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Bruno Alves tenta escapar de 'notícias distorcidas' e promete São Paulo forte no retorno do futebol

Zagueiro afirma que precisa filtrar o que está sendo divulgado sobre o coronavírus e celebra boa fase com a camisa tricolor em ano diferente

19 mai 2020
05h10
atualizado às 11h10
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Um dos líderes do São Paulo desde o ano passado, o zagueiro Bruno Alves demonstra personalidade fora de campo e tem acompanhado tudo que acontece em relação ao novo coronavírus com olhar mais atento. Enquanto aguarda ansiosamente pela volta do futebol brasileiro, o que ainda não tem data para acontecer, o defensor, que fez parte da seleção do Paulistão no ano passado, projeta o que será do mundo após a pandemia e como o seu time estará de volta nos gramados.

Em entrevista ao Estadão, o zagueiro - que no meio de 2019, renovou contrato até 2023 - comenta que tem filtrado o noticiário sobre a covid-19 por causa de informações distorcidas, admite que sua boa fase não é surpresa, já que tinha certeza de que daria certo no São Paulo quando tivesse oportunidade, e ainda comenta sobre seleção brasileira, volta do futebol e seu estilo de liderança em campo que vinha agradando ao técnico Fernando Diniz ante de tudo parar.

Bruno Alves com a mulher (Daniela) e os filhos (Henry e Helena)
Bruno Alves com a mulher (Daniela) e os filhos (Henry e Helena)
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

Como tem acompanhado a pandemia do novo coronavírus?

Procuro estar atento, mas também filtrando bem as informações que chegam. Às vezes tem muita coisa distorcida, aí o melhor é evitar ficar vendo toda hora. Mas estamos acompanhando as situações. Tenho dois filhos pequenos (Henry Miguel (3 anos) e Helena (6 meses de idade)) e minha mulher (Daniela) e sempre estamos de máscara, mesmo aqui em casa. Limpo direto as mãos, usando álcool em gel, para evitar o contágio e a disseminação do vírus. É uma situação triste, tem muita gente sofrendo, então é torcer para que tudo possa melhorar.

O que acha da volta dos jogos no Brasil? Acredita que já estamos preparados para isso?

Acredito que, quando voltar, todos nós vamos estar mais preparados para enfrentar essa situação. Isso, claro, quando as autoridades liberarem o futebol. Nós vamos procurar manter os cuidados e a proteção. Esperamos que isso possa ser resolvido o mais rapidamente possível, mas com segurança. Saúde está em primeiro lugar, não só no futebol, mas para a vida de qualquer um, em qualquer profissão. Temos de seguir com o cuidado redobrado para todos voltarem bem, para as pessoas poderem voltar a seguir com suas vidas normalmente. E o futebol entra nesse contexto.

Você chegou sem alarde, conquistou seu espaço e hoje é um dos alicerces da defesa do São Paulo, setor que é o que mais funciona. A que se deve essa evolução?

Quando cheguei ao São Paulo, cheguei com os pés no chão, sabendo que no início teria poucas oportunidades e teria de aproveitar da melhor forma as chances. Sempre trabalhei forte no dia a dia, dando meu máximo, porque sabia que, quando chegasse a minha vez, eu aproveitaria. Era convicto que ia colher o que estivesse plantando. O dia a dia sempre foi com entrega, dedicação, procurando evoluir, ouvir todo mundo que me dava conselho e procurava me ajudar. Agora, fico feliz por estar jogando, com sequência, sendo reconhecido pelo clube, pelos companheiros e pelos torcedores. Estou em trabalho que é muito difícil, é muita pressão, e a torcida do São Paulo é exigente, apaixonada, então tudo fica maior. Fico feliz de estar correspondendo à altura. Fico feliz pelo carinho dos torcedores, não só por mim, mas também pela minha família. Vejo mensagens positivas pelas redes sociais e pessoalmente no CT, no estádio... Fico contente.

O técnico Fernando Diniz já disse que você é um dos líderes do elenco e sempre dá conselho para os mais jovens. É assim mesmo?

Vejo isso com muita alegria e satisfação. O Diniz sempre conversa comigo sobre esse papel que tenho dentro do time, dentro do elenco e essa liderança que carrego. Procuro estar sempre conversando com os mais jovens, até pela experiência que tive na minha carreira. Eu vim lá de baixo, de equipes menores, e hoje poder estar no São Paulo é um sonho muito grande. Procuro aproveitar da melhor forma possível todos os dias. Falo para os meninos que hoje em dia eles podem sair de Cotia, que é uma das melhores estruturas de base do Brasil e do mundo, e chegar direto no profissional do São Paulo. Isso é algo muito especial e precisa saber aproveitar.

Você diz na questão de não passar por times menores antes de chegar ao São Paulo?

Sim. É para aproveitar da melhor forma possível, viver tudo isso, almejar coisas grandes aqui dentro, querer ser campeão. Depois, então, podem pensar em seguir carreira de Europa, chegar à seleção brasileira. Tudo isso será consequência do trabalho no São Paulo. Eles podem ter uma carreira de muito sucesso, conquistando muitos títulos com a camisa do São Paulo e, depois, podem sonhar com Europa e seleção, além de outros objetivos. Mas uma coisa por vez.

Por falar em seleção, você tem 29 anos. Acha que ainda dá para ter uma chance?

Todo atleta tem o sonho de jogar na seleção. Trabalho todos os dias para conquistar títulos pelo São Paulo e marcar meu nome. Tenho certeza de que, com títulos, com certeza estaria mais perto da seleção. É um passo de cada vez. Passando por essa etapa de grandes feitos no clube, acho que posso estar mais perto do time de Tite.

O São Paulo vinha embalado no Paulistão, inclusive com uma vitória sobre o Santos. Teme que essa parada possa fazer o time perder o foco?

Não. Não vamos perder o foco. Está todo mundo sofrendo com essa pandemia. Então vai afetar a todos. Agora estamos nos preocupando com a saúde e depois, quando voltarmos aos treinos no CT, voltaremos à rotina de grupo. É procurar recuperar a forma e voltar aos trabalhos táticos e técnicos. Vamos procurar dar continuidade ao que vinha sendo feito. Atleta tem de estar sempre se adaptando, então acredito que esse seja mais um desafio que a gente tenha de superar. Vamos tentar voltar ao mesmo ritmo, ou ao mais próximo possível perto dele, como estávamos antes da parada.

Estadão
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