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Traumatismo cranioencefálico em esportes de contato: quando o impacto vai além do jogo

Especialista alerta para riscos neurológicos muitas vezes ignorados por atletas e treinadores

1 abr 2026 - 20h15
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Médico Messias Eduardo
Médico Messias Eduardo
Foto: Arquivo pessoal / Esporte News Mundo

O esporte é amplamente reconhecido como um aliado da saúde física e mental, promovendo disciplina, superação e qualidade de vida. No entanto, em modalidades de contato físico intenso - como futebol, artes marciais, boxe, rugby e futebol americano - existe um risco que ainda costuma ser subestimado: o traumatismo cranioencefálico (TCE).

De acordo com o médico neurocirurgião Messias Eduardo, impactos na cabeça, mesmo quando aparentemente leves, podem provocar alterações importantes no funcionamento do cérebro. O TCE ocorre quando o cérebro sofre uma aceleração ou desaceleração brusca após um impacto na cabeça ou no corpo, fazendo com que o órgão se movimente dentro do crânio. Esse movimento pode gerar microlesões nas conexões neuronais, responsáveis pela comunicação entre diferentes regiões cerebrais.

- Muitas pessoas acreditam que só existe lesão quando o atleta perde a consciência, mas isso não é verdade. O cérebro pode sofrer danos mesmo sem o chamado 'apagão' - explicou o especialista.

Após um impacto, o organismo pode apresentar sintomas que nem sempre são imediatamente percebidos. Entre os sinais mais comuns estão dor de cabeça persistente, tontura, náuseas, dificuldade de concentração, lapsos de memória, lentidão de raciocínio e alterações de humor, como irritabilidade ou apatia. Em alguns casos, esses sintomas podem surgir apenas horas depois do trauma, o que faz com que muitos atletas continuem jogando sem perceber que já sofreram uma lesão cerebral.

O chamado TCE leve, frequentemente associado às concussões, também merece atenção. Apesar de muitas vezes ser tratado como algo comum dentro do ambiente esportivo, pesquisas indicam que a repetição de concussões pode gerar efeitos cumulativos ao longo do tempo. Esses impactos repetidos têm sido associados, em alguns estudos, a alterações cognitivas, distúrbios de humor e até ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas no futuro.

Em esportes de contato, situações como cabeçadas frequentes no futebol, quedas em artes marciais, choques corporais ou golpes diretos na cabeça aumentam significativamente esse risco, especialmente quando o atleta retorna às atividades sem um período adequado de recuperação.

Segundo o médico Messias Eduardo, qualquer atleta que apresente sintomas neurológicos após um impacto deve ser retirado imediatamente da atividade e submetido a uma avaliação médica. O retorno precoce ao esporte pode expor o cérebro a um novo trauma em um momento de maior vulnerabilidade. Essa condição, conhecida como síndrome do segundo impacto, pode provocar consequências neurológicas graves e potencialmente permanentes.

Por isso, o retorno ao esporte deve ser feito de maneira gradual e individualizada, respeitando critérios clínicos e cognitivos e, quando necessário, incluindo exames

complementares ou avaliações neuropsicológicas. Mais do que manter o desempenho esportivo, a prioridade deve ser a preservação da saúde neurológica do atleta.

Embora os riscos não possam ser totalmente eliminados em esportes de contato, a prevenção ainda é considerada a estratégia mais eficaz. O uso adequado de equipamentos de proteção, o respeito às regras das modalidades, a fiscalização rigorosa em competições e a educação de atletas, treinadores e familiares sobre sinais de alerta são medidas fundamentais para reduzir a ocorrência de traumatismos cranianos.

Para o especialista, também é essencial que exista uma mudança cultural dentro do ambiente esportivo, valorizando o repouso e a recuperação após impactos na cabeça. Sintomas como dores de cabeça frequentes, falhas de memória ou mudanças de comportamento não devem ser vistos como algo "normal do esporte".

- O cérebro não esquece os impactos que recebe ao longo da vida. Cuidar da saúde

cerebral é garantir não apenas o desempenho esportivo, mas também qualidade de vida no presente e no futuro - ressaltou o médico.

O médico Messias Eduardo é neurocirurgião com atuação na cidade de São Paulo e é reconhecido pelo trabalho nas áreas de cirurgia funcional, doença de Parkinson e tratamento da dor crônica. O especialista atua em centros de referência no tratamento de doenças neurológicas complexas e participa frequentemente de ações de educação em saúde, contribuindo para a disseminação de informação médica qualificada à população.

Esporte News Mundo
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