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Brasileirão tem número inédito de times disputando título

Competição tem maior número de líderes em uma mesma edição desde 2006

4 out 2018
05h11
atualizado às 16h41
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Uma das mais disputadas edições do Campeonato Brasileiro de pontos corridos desde a temporada 2006, quando o torneio neste sistema adotou o formato com 20 clubes, caminha para uma sequência de rodadas duras e decisivas ao fim das quais se acredita que, enfim, o funil aperte para um ou dois favoritos ao título. No momento, a curta distância do quinto ao primeiro colocado não permite descartar nenhum dos postulantes.

Dudu comemora gol pelo Palmeiras
Dudu comemora gol pelo Palmeiras
Foto: Paulo Whitaker / Reuters

Hoje, a tabela traz Palmeiras (53), Internacional (53), São Paulo (52), Grêmio (50) e Flamengo (49) vivíssimos no páreo. O time liderado por Felipão, que assumiu a dianteira no fim de semana, é o sétimo líder no ano, um recorde nas últimas 13 disputas. Até hoje, o máximo numa mesma edição eram seis.

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Além do Palmeiras, já sentiram o gostinho de liderar a tabela e olhar para os rivais de cima para baixo o Flamengo (13 rodadas), São Paulo (oito), Internacional (duas), Atlético-MG, Atlético-PR e até o Corinthians (uma cada). "O campeonato ser equilibrado, é circunstancial. O que não é equilibrado é a pontuação elevada de vários times lá na frente. Por exemplo, a zona de Libertadores deste ano vai ser de elite. Muito clube que diz que vai chegar, não vai", aponta o matemático Tristão Garcia, que atualiza no site Infobola, jornada a jornada, as chances de cada equipe ser campeã da competição nacional.

Agora, os números do matemático apontam o Palmeiras com 38% de possibilidades, seguido por Inter (34%), São Paulo (16%), Grêmio (8%), Flamengo (3%) e Atlético-MG (1%). Pelas contas de Tristão, o campeão brasileiro deste ano deverá fechar a competição com 78 pontos. Já o número mágico a quem quiser garantir vaga direta na fase de grupos da Libertadores de 2019, ou seja, acabar o ano no G-4, é 68. Com 60, será provável carimbar lugar no G-6. Na parte de baixo da tabela, 45 deverá salvar quem luta para não cair para a Série B.

"Tudo isso pode ir mudando de acordo com o desempenho dos times", pondera o especialista, que tem um cálculo especial aos interessados no caneco do Brasileiro: pelas suas contas, quem somar, em média, dois pontos por jogo, garante a taça. À essa altura, com 27 rodadas, o postulante ideal ao título precisaria estar com 54 pontos, exatamente um a mais do que Palmeiras e Inter. Ocorre que há mais gente próxima da meta, como o São Paulo (52), o que reforça a ideia de se estar diante de uma das edições mais equilibradas dos pontos corridos.

Decisivas

Exatamente por conta dessa briga acirrada no topo, as próximas quatro rodadas, recheadas de confrontos diretos, serão fundamentais para definir quem passará pelo funil e seguirá sonhando com a taça. Já neste fim de semana, o clássico entre Palmeiras e São Paulo, sábado, às 18h, no Morumbi, poderá resultar em nova troca de posição na liderança, caso os anfitriões vençam e o Inter tropece diante do Sport, no Recife.

O Palmeiras será, por sinal, o time com mais rivais diretos pelo caminho nessa sequência. Fora o clássico de sábado, o time encara o Grêmio, na rodada seguinte, e o Flamengo, após o duelo com o Ceará.

O São Paulo faz duas "finais" seguidas: Palmeiras, em casa, e Inter, fora. "Estamos entrando na etapa final. Todas as partidas vão ser decisões. Temos 11 rodadas pela frente. É ter calma e acreditar no que podemos fazer, tentar ganhar o próximo jogo em casa para seguir na luta", afirmou o técnico Diego Aguirre, após o empate com o Botafogo (2 a 2), no último domingo.

O Flamengo só enfrenta um oponente direto, o Palmeiras, daqui a três rodadas. Por outro lado, terá dois adversários complicados até lá: Corinthians, amanhã, em Itaquera, e o clássico carioca com o Fluminense.

Os gaúchos são, em tese, os concorrentes com o caminho mais "tranquilo" nessa série de quatro rodadas. O Inter recebe o São Paulo, e só. Ainda encara o Santos em casa e Sport e Vasco, fora de Porto Alegre. O Grêmio também só tem uma pedreira, contra o Palmeiras, e três rivais mais preocupados com a parte de baixo da tabela do que com voos maiores: Bahia, América-MG e Sport.

DEBATE - O Brasileirão está mais disputado

por ter melhor nível técnico?

SIM

Careca, campeão brasileiro pelo Guarani em 1978 e pelo São Paulo, em 1986:

"Temos de valorizar as equipes que estão na briga. É mérito delas, que conseguiram manter a organização no início da competição, no meio e agora no fim. Futebol é qualidade e organização. Ninguém se organiza em um mês. Ter cinco times na disputa pelo título demonstra que o Campeonato Brasileiro é o melhor de todos. Essa disputa é maravilhosa.

Não dá para apontar quem vai vencer porque ainda tem clubes que estão em outras competições. O Grêmio é um time com muita qualidade. O Inter cresceu muito também.

O São Paulo perdeu a liderança, mas voltou a chegar depois de anos. O Palmeiras tem elenco, assim como o Flamengo. Nessa reta final, tudo pode acontecer. Não dá para arriscar. Esses times conseguiram preservar o elenco e isso é importante. Mexeram o mínimo possível. A janela do meio do ano costuma quebrar as melhores equipes. Acredito que estamos evoluindo."

NÃO

Dadá Maravilha, campeão brasileiro pelo Atlético-MG em 1971:

O Brasileiro ficou mais fraco. Não tem muita disparidade porque os times oscilam. Por isso não dá para apontar um favorito. Para mim, o Palmeiras tem mais elenco e o Grêmio é a melhor equipe, porque é a que consegue ser mais compacta.

O equilíbrio se dá mais pela fraqueza dos times. Não tem nenhum bom, com exceção do Grêmio. Ninguém é favorito. O futebol brasileiro encontra-se desmoralizado. Os jogadores estão mais pensando no cabelo do que no futebol. Até na China riem da gente. Tem jogo do Brasileiro que eu caio na cama e vou dormir porque é o melhor a se fazer.

O Flamengo está uma 'caca'. Parece que desaprendeu a jogar. O São Paulo faz o 'arroz com feijão', mas não tem cheiro de campeão. O Inter subiu e não tem consistência para permanecer na ponta. Não tem peças de reposição. Peço a Deus para que surja um novo Pelé, um Romário, um Dadá.

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Estadão
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