"Rei" do Brasil, Almagro brinca sobre comprar casa no País
- Henrique Moretti
- Direto de São Paulo
Durante a semana, Nicolás Almagro já mostrou admiração por Gustavo Kuerten, agradeceu ao público de São Paulo e da Costa do Sauípe (Bahia) e preparou uma camisa escrita à caneta para homenagear o Brasil. O próximo passo do maior campeão da história do Aberto do Brasil, agora com três títulos, pode ser comprar uma casa no País.
"Eu esperava que me dessem uma de presente", afirmou ele, rindo, quando questionado sobre o assunto em entrevista neste domingo. O assunto surgiu a partir da pergunta de um jornalista que citou Juan Carlos Ferrero como exemplo, visto que o ex-número um do mundo e campeão de Roland Garros em 2003 tem uma residência na praia de Guarajuba, a 42 km de Salvador, na Bahia.
Na hora de formular a questão, o repórter se confundiu e chamou Almagro de Juan Carlos. "Juan Carlos?", disse o 11º colocado do ranking, interrompendo a pergunta e provocando risos na sala de imprensa. "Gostaria, gostaria de sê-lo porque ganhou Roland Garros".
Depois, Almagro falou mais seriamente sobre a possibilidade. "Juan Carlos comprou faz tempo uma casa em Guarajuba e quando tem tempo sempre vai para lá passar alguns dias. (Costa do) Sauípe era bonito, Guarajuba também. Tomara que quando me aposente possa ter muito dinheiro e poder ter uma casa aqui no Brasil e poder desfrutar disso", afirmou ele, que engordou a conta bancária em US$ 85,8 mil (R$ 147,1 mil) com a terceira conquista no País.
A residência de Ferrero ficava a aproximadamente 40 km da Costa do Sauípe, onde o Brasil Open era organizado entre 2001 e 2011. O tenista conquistou o título do torneio em 2010 e, nesta temporada, em São Paulo, foi eliminado na primeira rodada pelo argentino Leonardo Mayer.
Já Almagro manteve o bom retrospecto independentemente da mudança de sede e bateu o italiano Filippo Volandri por 6/3, 4/6 e 6/4 na final de domingo, no Ginásio do Ibirapuera lotado, para faturar o inédito tricampeonato e superar a marca de Gustavo Kuerten, que soma troféus em 2002 e 2004.
"Mas no dia de hoje é difícil", prosseguiu o espanhol. "Gosto do Brasil, porém, se tenho que vir algum tempo aqui viria a um hotel e tentaria conhecer muitas cidades que creio que são bonitas: Rio (de Janeiro), São Paulo, Belo Horizonte, Recife... veem? Estudei nesta manhã também", brincou, dirigindo-se aos jornalistas.
Almagro utilizou a palavra "também" porque, como já havia contado no início da entrevista, foi na manhã deste domingo que ele preparou uma camiseta especial com os dizeres "eu" e "Brasil" escritos à caneta, acompanhados dos desenhos de um coração e de duas bandeiras do País. Ele colocou a camisa após superar Volandri e compareceu à sala de imprensa com a vestimenta.
Questionado sobre os dois títulos anteriores na Bahia, o tenista se recusou a apontar algum deles como o mais saboroso. "Em 2008 ganhei de (Carlos) Moyá em uma final duríssima (por 7/6, 3/6 e 7/5). No ano passado foi o começo de uma gira que nem sonhava ter: ganhei no Brasil, ganhei em Buenos Aires e estive muito perto de ganhar em Acapulco e fazer o triplete em três semanas", disse, lembrando que na última temporada o título no México não veio devido à uma derrota por 6/7 (4-7), 7/6 (7-2) e 2/6 para o compatriota David Ferrer.
"Todos (os títulos) têm uma recordação grande em meu coração e seria muito difícil escolher um. Fico com os três e tomara que no ano que vem sejam quatro", completou Almagro, que enquanto não ganha Roland Garros se contenta com a hegemonia no Brasil.
O tenista, 26 anos, quadrifinalista do Grand Slam francês em 2008 e 2010, buscará nas próximas duas semanas o triplete que não veio em 2011. De São Paulo, ele parte para competir em Buenos Aires e Acapulco.