Liziero vê amadurecimento na Europa e abre o jogo sobre passado no São Paulo: ‘História meio estranha’
Aos 28 anos, meio-campista virou peça importante no Nacional, de Portugal
Igor Liziero, de 28 anos, vive um momento especial em sua vida dentro e fora de campo. Quase um ano após deixar o São Paulo, o volante se firmou como titular do Clube Desportivo Nacional, de Portugal, e considera que amadureceu também fora de campo com o nascimento do filho, Davi, de 1 ano.
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“É uma fase bem gostosa agora. Ele está começando a falar, não para de correr, quer ficar chutando bola aqui dentro de casa. Isso também é transmitido dentro de campo. Quando as coisas fora do campo estão indo muito bem, leve, dentro de campo também as coisas correspondem da mesma forma. É uma motivação a mais também. É uma inspiração para quando a gente tá passando por dificuldades também, a gente lembrar do moleque aqui em casa, também dá muita força”, conta ao Terra.
Se hoje virou peça importante na equipe do técnico Tiago Margarido e tem sua segunda temporada da carreira com mais minutos em campo, atrás apenas de 2021, Liziero viveu o que considera o pior momento de sua trajetória há pouco tempo, em 2025. Após empréstimo de um ano ao Yverdon-Sport, da Suíça, entrou em campo em 11 partidas, chegou a balançar a rede e ganhou a confiança do técnico Luís Zubeldía.
O que parecia ser o reinício de uma história que começou ainda na infância, porém, se transformou no pesadelo de passar seis meses treinando afastado dos companheiros de equipe após ter a renovação de seu contrato frustrada.
“Fiquei um período afastado devido ao contrato, a politicagem que tinha. Acredito que pode ter sido em outras partes, que isso acontece até em outros clubes. Talvez fiquem numa situação de contrato que não favoreça o clube. Optaram por isso, mas faz parte da vida. Nunca imaginei que ia passar por isso, ainda mais no clube que eu cheguei com 9 anos e aprendi a amar. Foi um dos momentos mais difíceis da minha carreira, nem quando tive uma época que eu estava lesionado e precisei fazer uma cirurgia no tornozelo foi tão complicado como nessa época”, recorda sobre os últimos meses no Tricolor Paulista.
Mesmo com a frustração, Liziero conta que optou por erguer a cabeça e aproveitar da estrutura oferecida pelo clube para manter a forma física. O volante também recorda que chegou a ter seu vínculo negociado com o Sport durante o período, sem ser consultado, em uma história que um ano depois ainda considera difícil de entender.
“Até hoje é uma história meio estranha, ainda não consigo te dizer com certeza, pode ser muito achismo da minha parte também. Mas lembro que depois que fiz aquele gol contra o Criciúma, conversaram comigo falando que iríamos acertar a renovação. Falei que podiam conversar com meu empresário, ainda mais que meu filho tinha acabado de nascer. Ficar perto seria muito bom. Quando fui pras férias, saiu uma notícia que eu estava indo para o Sport e eu sem saber de nada. Ficou essa confusão toda. É difícil saber com exatidão as coisas certinho para poder dizer, mas ficou esse disse e me disse”, explica.
Em meio ao imbróglio, surgiu a oportunidade de se mudar para o Nacional, de Portugal. O projeto apresentado e a quantidade de brasileiros na equipe pesou na decisão de Liziero, que precisou se adaptar para jogar também sem a bola em momentos de transição.
“Aqui, já joguei de primeiro volante, de 8, teve alguns jogos que eu acabei também jogando de 10. Tenho facilidade para rodar nessas áreas do campo e é algo que o Míster explora bastante também nos jogos. Em relação à Liga, tive que ter uma adaptação no começo, ainda mais pela intensidade que aqui tem as transições de jogo, é diferente do Brasil. No Brasil, a gente joga mais perto da bola, tenta valorizar mais ter a posse. O que mais senti dificuldade no começo foram as transições, um jogo que quando precisa fazer a transição, tanto para atacar quanto para defender, é bem forte”, afirma o meio-campista.
O período fora do Brasil também tem ajudado Liziero a enxergar situações do passado com mais maturidade. Em sua primeira passagem pelo São Paulo, viu suas oportunidades evaporarem quando falhou com menos de um minuto de jogo na goleada sofrida para o Flamengo, em pleno Morumbi. Se na época pensava que o Rogério Ceni havia perdido a confiança em seu futebol, hoje vê que o técnico o tirou do time com a melhor das intenções.
“Foi um momento bem marcante na minha vida. Na época, tinha 22 anos, quando você já fica a cabeça pensando um monte de coisa e na época eu até achava: ‘Pô, Rogério me sacou porque eu errei’. Mas, depois de ter amadurecido mais, vejo que o Rogério naquela época quis me proteger também do momento. Foi um erro meio incomum e hoje penso que hoje o Rogério quis mais me blindar, me proteger por ser jovem”, destaca.
Após a falha em que perdeu a bola no campo de defesa são-paulino, Liziero disputou mais duas partidas pelo clube que o revelou e assinou por empréstimo com o Internacional: “Depois, nas férias minha ida pro Inter tem a ver com o projeto que me foi apresentado. Achei que seria interessante essa mudança de fase na minha vida. Querendo ou não, por mais que você tenha mais idade, você sempre vai ser o moleque da base. Era uma oportunidade de ir para outro clube e vivenciar coisas novas.”
Agora, aos 28 anos, o meio-campista considera que tem objetivos a serem cumpridos na carreira. Sem fechar portas, um deles é jogar nas grandes ligas do futebol europeu.
“Ainda tenho aquela lenha pra queimar e, se deixar de sonhar, não faz sentido fazer o que a gente faz. Hoje estou no Nacional, mas, com certeza, tenho um sonho de jogar uma Champions, uma Europa League, jogar numa liga expressiva, num clube mais expressivo da Europa. Tenho sonhos, mas isso eu deixo acontecer naturalmente. Se for para acontecer, vai acontecer e vou trabalhar para isso. A única coisa que posso é trabalhar para que essas coisas possam acontecer. Acho que aqui é um mercado muito bom, estou num clube muito bom também, que pode ajudar para que essas coisas aconteçam”, completa.
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