desta vez, pelas quartas de final. Na partida de ida, no Brasil, os colorados venceram por 1 a 0, graças a um gol de Fernandão nos acréscimos; porém, na volta, o Boca deu o troco e venceu por 4 a 1, graças a três gols de Rodrigo Palacio e um de Martín Palermo - Rafael Sóbis descontou
Foto: Gazeta Press
Disputada em setembro de 2006, a Recopa Sul-Americana de 2005 reuniu os campeões de 2005 da Libertadores (São Paulo) e da Copa Sul-Americana (Boca Juniors). Adivinha o que aconteceu? O Boca venceu em casa por 2 a 1 e segurou o 2 a 2 no Estádio do Morumbi. Aliás, em 1994, os dois já haviam se enfrentado nas semifinais da Supercopa da Libertadores, e o Boca também levou a melhor: venceu em casa por 2 a 0 e perdeu fora por 1 a 0.
Foto: Gazeta Press
A final da Libertadores de 2007 entre Grêmio e Boca Juniors reuniu dois times em condições técnicas muito distintas - e o placar resumiu bem tamanha diferença, com vitórias do Boca por 3 a 0 em Buenos Aires e 2 a 0 em Porto Alegre (foto). Em compensação, nas semifinais da Supercopa da Libertadores de 1989, o páreo foi mais duro: 0 a 0 no Rio Grande do Sul e 2 a 1 para eles na Argentina
Foto: AFP
Na Libertadores de 2008 (foto), o Cruzeiro caiu diante nas oitavas, com derrotas por 2 a 1 lá e cá. Antes disso, em 1977, os dois times fizeram finais equilibradas na competição: o Boca venceu por 1 a 0 na Argentina (gol de Veglio) e o Cruzeiro devolveu o placar no Brasil (Nelinho fez). O título só saiu em um jogo-extra em Montevidéu, nos pênaltis (5 a 4) após um 0 a 0. Em compensação, o Atlético-MG sofreu em 1978, lanterna do triangular semifinal, com duas derrotas para o Boca.