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Aos 37 anos, Federer se mantém no topo em meio a talentos da "nova geração"

8 ago 2018
08h40
atualizado às 10h22
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O dia 08 de agosto sempre será lembrado pelos amantes do tênis como o dia do nascimento de quem mudou, de forma definitiva, o esporte da bolinha amarela. Ser o maior campeão Grand Slams da história, o tenista com mais semanas como líder do ranking da ATP e um dos atletas mais bem pagos da história são algumas das marcas irrefutáveis de Roger Federer, que aos 37 anos se tornou uma exceção em um momento no qual dezenas de jovens começam a "mostrar a cara" nos principais torneios mundiais.

Atual número dois do mundo, o suíço não deixa de surpreender pelo amor ao esporte mesmo já tendo conquistado absolutamente tudo em sua carreira. A própria colocação no ranking com uma idade avançada é uma mostra disso, já que outros jogadores de altíssimos nível mal conseguiram figurar entre os 100 melhores do mundo ao passarem dos 30 anos, caso de Lleyton Hewitt, ex-número um do mundo que encerrou sua trajetória perto dos 35 anos e que foi figurante no circuito desde 2010, seis anos antes de parar de jogar profissionalmente.

Em um período no qual o tênis era marcado por pontos extremamente curtos, pouca dinâmica e muito jogo na rede, Federer começou a se destoar no começo do século ao jogar com extrema precisão, tanto com seu excelente serviço e jogo na rede, quanto no fundo de quadra mostrando um repertório vasto de golpes e variações. Fazendo o que poucos ainda compreendiam, o suíço dominou o cenário mundial e conquistou tudo o que era possível em um calendário que parecia muito curto para o talento do novo atleta prodígio.

A situação favorável de Federer é ainda mais surpreendente se levarmos em conta o vasto número de tenistas que já estão tendo resultados expressivos mesmo com pouquíssimos anos como profissional. Alexander Zverev, Dominic Thiem, Andrey Rublev, Stefanos Tsitsipas, Borna Coric e Denis Shapovalov são alguns dos nomes que despontam como possíveis candidatos a desbancarem o domínio que Federer e Nadal tiveram no século XXI, mas que ainda se deparam com um tenista que, mesmo perto dos 40 anos, ganha repetidamente o que muitos almejam ter ao menos uma vez na carreira.

Curiosamente, o dia 08 de agosto também é aniversário de Félix Auger-Aliassime, que completa 18 anos e se tornou o primeiro jogador nascido nos anos 2000 a ganhar uma partida em nível ATP ao derrotar o também canadense Vasek Pospisil no Masters 1000 do Canadá. O garoto é considerado umas das promessas do tênis e pode ser mais um com nome vencedor da nova geração do tênis.

Com 98 títulos, Federer tem como motivação não apenas chegar ao centésimo troféu, mas também manter seus números o mais altos possíveis para evitar que Rafael Nadal ou Novak Djokovic consigam feitos ainda maiores, já que os dois têm aproximadamente cinco anos a menos que o suíço e devem permanecer conquistando vitórias por mais algum tempo.

Apesar de milhões de fãs afastarem a ideia de que, um dia, Roger Federer não jogará mais tênis de forma profissional, os anos de 2015 e 2016 foram muito difíceis para o suíço e a imagem de um mundo esportivo sem ele ficou cada vez mais concreta.

No entanto, após sete meses parado por causa de uma lesão no joelho (o primeiro problema físico em sua carreira), Federer voltou ainda melhor e quebrou um jejum de quase cinco anos sem um Grand Slam ao vencer, de forma impecável, o Aberto da Austrália em 2017. Pouco depois, ainda relembrou os velhos tempos de domínio e ganhou mais dois Majors, sendo um deles Wimbledon, torneio mais tradicional do tênis e onde o suíço já reinou em oito oportunidades.

São várias as caraterísticas marcantes de Roger Federer e é difícil decidir qual a principal. Precisão, inteligência, tomada de decisões rápidas e talento de sobra são algumas das qualidades dentro de quadra, sem ao menos destacar a importância de ser uma referência para um esporte que sobrevive e se renova com o surgimento de novos atletas independentes.

Ainda não se sabe quando o suíço de fato irá encerrar sua carreira. Em meio a tantas dúvidas e surpresas, o que se sabe é que esse esporte jamais seria o que é agora se, em meio a tantas modalidades que praticou na infância, Roger Federer tivesse preferido amar o tênis, apenas, como um apaixonado espectador.

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva

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