Parada há um mês, Clijsters mantém "frescor" para voltar nos EUA
Kim Clijsters não jogou nem mesmo uma partida no circuito do tênis profissional feminino em fevereiro, depois de sua desastrosa - e de certa forma inexplicável - derrota diante de Nadia Petrova, na terceira rodada do Aberto da Austrália. Caso isso tivesse acontecido cinco anos atrás, Clijsters provavelmente teria apanhado o primeiro avião para um torneio menor em Memphis, Paris ou Dubai, a fim de reconquistar a forma. Hoje em dia, porém, as prioridades da tenista são muito diferentes.
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"Minha principal preocupação é evitar lesões e manter o frescor mental para cada torneio", disse , 26, na segunda-feira. "Estou concentrada em ser esposa, mãe e atleta".
Na última semana, Clijsters e o marido, Brian Lynch, levaram a filha Jada a Nova York para celebrar o segundo aniversário da menina. Na noite de segunda-feira, a tenista jogou pela Billie Jean King Cup, no Madison Square Garden, sua primeira visita ao ginásio de esportes de Manhattan em quase 10 anos. Perdeu para Venus Williams por 6/4, 3/6 e 7/5.
"Agora volto para minhas funções como mãe", disse Clijsters. "Essa espécie de evento é realmente especial, e para mim foi uma inspiração estar aqui".
Quando Clijsters venceu o Aberto dos Estados Unidos, em setembro, no seu terceiro torneio depois de um afastamento de dois anos ¿ motivo muito em função do nascimento de Jada ¿, foi elogiada pelos nervos e aço e pelo avanço de seu jogo nos momentos de pressão.
"Eu acho que seu desempenho foi brilhante em Nova York", disse Virginia Wade, ex-tenista britânica que, com três títulos de Grand Slam, está na galeria da fama do esporte. "Sua capacidade de encontrar novas energias e sua persistência foram imensas".
A persistência pode ser atribuída em parte ao fato de que ela se tornou mãe, mas existe certa incerteza quanto à capacidade da tenista de continuar jogando em nível muito elevado caso decida participar de um número muito inferior de torneios.
"Creio que será um pouco mais difícil para ela voltar às quadras a cada vez e jogar extremamente bem, como aconteceu no Aberto dos Estados Unidos", disse Wade.
A partida de exibição da última segunda-feira no Madison Square Garden serviu como uma espécie de prelúdio para o início da passagem norte-americana do circuito feminino neste mês, com torneios em Indian Wells, na Califórnia, e Miami, na Flórida.
"Isso me ajudará a jogar em Indian Wells", disse Clijsters. "Na minha primeira carreira, tive muitas vitórias fáceis, mas agora as rodadas iniciais de um torneio são tão complicadas quanto as posteriores. Muitas das grandes jogadoras precisam tomar consciência de que as novatas estão ansiosas por nos derrotar".
Em uma campanha que a Associação de Tênis dos Estados Unidos fez coincidir com as partidas de exibição em Nova York, as jogadoras novatas terão a oportunidade de se inscrever para jogar tênis em centenas de locais públicos, parques, agências de recreação e clubes comerciais, como parte do evento Tennis Night in America.
"Historicamente, nós usávamos o mês de maio para promover o chamado mês do tênis", disse Kurt Kamperman, diretor de tênis comunitário na associação. "Vincular a ideia à Billie Jean King Cup nos permitiu prolongar a temporada".
No total, 735 instalações esportivas distribuídas pelo território dos Estados Unidos que se registraram para receber milhares de crianças em programas de tênis na primavera e verão. A associação também lançou uma nova iniciativa de ensino, a QuikStart, que Kamperman espera ajude a atrair mais crianças ao esporte.
"Compreendemos que as crianças querem começar a jogar mais cedo, mais novas", disse Kamperman. "O QuikStart permite que os pais participem com os filhos, montem uma rede diante de suas casas e também se tornem praticantes".
Quanto à filha de Clijsters, seu envolvimento com o tênis vem na forma de um elemento essencial à segunda carreira da mãe. Clijsters tenta tomar café da manhã com a menina ou passar algumas horas com ela em todos os seus dias de folga. Na viagem a Nova York, elas passearam de carruagem em torno do Central Park.
"Jada é uma boa menina", disse Clijsters. "Dorme bem e não demora demais a se ajustar". Algo que Clijsters também está tentando aprender a fazer, e pela segunda vez.
Tradução: Paulo Migliacci